CCJ0006-WL-PA-22-Direito Civil I-Antigo-34070
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a\u19fnge é a responsabilidade, pois, esgotado o prazo prescricional o devedor não é mais responsável judicialmente pela dívida, pagando somente se assim o desejar, pois 
até o pagamento ele estará inadimplente com uma obrigação natural. A decadência sim a\u19fnge o direito diretamente e assim, após o prazo decadencial, o direito que foi alvo deste 
prazo \ufb01ca prejudicado. Outra diferença, é que a prescrição pode ser suspensa ou interrompida, sendo que neste caso uma única vez, enquanto que a decadência nem interrompe nem 
suspende. A prescrição, como foi dito, é de ordem privada e pode sofrer renúncia, na medida que a decadência por ser de ordem pública não pode ser alvo de renúncia e pode ser 
reconhecida pelo juiz ex officio. 
A doutrina e jurisprudência pátrias adotaram inúmeros métodos para diferenciar os ins\u19ftutos da prescrição e da decadência, já que ambos envolvem efeitos do decurso do tempo 
nas relações jurídicas, sendo muitas vezes confundidos. 
O Código Civil de 1916, ao tratar em setor especí\ufb01co exclusivamente o tema da prescrição, contribuiu para a nebulosidade que acostumou acompanhar o tema, posto que em muitos 
dos casos previstos no art. 178, não se tratava de prescrição, mas sim de decadência. 
A seguir serão vistas as principais diferenças entre ambos os ins\u19ftutos jurídicos. 
1º - A decadência começa a correr, como prazo ex\u19fn\u19fvo, desde o momento em que o direito nasce. Enquanto a prescrição não tem seu início com o nascimento do direito, mas a 
par\u19fr de sua violação, porque é nesse momento que nasce a ação contra a qual se volta a prescrição. 
2º - Diversa é a natureza do direito que se ex\u19fngue, pois a decadência supõe um direito que, embora nascido, não se efe\u19fvou por falta de exercício, ao passo que a prescrição supõe 
um direito nascido e efe\u19fvo, mas que pereceu por ausência de proteção pela ação, contra a violação sofrida. 
3º - A decadência, como regra geral, não é suspensa nem interrompida e só é impedida pelo exercício do direito a ela sujeito. A prescrição pode ser suspensa ou interrompida pelas 
causas expressamente colocadas em lei. 
4º - A decadência pode ser \ufb01xada pela lei ou pela vontade das partes bilateralmente ou unilateralmente. Enquanto a prescrição só se estabelece por lei. 
5º - A decadência legal pode ser reconhecida de o\u130cio pelo juiz e independe da argüição do interessado. Porém a prescrição poderá ser reconhecida de o\u130cio apenas nos casos de 
interesses de absolutamente incapazes, conforme art. 194 do Código Civil de 2002. 
6º - A prescrição admite renúncia depois de consumada, não sendo admi\u19fda antes ou no curso do prazo, porque é ins\u19ftuto de ordem pública, decorrente da lei(5) , a decadência 
legal não pode ser renunciada. 
7º - A decadência opera contra todos, salvo contra absolutamente incapazes, ex vi art. 208 do Código Civil de 2002, enquanto que a prescrição não opera para determinadas pessoas 
elencadas pelo art. 198 do Código Civil de 2002. 
  
O Código Civil de 2002 foi mais prá\u19fco, ao determinar serem os prazos de prescrição, apenas e exclusivamente, os taxa\u19fvamente discriminados na Parte Geral, nos arts. 205 (regra 
geral, prazo de 10 anos) e 206 (regras especiais), sendo de decadência todos os demais, estabelecidos como complemento de cada ar\u19fgo que rege a matéria, tanto na Parte Geral 
como na Especial. Essa foi uma das principais inovações trazidas pelo Código Civil em vigor. 
En\ufb01m, para evitar a discussão sobre se a ação prescreve ou não, adotou -se a tese da prescrição da pretensão, por ser considerada a mais condizente com o direito processual 
contemporâneo, afastando a possibilidade de envolver o direito subje\u19fvo público abstrato de ação. 
  
. EXCEÇÕES 
A prescri\u19fbilidade é a regra, diante dos mo\u19fvos anteriormente apresentados. 
No entanto, há ações que não são prescri\u1a1veis, pois certas relações jurídicas não se coadunam com os ins\u19ftutos da prescrição ou da decadência, tais como o direito de 
personalidade, a vida, ao nome, a nacionalidade, as de estado das pessoas (tais como \ufb01liação, cidadania, condição conjugal). Os imóveis públicos não podem ser adquiridos por 
usucapião, logo não são subme\u19fdos à prescrição aquisi\u19fva, a teor dos arts. 183, § 3°, e art. 191, parágrafo único, da Cons\u19ftuição Federal de 1988. 
No estudo da prescrição e da decadência sempre estão presentes um embate de princípios  - o da jus\u19fça e o da segurança jurídica, que devem ser harmonizados para a efe\u19fva 
aplicação do ordenamento jurídico. 
Por outro lado, o direito não dá a mesma proteção a todos os direitos existentes. O ordenamento jurídico traduz uma escala de valores, que conduz à classi\ufb01cação de direitos de 
acordo com a sua importância, sendo aos mais importantes atribuída uma proteção maior. 
A regra geral de prevalência da segurança jurídica sucumbe ao princípio da jus\u19fça quando estão violados direitos anteriormente referidos, de modo que o tempo deve ser 
desconsiderado. Entendimento em contrário comprometeria o próprio \ufb01m do direito, alcançado via prescrição e decadência, qual seja, a resolução de con\ufb02itos em prol da 
paci\ufb01cação social. Vale dizer, a sociedade, por exemplo, não aceita que a violação ao direito à paternidade seja consolidada por meio do decurso de tempo, o que impediria a 
resolução de con\ufb02ito(6) . 
 Se \ufb01zéssemos um quadro compara\u19fvo entre as diferenças conceituais e seus efeitos dos ins\u19ftutos da prescrição e da decadência chegaríamos a seguinte conclusão 
 A pergunta que se faz é a seguinte: o fato de juiz pronunciar a prescrição de o\u130cio signi\ufb01ca que a matéria se tornou de ordem pública? 
 A segunda pergunta é a seguinte: se a resposta à primeira questão for posi\u19fva,  tornando-se a prescrição matéria de ordem pública, não seria mais possível a renúncia à prescrição, 
estando, portanto, revogado o ar\u19fgo 191 do Código Civil? 
 A resposta a ambas às perguntas é nega\u19fva. Primeiramente, cabe diferenciar matéria de ordem pública de matéria em que há interesse público. 
 Conforme explica de maneira cristalina HENRIQUE HERKENHOFF \u201cos juízes não conhecem de o\u130cio apenas matéria de ordem pública, mas também aquelas em que há mero interesse 
público na proteção de matéria privada (menores, fazenda pública, direitos indisponíveis), bem como os pedidos que se consideram implícitos (juros legais, correção monetária) ou 
quaisquer outras que o legislador escolha, segundo sua discricionariedade legislativa\u201d (e -mail enviado ao autor em 16 de março de 2006). 
 Assim, a alteração foi apenas programá\u19fca, para facilitar aos juízes a ex\u19fnção de um feito sem a necessidade de citação, sem a necessidade de análise de mérito. A ex\u19fnção é a 
forma mais rápida de redução do trabalho que gera a morosidade do Poder Judiciário. 
 Há um forte argumento no sen\u19fdo de que a renúncia da prescrição não mais produziria efeitos, ainda que o devedor \u19fvesse se despojado do direito de invocá-la. Se o juiz a 
pronuncia de o\u130cio, o processo seria ex\u19fnto de imediato, mesmo sem a citação do devedor, que, portanto, não teria chance de renunciá-la. Assim,a renúncia não produziria efeitos. 
 A proposição tentadora parte de premissa equivocada. Isso porque renúncia à prescrição é o ato pelo qual o prescribente se despoja do direito de invocá -la. Pode ter ela duas 
modalidades: expressa ou tácita. 
 a)      expressa: em decorrência de manifestação de vontade do devedor. 
b)      tácita: caracteriza -se quando o devedor, ciente de que a prescrição se consumou, pra\u19fca algum ato ostensivo que envolve reconhecimento do direito prescrito  
 Se a renúncia for expressa, e, portanto, o devedor declara por escrito que não invocará a prescrição, pode o autor propor a demanda, junta a declaração com a pe\u19fção inicial, e não 
poderá o juiz pronunciá -la de o\u130cio, pois a renúncia já ocorreu. A demanda prosseguirá e o mérito será analisado. 
 Da mesma forma, a renúncia foi tácita e o devedor espontaneamente pagou dívida prescrita, não haverá demanda de cobrança e a renúncia terá produzido todos os seus efeitos. 
 Colaborando com o debate jurídico, entende FLÁVIO