CCJ0006-WL-PA-23-Direito Civil I-Antigo-34071
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Título 
DIREITO CIVIL I 
Número de Aulas por Semana 
 
Número de Semana de Aula 
15 
Tema 
ATOS ILÍCITOS E RESPONSABILIDADE CIVIL 
Objetivos 
·        Conceituar os atos ilícitos na esfera cível. 
·        Reconhecer as espécies, elementos e as distinções de atos ilícitos.  
·        Dissertar e analisar a teoria do abuso de direito. 
·        Apresentar noções gerais de responsabilidade civil. 
Estrutura do Conteúdo 
1. ATOS ILÍCITOS E RESPONSABILIDADE CIVIL   
1. 1 Conceito, espécies e distinções necessárias, generalidades e elementos. 
1.2  Abuso de Direito. 
1.3 Excludentes de ilicitude. 
1.4 Responsabilidade Civil - noções gerais. 
ATOS ILI\u1b5CITOS E RESPONSBILIDADE CIVIL 
  
  
Sa\u303o atos que va\u303o contra o ordenamento jur\u131\u301dico, lesando o direito subjetivo de algue\u301m. Para que se con\u3d0igure o ato il\u131\u301cito e\u301 mister que haja um dano moral ou material a\u300 v\u131\u301tima, uma 
conduta culposa, por parte do autor e um nexo causal entre o dano con\u3d0igurado e a conduta il\u131\u301cita. 
Il\u131\u301cito civil gera uma obrigaça\u303o indenizato\u301ria pelos danos efetivos e, em alguns casos, pelo que a v\u131\u301tima deixou de lucrar com o dano provocado. 
Tal obrigaça\u303o decorre da responsabilidade civil, que e\u301 a possibilidade jur\u131\u301dica que determinada pessoa tem de responder pelos seus atos, sejam eles l\u131 \u301citos ou na\u303o. A 
responsabilidade pode ser direta (responder pelos pro\u301prios atos) ou indireta (responder por atos de terceiros). 
O conceito de ato il\u131\u301cito e\u301 de suma importa\u302ncia para a responsabilidade civil, vez que este faz nascer a obrigaça\u303o de reparar o dano. O il\u131\u301cito repercute na esfera do Direito 
produzindo efeitos jur\u131\u301dicos na\u303o pretendidos pelo agente, mas impostos pelo ordenamento. Em vez de direitos, criam deveres. A primeira das consequ\u308e\u302ncias que decorrem do ato 
il\u131\u301cito e\u301 o dever de reparar. Mas na\u303o se faz u\u301nica, eis que, dentre outras, este pode dar causa para a invalidade ou cassaça\u303o do ato, por exemplo.  
No campo do direito, o il\u131\u301cito alça -se a\u300 altura de categoria jur\u131\u301dica e, como entidade, e\u301 revestida de unidade o\u302ntica, diversi\u3d0icada em penal, civil, administrativa, apenas para efeitos de 
integraça\u303o, neste ou naquele ramo, evidenciando -se a diferença quantitativa ou de grau, na\u303o a diferença qualitativa ou de substa\u302ncia.  
E o princ\u131\u301pio que obriga o autor do ato il\u131\u301cito a se responsabilizar pelo preju\u131\u301zo que causou, indenizando -o, e\u301 de ordem pu\u301blica, ressalta a renomada Maria Helena Diniz.  
A de\u3d0iniça\u303o de ato il\u131\u301cito a\u3d0irmada pela ple\u302iade de renomados doutrinadores a seguir mencionados salienta diferença apenas no estilo pessoal de cada deles expor.  Vejam-se a seguir: 
\u201cAto il\u131\u301cito e\u301, portanto, o que praticado sem direito, causa dano a outrem.\u201d (Clovis Bevilaqua) 
\u201cQue e\u301 ato il\u131\u301cito? Em sentido restrito, ato il\u131\u301cito e\u301 todo fato que, na\u303o sendo fundado em Direito, cause dano a outrem\u201d (Carvalho de Mendonça)   
\u201cAto il\u131\u301cito, e\u301, assim, a aça\u303o ou omissa\u303o culposa com a qual se infringe, direta e imediatamente, um preceito jur\u131\u301dico do direito privado, causando- se dano a outrem \u201d  (Orlando 
Gomes). 
\u201c... ato il\u131 \u301cito e\u301 o procedimento, comissivo (aça\u303o) ou omissivo (omissa\u303o, ou abstença\u303o), desconforme a\u300 ordem jur\u131\u301dica, que causa lesa\u303o a outrem, de cunho moral ou 
patrimonial.\u201d (Carlos Alberto Bittar) 
\u201cO cara\u301ter antijur\u131\u301dico da conduta e o seu resultado danoso constituem o per\u3d0il do ato il\u131\u301cito.\u201d (Caio Mario da Silva Pereira) 
\u201cO ato il\u131\u301cito e\u301 o praticado culposamente em desacordo com a norma jur\u131\u301dica, destinada a proteger interesses alheios; e\u301 o que viola direito subjetivo individual, causando preju\u131\u301zo a 
outrem, criando o dever de reparar tal lesa\u303o.\u201d (Maria Helena Diniz) 
 \u201cAto il\u131\u301cito. Aça\u303o ou omissa\u303o contra\u301ria a\u300 lei, da qual resulta danos a outrem.\u201d (Marcus Cla\u301udio Acquaviva) 
A diferença fundamental entre os il\u131\u301citos reside na aplicaça\u303o do sistema sancionato\u301rio, pois o direito penal pode afetar a liberdade da pessoa do infrator, como o direito de ir e vir, 
enquanto que o a\u302mbito civil ira\u301 atingir sua esfera pessoal, sua subjetividade, mas preferencialmente o seu patrimo\u302nio.  
O fato e\u301 que o comportamento contra\u301rio a\u300 norma tipi\u3d0ica uma ilicitude. Conclu\u131\u301mos que o il\u131\u301cito civil e\u301 transgressa\u303o do dever jur\u131\u301dico quer seja legal, quer seja negocial.  
Na esfera criminal, os il\u131\u301citos podem ser de\u3d0inidos como crimes ou contravenço\u303es e, ao puni-los, faz-se aplicaça\u303o de sanço\u303es mais graves chamadas penas. Mas esses mesmos atos, 
enquanto envolvam a violaça\u303o de interesses de pessoas singularmente consideradas, pertencem tambe\u301m ao direito civil.  
Assim o ato il\u131\u301cito pressupo\u303e sempre uma relaça\u303o jur\u131\u301dica origina\u301ria lesada e a sua consequ\u308e\u302ncia e\u301 uma responsabilidade, ou seja, o dever de indenizar ou ressarcir o dano causado 
pelo inadimplemento do dever jur\u131\u301dico existente na relaça\u303o jur\u131\u301dica origina\u301ria.  
  
  
ABUSO DE DIREITO 
A Teoria do Abuso de Direito foi constru\u131\u301da sob a simples ilaça\u303o \u201co meu direito termina quando começa o do outro\u201d. Superando o ideal burgue\u302s de a\u3d0irmaça\u303o das liberdades pu\u301blicas, 
em que se edi\u3d0icaram direitos subjetivos absolutos, intang\u131\u301veis, os imperativos da convive\u302ncia em sociedade inspiraram a moral hodierna a exigir a relativizaça\u303o dos interesses. Do 
individualismo ao socialismo. 
Sobre o tema, e\u301 a liça\u303o de Pontes de Miranda, lembrada por Rui Stoco[1]: \u201cQuando o legislador percebe que o contorno de um direito e\u301 demasiado, ou que a força, ou intensidade, com 
que se exerce e\u301 nociva, ou perigosa a extensa\u303o em que se lança, concebe as regras jur\u131\u301dicas que o limitem, que lhe ponham menos avançados os marcos, que lhe tirem um pouco da 
viole\u302ncia ou do espaço que conquista.\u201d 
No Direito Brasileiro, a teoria do abuso de direito na\u303o fora consagrada expressamente no Co\u301digo Civil de 1916. Este apenas mencionava no art.160, I quando proibia a pra\u301tica de atos 
irregulares. O legislador de 1916 na\u303o fez distinça\u303o entre ato il\u131\u301cito e ato abusivo, equiparando os dois institutos.  
Como sua construça\u303o se deu atrave\u301s da jurisprude\u302ncia, diante de ana\u301lise de casos concretos, que na\u303o encontravam soluça\u303o satisfato\u301ria na doutrina dos atos il\u131\u301citos, o que acarretou 
uma controve\u301rsia no cerne do conceito, no que diz respeito aos crite\u301rios de aferiça\u303o da abusividade. Tem -se usado o princ\u131\u301pio da boa - fe\u301 objetiva como para\u302metro para limitar o 
exerc\u131\u301cio de um direito, logo o dever de na\u303o abusar re\u3d0lete na observa\u302ncia dos valores sociais, como a boa- fe\u301, os bons costumes e a destinaça\u303o social ou econo\u302mica do direito. 
A positivaça\u303o da teoria do abuso de direito, no ordenamento brasileiro, ocorre com o advento do Novo Co\u301digo Civil em 2002, no artigo 187, que traz limites e\u301ticos ao exerc\u131\u301cio dos 
direitos subjetivos e de outras prerrogativas individuais, impondo ao titular do direito a observa\u302ncia dos princ\u131\u301pios da boa - fe\u301 e a \u3d0inalidade social ou econo\u302mica do direito. O 
Diploma Civil pa\u301trio inseriu a teoria do abuso de direito no capitulo dos atos il\u131\u301citos. Sendo assim, tornam - se confusos seus contornos e enseja a responsabilidade subjetiva \u2013 
fundada na culpa, oposto ao fundamento da aplicaça\u303o da teoria, que exige que a aferiça\u303o de abusividade no exerc\u131\u301cio de um direito seja objetiva, declarada no confronto entre o 
praticado e os valores tutelados no ordenamento constitucional e civil. 
O art. 187 do Novo Co\u301digo Civil /2002 e a tese do abuso do direito. 
O art. 187 do NCC teve sua redaça\u303o inspirada no Direito Civil Portugue\u302s que preceitua no seu art. 334, "e\u301 ileg\u131\u301timo o exerc\u131\u301cio de um direito quando o titular exceda manifestadamente 
os limites impostos pela boa- fe\u301, pelos bons costumes ou pelo \u3d0im social ou econo\u302mico desse direito". Ao comparar as redaço\u303es dos dispositivos brasileiro e portugue\u302s, percebe- se 
apenas uma alteraça\u303o na ordem das expresso\u303es, o dispositivo brasileiro expo\u303e da seguinte maneira: "Tambe\u301m comete o ato il\u131\u301cito o titular de um direito que, ao exerce\u302 -lo, excede 
manifestamente os limites impostos