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CCJ0006-WL-PA-23-Direito Civil I-Antigo-34071

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pelo seu ϐim econômico ou social, pela boa- fé ou pelos bons costumes". 
A tese do abuso de direito, no ordenamento brasileiro, é expressa no tı́tulo dos atos ilı́citos, sendo necessário aqui conceituar o que seja este tipo de ato: que é a conduta voluntária, 
comissiva ou omissiva, negligente ou imprudente, que viola direitos e causa prejuı́zos a terceiros, 
Extrai-se de imediato uma ilação: a que entre nós o abuso de direito está, de lege data, equiparado ao ato ilı́cito. Semelhante equiparação, já se registrou, não é paciϐica na doutrina. E, 
na verdade, parece razoável, do ponto de vista teórico, o entendimento que distingue as duas ϐiguras. Uma é a situação de quem, sem poder de invocar a titularidade de direito algum, 
simplesmente viola direito alheio. Outra situação é a daquele que, sendo titular de um direito, irregularmente o exerce[2]. 
Apesar de se encontrar consagrado no capı́tulo dos atos ilı́citos, a estes não se equipara, pelos seguintes fundamentos: o abuso de direito é caracterizado por um exercı́cio que 
aparentemente é regular, mas desrespeita a ϐinalidade do direito, enquanto no ato ilı́cito há um vı́cio na estrutura formal de um direito. Os dois institutos se assemelham, porém não 
se confundem por terem efeitos idênticos, 
O ilı́cito, sendo resultante da violação de limites formais, pressupõe a existência de concretas proibições normativas, ou seja, é a própria lei que ira ϐixar limites para o exercı́cio do 
direito. No abuso não há limites deϐinidos e ϐixados aprioristicamente, pois estes serão dados pelos princı́pios que regem o ordenamento os quais contêm seus valores fundamentais. 
(HELENA CARPENA, 2003, p.382) 
A caracterização do ato ilı́cito é direta e mais evidente, logo que há uma norma jurı́dica tipiϐicando uma conduta, enquanto no abuso se constatará a partir do momento que houver 
uma desconformidade entre a conduta e o ϐim que a lei impõe. 
Com esta teoria, pretende -se assegurar o interesse coletivo nas relações interpessoais, pautando o interesse individual nos pressupostos ético- sociais tais como a boa- fé, os bons 
costumes e a função social -econômica que cada direito resguarda, 
O estudo do abuso de direito é a pesquisa dos encontros, dos ferimentos, que os direitos se fazem. Se pudessem ser exercidos sem outros limites que os da lei escrita, com 
indiferenças, se não desprezo, da missão social das relações jurı́dicas, os absolutistas teriam razão. Mas a despeito da intransigência deles, fruto da crença a que se aludiu, a vida 
sempre obrigou a que os direitos se adaptassem entre si, no plano do exercı́cio. Conceptualmente, os seus limites, os seus contornos, são os que a lei dá... Na realidade, quer dizer – 
quando se lançam na vida, quando se exercitam – têm de coexistir, têm de conformar - se uns com os outros. 
O instituto do abuso de direito traz a premissa da relativização dos direitos, visando evitar o exercı́cio abusivo dos mesmos pelos seus titulares, com escopo de garantir o bem- estar 
das relações jurı́dicas na sociedade. Logo, todo aquele que excede os parâmetros da boa - fé objetiva, dos bons costumes e a ϐinalidade social ou econômica dos direito ou prerrogativa 
deve ter sua conduta repelida pelo Direito, já que o exercı́cio absoluto de um direito causa um desequilı́brio nos valores ético- sociais, que fundamentam a vida em sociedade. 
  
EXCLUDENTES DE ILICITUDE 
O art. 188 do Código Civil prevê três causas de exclusão de ilicitude, que não acarretam no dever de indenizar:  
  
A) legı́tima defesa,  
B) exercı́cio regular de direito reconhecido, e 
C)  estado de necessidade 
  
A - LEGIƵTIMA DEFESA CIVIL 
  
Entende -se como legı́tima defesa a repulsa necessária para repelir uma injusta agressão, sendo ela atual, defendendo interesse próprio ou de terceiro.  
EƵ ela eminente, pois, no momento em que se produz o ataque, acha-se o indivı́duo abandonado às suas próprias forças. Será neste momento em que o indivı́duo terá que decidir se irá 
sofrer o mal ou irá interferi - lo, repelindo a agressão injusta, surgindo assim à legı́tima defesa.  
Sua fundamentação é considerada como de maior importância para decidir se aquela reação é lı́cita ou se constitui uma causa de justiϐicação ou uma causa de desculpa.  
A nossa recente doutrina jurisprudencial vem considerando que o fundamento da legı́tima defesa surge de uma situação real de necessidade defensiva dos bens jurı́dicos que 
naturalmente falta quando não existe realmente agressão ilegı́tima e, portanto, os bens não correm risco algum, embora o indivı́duo se tenha imaginado erroneamente o contrário.  
Só enquanto existir o perigo tem vigência o estado de defesa, e a necessidade da mesma. Deste modo, quando se defende, ou defende a outro, contra uma injusta agressão está 
impedindo ao próprio tempo que se despreze o ordenamento jurı́dico, que se falte ao respeito que as leis impõem à pessoa e direitos alheios. Essa situação supõe que o Estado não 
impediu ou não pode impedir que a agressão injusta se realize. O indivı́duo realiza uma função que em princı́pio competiria ao Estado. 
Uma análise minuciosa do ordenamento civilista permite -se apontar com clareza cinco hipóteses especı́ϐicas, em que a lei autoriza a pessoa que teve seu direito violado a utilizar- se 
dos seus próprios meios para por ϐim a lesão perpetrada são os seguintes: o embargo extrajudicial na Ação de Nunciação de Obra Nova, o Direito de Retenção, o Penhor Legal, a 
Legítima Defesa da Posse e o Desforço Imediato.  
  
Embargo Extrajudicial na Ação de Nunciação de Obra Nova – o objetivo dessa ação é coibir o abuso praticado pela construção de obra nova que de alguma forma acarrete ao vizinho 
desta algum prejuı́zo, encontrando, pois, assenti no direito de vizinhança. O legislador prevendo que em determinadas situações à demora do judiciário poderia tornar irreversı́vel o 
dano causado pela obra, podendo embargá - la extrajudicialmente através de notiϐicação verbal ao responsável pela obra, acompanhado de (02) duas testemunhas, para que determine 
sua imediata paralisação. Deverá, ainda, o embargante, ratiϐicar em juı́zo o pedido extrajudicial no prazo de 03 (três) dias para que o judiciário se pronuncie sobre o embargo 
realizada. 
  
Direito de Retenção  - conceituado por Carlos Roberto Gonçalves como “... um meio de defesa outorgado ao credor, a quem é reconhecida a faculdade continuar a deter coisa alheia, 
mantendo -a em seu poder até ser indenizado pelo deu crédito...” segue o autor para concluir “... trata-se, na realidade, de meio coercitivo de pagamento sendo uma modalidade da 
“exceptio non adimpleti contractus” transportada para o momento da execução, privilegiando o retentor porque esteve de boa - fé...”.  Assim, é lı́cito ao credor de boa - fé, pelos seus 
próprios meios, manter -se na posse de coisa alheia até que lhe seja adimplida a obrigação, excluindo -se do judiciário a possibilidade de atribuir direito de retenção, cabendo - lhe tão 
somente dizer se o “jus retentionis” exercido é justo ou não.  
Ainda tratando sobre o direito de retenção, importante dizer que os casos em que se admite esta forma de legı́tima defesa de direito próprio estão expressamente previstos na 
legislação civil e, também, na comercial.  
  
Penhor Legal - a inspiração do legislador foi no sentido de proteger determinadas pessoas, em certas situações, de forma a garantir- lhes o resgate dos seus créditos. Autoriza - se, pois, 
o credor pignoratı́cio legal, havendo fundado receio de que o perigo da demora possa acarretar o não cumprimento da obrigação, independentemente de prévia ida ao judiciário, ao 
apossamento de determinados bens para que sobre eles possa constituir sua garantia real. Exemplificando, pode- se citar o caso dos fornecedores de pousada ou alimento sobre as 
bagagens, móveis, jóias ou dinheiro que seus consumidores tiverem consigo nos respectivos estabelecimentos.