Sociologia J. - Anotação (43)
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Sociologia J. - Anotação (43)


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Professor: Wagner Balera
Aula 1
Princípios e Noção de Plano
de Custeio
Direito Previdenciário - Custeio 
Coordenação: Dr. Wagner Ballera
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"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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O sistema de seguridade social brasileiro se baseia em conjunto de princípios que possuem, entre si, 
certa hierarquia. 
A Igualdade.
Por força de decisão política - fundamental para a compreensão da novidade do sistema político/ 
jurídico instaurado em outubro de 1988 - o constituinte o assentou o princípio da igualdade no caput do art. 
5º da Lei das Leis. No terreno da seguridade social o objetivo da universalidade é congruente com o princípio 
da igualdade. Para a construção da isonomia, a seguridade social contribui com a universalização.
Por isso, dissemos em outra oportunidade que a universalidade da cobertura e do atendimento se 
constitui: "na específica dimensão do princípio da isonomia (garantia estatuída no art. 5º da Lei Maior), na 
Ordem Social. É a igual proteção para todos." (Cf. meu livro: "A Seguridade Social na Constituição de 1988", 
página 36)
De feito, existem duas relações que, em obediência aos preceitos garantidores da proteção social, se 
formam no universo jurídico. A primeira relação jurídica, destinada a constituir os fundos de proteção social, 
possui, no que concerne à empresa, natureza tributária. Já na segunda relação - a relação de seguridade 
social - cuja natureza é expressão de direitos públicos subjetivos à saúde, à previdência social e à assistência 
social - cabe ao Poder Público a qualidade de sujeito passivo (devedor). 
Acentuando o modo de ser do fenômeno contribuição, RUBENS GOMES DE SOUSA, que foi o 
responsável pela elaboração do atual Código Tributário Nacional explica que, essa modalidade de receita: 
"é um tributo cobrado de uns em beneficio direto de outros".
A proteção aos desempregados e o programa de desenvolvimento econômico que, nos termos do 
art. 239 da Constituição, serão financiados com recursos da seguridade social, deve ser custeada por toda 
a coletividade.
A empresa contribui, de maneira específica para esse programa por ter especial vantagem que, 
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todavia, não pode ser confundida com as conseqüências benéficas para toda a coletividade que decorrem 
da existência e das atividades que o mesmo programa implementa. 
GERALDO ATALIBA, em sua célebre obra "Hipótese de Incidência Tributária" exige, para a 
configuração da figura tributária da verdadeira contribuição, que se estabeleça correlação lógica entre os 
beneficiários e os contribuintes. E considera razoável: "entender constitucionalmente consentido que a lei 
exija contribuição ao industrial, em benefício do lazer, assistência social, educação, treinamento etc., do 
industriário." (citado, 5ª edição, Malheiros, p. 186).
Esse jurista formulou a denominada classificação jurídica dos tributos a partir do aspeto material da 
hipótese de incidência do tributo. A hipótese de incidência configura a norma tributária em seu plano 
abstrato, normativo. Pode ser observada a partir de diversos aspectos e o aspecto material é aquele que 
define o fato que dá origem ao tributo. Pois bem. Para ATALIBA o critério material revelará que o fato objeto 
da tributação está ou não vinculado a determinada atuação estatal.
Destarte, são tributos vinculados aqueles nos quais o aspecto material da hipótese de incidência se 
aproxima de uma atuação estatal, direta ou indiretamente relacionada com o contribuinte. Por seu turno, os 
tributos não-vinculados definem no aspecto material da hipótese um fato qualquer, alheio a certa atuação 
estatal relacionada com o contribuinte. Aceita essa classificação jurídica, os impostos se enquadram na 
categoria dos tributos não vinculados enquanto que as taxas e as contribuições pertencem ao grupo dos 
tributos vinculados.
A classificação de GERALDO ATALIBA, para melhor distinguir os tributos vinculados (taxas e 
contribuições) explica que o modo pelo qual a vinculação à atuação estatal se relaciona com o contribuinte 
pode se dar de modo direto (quando se trate de taxas) ou indireto (no caso das contribuições).
Como acentua RUBENS GOMES DE SOUSA, a vinculação existente entre a atuação do Estado e o 
contribuinte se estabelece indiretamente, como reflexo da especial vantagem que significa, para as empresas 
e para a comunidade no seu todo considerada, a institucionalização e o funcionamento eficiente dos 
programas de proteção social.
De fato, há uma vinculação entre a atuação estatal (consistente nas prestações de saúde, de 
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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previdência social e de assistência social) e os contribuintes (trabalhadores, empregadores e demais atores 
sociais). Esse nexo pode ser estabelecido, igualmente, entre a proteção social e a produção das empresas.
Pensemos objetivamente que, quanto maior proteção o Poder Publico oferece aos obreiros, e aos 
seus dependentes, tanto mais os mesmos se dedicam - com tranqüilidade - às atividades produtivas, 
beneficiando aos próprios trabalhadores e às empresas. Indiscutíveis as vantagens, indiretas que advém 
para a empresa, da existência dos programas sociais.
Parte do resultado da produção da empresa (cuja representação numeral é o faturamento), sofre a 
incidência das contribuições instituídas pela referida Lei Complementar n. 7, de 1970 e, também, pela 
contribuição social criada, posteriormente, pela Lei Complementar n. 70, de 1991.
Outro aspecto que devemos levar em conta no estudo das contribuições é o da destinação do 
produto da arrecadação dessas espécies tributárias.
Cumpre lembrar que a destinação é instituto próprio da Ciência das Finanças. Na mecânica 
estrutural do orçamento público, que se reflete na contabilidade, os recursos para cada despesa devem ser 
alocados em determinado lugar. A destinação consiste na vinculação de certa receita a determinada 
despesa.
Há uma aparente contradição entre esse conceito e aquele que se acha estampado no art. 4º, inciso 
II, do Código Tributário Nacional. Melhor dizer, porém, que tal regramento elaborado em momento anterior 
ao da atual Constituição não se aplica às contribuições sociais. Deveras, GERALDO ATALIBA sublinhou que 
o destino das contribuições sociais se dá com a simples "invocação das finalidades constitucionalmente 
prestigiadas".
Portanto, todas as contribuições sociais só podem ser carreadas para certo fundo especial, definido 
na legislação, que detalhará os termos da figura contábil apta a configurar a movimentação dos recursos 
arrecadados para tais fins. Os Fundos especiais encontram definição precisa na norma geral de Direito 
Financeiro (Lei n. 4.320, de 1964).
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Os recursos capitalizados em tais fundos, bem assinala DUPEYROUX, se ajustam ao perfil 
keynesiano de política social e podem ser utilizados como mola propulsora do