microestrutura_do_concreto
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3.4.1.1 Fibras 
 
As fibras mais utilizadas atualmente são as fibras de aço. Segundo MEHTA E 
MONTEIRO (1994), inicialmente considerou-se que tanto a resistência do concreto à 
tração e à compressão do concreto podiam ser aumentadas, com a introdução de fibras 
que combatessem a propagação de fissuras. Entretanto, experimentalmente descobriu-se 
que a quantidade de fibras que pode efetivamente ser incorporada é muito pequena, não 
conseguindo combater a formação d fissuras. Desta forma sua adição não altera 
significativamente a resistência do concreto. Entretanto, os ensaios mostraram que as 
fibras melhoraram bastante o comportamento pós-fissuração do concreto, permitindo 
que o concreto deformasse bem mais quando tracionado. 
 
Desta forma, a adição de fibras metálicas não aumenta a resistência à compressão ou 
tração do concreto, entretanto aumenta bastante sua tenacidade, a resistência ao impacto 
e resistência à flexão. 
 
Reda (REDA et al., 1999) relata a utilização de microfibras de carbono em concretos de 
altíssima resistência (UHPC), com resistência à compressão de até 240MPa. Nos 
ensaios verificou-se que os espécimes reforçados com microfibras obtiveram em média 
resistências últimas à compressão 15% superiores a seus pares obtidos sem a adição das 
microfibras. 
 
Comparando-se também o concreto com adição de microfibras com um concreto de alto 
desempenho de resistência a compressão igual (100MPa) verificou-se que as 
microfibras aumentaram muito pouco a tenacidade do concreto (cerca de três vezes), 
com influência muito limitada sobre o comportamento pós-pico. Os autores verificaram 
que isto se deve à grande aderência detectada entre as fibras e a pasta de cimento: a 
ruptura das fibras e não o seu arrancamento governou o comportamento pós-pico. 
 
 
 
 
 
 
 
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Propriedade Microfibra de Carbono Fibra de Aço 
Diâmetro (mm) 7,4 25 
Comprimento (mm) 3-6 12/25 
Massa Unitária (kg/m3) 1780 7850 
Resistência a Tração (MPa) 3600 1900 
Relação Resistência / Peso 
(MPa × m3/Kg) 2,0 0,24 
Módulo de Elasticidade 228 200 
Tabela 5 \u2013 Propriedades físicas e mecânicas das microfibras de carbono e fibras 
de aço (REDA et al., 1999) 
 
Os autores apresentam também fotos com a microestrutura do concreto obtido, 
mostrando que efetivamente as micro fibras de carbono ajudam a controlar a 
microfissuração do concreto e que não são criadas zonas de transição adicionais com as 
fibras. 
 
 
Figura 20 \u2013 Micrografia mostrando as microfibras de carbono distribuídas na microestrutura 
(´ 616) (REDA et al., 1999) 
 
 
Figura 21 \u2013 Micrografia mostrando uma microfibra de carbono rompida atravessando uma 
microfissura (´ 138) (REDA et al., 1999) 
 
 
 
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3.4.1.2 Polímeros 
 
Polímeros podem ser adicionados ao concreto com a finalidade de modificar suas 
propriedades. 
 
Segundo MEHTA e MONTEIRO (1994), os concretos com polímeros podem ser 
divididos em três categorias: 
 
§ concreto de polímero (CP), formado polimerizando-se uma mistura de monômero, 
que substitui o cimento e agregado; 
§ concreto modificado com látex (CML), concreto de cimento Portland 
convencional no qual parte da água de amassamento é substituída por látex; 
§ concreto impregnado com polímero (CIP), produzido impregnando-se ou 
infiltrando-se um monômero ao concreto endurecido, que posteriormente é 
polimerizado. 
 
Ainda segundo MEHTA e MONTEIRO (1994), os concretos com polímeros possuem 
aplicação limitada, pois em geral são muito mais caros e à exceção do CML, muito 
difíceis de se obterem. 
 
Desta forma, o CP, que chega a atingir resistências de 140MPa em algumas horas é 
utilizado apenas em concretagens emergenciais em situações de grande risco. O CML 
possui grande capacidade de aderência ao concreto antigo e grande durabilidade a 
soluções agressivas e desta forma sua principal aplicação é em reparos e pisos 
industriais. No caso do CIP, pela efetiva vedação de fissuras e poros capilares, é 
possível obter um concreto praticamente impermeável com resistências elevadas, da 
ordem do CP. O CIP é utilizado em elementos pré-fabricados de alta resistência. 
 
Em MORANVILLE-REGOURD (1992), o autor se refere a um cimento modificado 
com polímero que chamado de MDF (Macro Defect Free Cement). No MDF, é 
adicionado à mistura um polímero solúvel em água (hidroxi-propil-metil celulose ou um 
acetato de polivinila hidrolisado) que dispersa e lubrifica os grãos de cimento na 
suspensão da pasta de cimento. 
 
O cimento MDF é composto por 100 partes de cimento para 7 de polímero para 10 
partes de água (em peso). Desta forma relação água/(cimento+polímero) de apenas 
0,093. Para que o polímero seja capaz de formar um gel rígido, é preciso um processo 
de mistura vigoroso. Durante a pega e endurecimento, o polímero desidrata enquanto a 
pasta de cimento hidrata. No material endurecido o polímero adere-se fortemente aos 
grão de cimento e a porosidade final acaba ficando em 1% resultando em uma estrutura 
bastante compacta, aumentando a resistência à compressão. 
 
A microestrutura fica parecida à das pastas de cimento com baixa relação a/c. A 
principal característica é a existência de uma matriz densa e amorfa que envolve os 
grãos de clínquer com os cristais de Ca(OH)2 agrupando-se em finas lamelas conforme 
pode ser visto na Figura 22. 
 
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A limitação do espaço para a formação de grandes cristais evita o aparecimento de 
fissuras ao longo dos planos de clivagem dos cristais, sendo que resistências à flexão de 
150MPa tem sido relacionadas com a ausência de poros capilares e microfissuras. 
 
Pastas de MDF podem ser moldadas, estrudadas e laminadas como plásticos e podem 
ser usados em materiais compostos contendo areia, pós metálicos e fibras, que 
aumentam a tenacidade e resistência à abrasão do MDF. 
 
 
Figura 22 \u2013 Pasta de cimento MDF com finos cristais de Ca(OH)2 numa matriz amorfa e 
homogênea (MORANVILLE-REGOURD, 1992) 
 
 
4 Conclusões 
 
O estudo da microestrutura do concreto é fundamental para o desenvolvimento de 
concretos de desempenho mais elevado. Este estudo permite que se detecte os pontos 
aonde o material não se comporta bem e abre caminho para que se intervenha, 
adicionando novos elementos ao concreto, que melhorem seu desempenho. 
 
Estudando a microestrutura dos novos concretos podemos ver como os novos 
ingredientes trabalham, verificando sua eficácia e garantindo desta forma que os 
concretos sejam concretos duráveis. 
 
 
5 Bibliografia 
 
BAUER, L.A.F. Materiais de construção. Rio de Janeiro: LTC \u2013 Livros Técnicos e 
Científicos Ed., 1994, 435p. 
 
DAL MOLIN, D.C.C. Contribuição ao estudo das propriedades mecânicas dos 
concretos de alta resistência com e sem adições de microssílica. São Paulo, 1995. 
286p. Tese (Doutorado). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 
 
MEHTA P.K.; MONTEIRO, P.J.M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. 
São Paulo: PINI, 1994, 573p. 
 24
 
MONTEIRO, P.J.M. Microstructure of concrete and its influence on the 
mechanical properties. Berkeley, California, 1985. 153p. Tese (Doutorado) \u2013 
University of California, Berkeley. 
 
MORANVILLE-REGOURD, M. Microstructure of high performance concrete. In: 
MALIER, Y. High performance concrete - from material to structure. London, E & 
FN Spon, 1992. p.3-13. 
 
NEVILLE, A.M. Properties of concrete. Burnt Mill, England: Longman Scientific & 
Technical, 1988, 779p. 
 
REDA, M.M.; SHRIVE, N.G; GILLOTT, J.E. Microstructural investigation of 
innovative UHPC. Cement and Concrete Research, n. 29, p. 323-29, 1999. 
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Índice 
 
 
1 Introdução _______________________________________________________ 1 
 
2 A Estrutura do Concreto ____________________________________________ 2 
2.1 Agregado_________________________________________________________
Maryanna
Maryanna fez um comentário
Alguem sabe informar o ano deste trabalho? preciso para citar no meu trabalho.
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Paulo
Paulo fez um comentário
humberto, bom material! Poderia me enviar? paulovlg@hotmail.com Obrigado!
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