Constituiçao comentada - STF
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Constituiçao comentada - STF


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Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp[19/12/2012 16:05:36]
 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
 
PREÂMBULO
 
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para
instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e
individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a
justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos,
fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a
solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
 
\u201cDevem ser postos em relevo os valores que norteiam a Constituição e que devem servir de orientação para a correta
interpretação e aplicação das normas constitucionais e apreciação da subsunção, ou não, da Lei 8.899/1994 a elas. Vale,
assim, uma palavra, ainda que brevíssima, ao Preâmbulo da Constituição, no qual se contém a explicitação dos valores que
dominam a obra constitucional de 1988 (...). Não apenas o Estado haverá de ser convocado para formular as políticas
públicas que podem conduzir ao bem-estar, à igualdade e à justiça, mas a sociedade haverá de se organizar segundo
aqueles valores, a fim de que se firme como uma comunidade fraterna, pluralista e sem preconceitos (...). E, referindo-se,
expressamente, ao Preâmbulo da Constituição brasileira de 1988, escolia José Afonso da Silva que \u2018O Estado Democrático
de Direito destina-se a assegurar o exercício de determinados valores supremos. \u2018Assegurar\u2019, tem, no contexto, função de
garantia dogmático-constitucional; não, porém, de garantia dos valores abstratamente considerados, mas do seu \u2018exercício\u2019.
Este signo desempenha, aí, função pragmática, porque, com o objetivo de \u2018assegurar\u2019, tem o efeito imediato de prescrever
ao Estado uma ação em favor da efetiva realização dos ditos valores em direção (função diretiva) de destinatários das
normas constitucionais que dão a esses valores conteúdo específico\u2019 (...). Na esteira destes valores supremos explicitados
no Preâmbulo da Constituição brasileira de 1988 é que se afirma, nas normas constitucionais vigentes, o princípio jurídico
da solidariedade.\u201d (ADI 2.649, voto da Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 8-5-2008, Plenário, DJE de 17-10-2008.)
 
"Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central. Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de
reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo força normativa." (ADI 2.076, Rel. Min. Carlos Velloso,
julgamento em 15-8-2002, Plenário, DJ de 8-8-2003.) No mesmo sentido: ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgamento em 12-4-2012, Plenário, Informativo 661.
 
 TÍTULO I - Dos Princípios Fundamentais
 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
 
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
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"Lei 6.683/1979, a chamada \u2018Lei de anistia\u2019. (...) princípio democrático e princípio republicano: não violação. (...) No Estado
Democrático de Direito, o Poder Judiciário não está autorizado a alterar, a dar outra redação, diversa da nele contemplada,
a texto normativo. Pode, a partir dele, produzir distintas normas. Mas nem mesmo o STF está autorizado a rescrever leis de
anistia. Revisão de lei de anistia, se mudanças do tempo e da sociedade a impuserem, haverá \u2013 ou não \u2013 de ser feita pelo
Poder Legislativo, não pelo Poder Judiciário." (ADPF 153, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 29-4-2010, Plenário, DJE
de 6-8-2010.)
 
"Controle jurisdicional da atividade persecutória do estado: uma exigência inerente ao Estado Democrático de Direito. O
Estado não tem o direito de exercer, sem base jurídica idônea e suporte fático adequado, o poder persecutório de que se
acha investido, pois lhe é vedado, ética e juridicamente, agir de modo arbitrário, seja fazendo instaurar investigações
policiais infundadas, seja promovendo acusações formais temerárias, notadamente naqueles casos em que os fatos
subjacentes à persecutio criminis revelam-se destituídos de tipicidade penal. Precedentes." (HC 98.237, Rel. Min. Celso
de Mello, julgamento em 15-12-2009, Segunda Turma, DJE de 6-8-2010.)
 
"A LEP é de ser interpretada com os olhos postos em seu art. 1º. Artigo que institui a lógica da prevalência de mecanismos
de reinclusão social (e não de exclusão do sujeito apenado) no exame dos direitos e deveres dos sentenciados. Isso para
favorecer, sempre que possível, a redução de distância entre a população intramuros penitenciários e a comunidade
extramuros. Essa particular forma de parametrar a interpretação da lei (no caso, a LEP) é a que mais se aproxima da CF,
que faz da cidadania e da dignidade da pessoa humana dois de seus fundamentos (incisos II e III do art. 1º). A
reintegração social dos apenados é, justamente, pontual densificação de ambos os fundamentos constitucionais." (HC
99.652, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 3-11-2009, Primeira Turma, DJE de 4-12-2009.)
 
"A plena liberdade de imprensa é um patrimônio imaterial que corresponde ao mais eloquente atestado de evolução
político-cultural de todo um povo. Pelo seu reconhecido condão de vitalizar por muitos modos a Constituição, tirando-a
mais vezes do papel, a Imprensa passa a manter com a democracia a mais entranhada relação de mútua dependência ou
retroalimentação. Assim visualizada como verdadeira irmã siamesa da democracia, a imprensa passa a desfrutar de uma
liberdade de atuação ainda maior que a liberdade de pensamento, de informação e de expressão dos indivíduos em si
mesmos considerados. O § 5º do art. 220 apresenta-se como norma constitucional de concretização de um pluralismo
finalmente compreendido como fundamento das sociedades autenticamente democráticas; isto é, o pluralismo como a
virtude democrática da respeitosa convivência dos contrários. A imprensa livre é, ela mesma, plural, devido a que são
constitucionalmente proibidas a oligopolização e a monopolização do setor (§ 5º do art. 220 da CF). A proibição do
monopólio e do oligopólio como novo e autônomo fator de contenção de abusos do chamado \u2018poder social da imprensa\u2019."
(ADPF 130, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 30-4-2009, Plenário, DJE de 6-11-2009.) No mesmo sentido:
ADI 4.451-MC-REF, rel. min. Ayres Britto, julgamento em 2-9-2010, Plenário, DJE de 24-8-2012.
 
\u201cO Estado de Direito viabiliza a preservação das práticas democráticas e, especialmente, o direito de defesa. Direito a,
salvo circunstâncias excepcionais, não sermos presos senão após a efetiva comprovação da prática de um crime. Por isso
usufruímos a tranquilidade que advém da segurança de sabermos que, se um irmão, amigo ou parente próximo vier a ser
acusado de ter cometido algo ilícito, não será arrebatado de nós e submetido a ferros sem antes se valer de todos os
meios de defesa em qualquer circunstância à disposição de todos. (...) O que caracteriza a sociedade moderna, permitindo
o aparecimento do Estado moderno, é, por um lado, a divisão do trabalho; por outro, a monopolização da tributação e da
violência física. Em nenhuma sociedade na qual a desordem tenha sido superada, admite-se que todos cumpram as
mesmas funções. O combate à criminalidade é missão típica e privativa da administração (não do Judiciário), através da
polícia, como se lê nos incisos do art. 144 da Constituição, e do Ministério Público, a quem compete, privativamente,
promover a ação penal pública (art. 129, I).\u201d (HC 95.009, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 6-11-2008, Plenário, DJE
de 19-12-2008.)