Constituiçao comentada - STF
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Constituiçao comentada - STF


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formal, como tem sido proclamado, pelo TSE, nas sucessivas decisões que refletem, com absoluta fidelidade e
correção, a orientação consagrada na Súmula 13/TSE. Não cabe, pois, ao Poder Judiciário, na matéria em questão, atuar
na anômala condição de legislador positivo (RTJ 126/48 \u2013 RTJ 143/57 - RTJ 146/461-462 - RTJ 153/765 - RTJ 161/739-
740 \u2013 RTJ 175/1137, v.g.), para, em assim agindo, proceder à imposição de seus próprios critérios de inelegibilidade,
afastando, desse modo, os fatores que, no âmbito de nosso sistema constitucional, só podem ser legitimamente definidos
pelo Parlamento. É que, se tal fosse possível, o Poder Judiciário \u2013 que não dispõe de função legislativa \u2013 passaria a
desempenhar atribuição que lhe é institucionalmente estranha (a de legislador positivo), usurpando, desse modo, no
contexto de um sistema de poderes essencialmente limitados, competência que não lhe pertence, com evidente
transgressão ao princípio constitucional da separação de poderes." (ADPF 144, voto do Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 6-8-2008, Plenário, DJE de 26-2-2010.)
 
\u201cAção direta de inconstitucionalidade. Art. 36 e seus § 1º, § 2º e § 3º da Lei 9.985, de 18-7-2000. Constitucionalidade da
compensação devida pela implantação de empreendimentos de significativo impacto ambiental. Inconstitucionalidade parcial
do § 1º do art. 36. O compartilhamento-compensação ambiental de que trata o art. 36 da Lei 9.985/2000 não ofende o
princípio da legalidade, dado haver sido a própria lei que previu o modo de financiamento dos gastos com as unidades de
conservação da natureza. De igual forma, não há violação ao princípio da separação dos Poderes, por não se tratar de
delegação do Poder Legislativo para o Executivo impor deveres aos administrados.\u201d (ADI 3.378, Rel. Min. Ayres Britto,
julgamento em 14-6-2008, Plenário, DJE de 20-6-2008.)
 
"Art. 78, § 3º, da Constituição do Estado do Paraná. Possibilidade de reexame, pelo Tribunal de Contas estadual, das
decisões fazendárias de última instância contrárias ao erário. Violação do disposto no art. 2º e no art. 70 da CB. A
Constituição do Brasil \u2013 art. 70 \u2013 estabelece que compete ao Tribunal de Contas auxiliar o Legislativo na função de
fiscalização a ele designada. Precedentes. Não cabe ao Poder Legislativo apreciar recursos interpostos contra decisões
tomadas em processos administrativos nos quais se discuta questão tributária. Ação direta julgada procedente para declarar
a inconstitucionalidade do § 3º do art. 78 da Constituição do Estado do Paraná." (ADI 523, Rel. Min. Eros Grau,
julgamento em 3-4-2008, Plenário, DJE de 17-10-2008.)
 
\u201cEsta Corte em oportunidades anteriores definiu que a aprovação, pelo Legislativo, da indicação dos presidentes das
entidades da administração pública indireta restringe-se às autarquias e fundações públicas, dela excluídas as sociedades
de economia mista e as empresas públicas. Precedentes. (...). A intromissão do Poder Legislativo no processo de
provimento das diretorias das empresas estatais colide com o princípio da harmonia e interdependência entre os Poderes. A
escolha dos dirigentes dessas empresas é matéria inserida no âmbito do regime estrutural de cada uma delas.\u201d (ADI
1.642, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 3-4-2008, Plenário, DJE de 19-9-2008.)
 
\u201cCumpre ao Poder Judiciário a administração e os rendimentos referentes à conta única de depósitos judiciais e
extrajudiciais. Atribuir ao Poder Executivo essas funções viola o disposto no art. 2º da CB, que afirma a interdependência \u2013
independência e harmonia \u2013 entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.\u201d (ADI 3.458, Rel. Min. Eros Grau,
julgamento em 21-2-2008, Plenário, DJE de 16-5-2008.) Vide: ADI 1.933, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 14-4-
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp[19/12/2012 16:05:36]
2010, Plenário, DJE de 3-9-2010; ADI 2.214-MC, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 6-2-2002, Plenário, DJ
de 19-4-2002.
 
\u201cDireito de greve dos servidores públicos civis. Hipótese de omissão legislativa inconstitucional. Mora judicial, por diversas
vezes, declarada pelo Plenário do STF. Riscos de consolidação de típica omissão judicial quanto à matéria. A experiência
do direito comparado. Legitimidade de adoção de alternativas normativas e institucionais de superação da situação de
omissão. (...) Apesar das modificações implementadas pela EC 19/1998 quanto à modificação da reserva legal de lei
complementar para a de lei ordinária específica (CF, art. 37, VII), observa-se que o direito de greve dos servidores públicos
civis continua sem receber tratamento legislativo minimamente satisfatório para garantir o exercício dessa prerrogativa em
consonância com imperativos constitucionais. Tendo em vista as imperiosas balizas jurídico-políticas que demandam a
concretização do direito de greve a todos os trabalhadores, o STF não pode se abster de reconhecer que, assim como o
controle judicial deve incidir sobre a atividade do legislador, é possível que a Corte Constitucional atue também nos casos
de inatividade ou omissão do Legislativo. A mora legislativa em questão já foi, por diversas vezes, declarada na ordem
constitucional brasileira. Por esse motivo, a permanência dessa situação de ausência de regulamentação do direito de
greve dos servidores públicos civis passa a invocar, para si, os riscos de consolidação de uma típica omissão judicial. Na
experiência do direito comparado (em especial, na Alemanha e na Itália), admite-se que o Poder Judiciário adote medidas
normativas como alternativa legítima de superação de omissões inconstitucionais, sem que a proteção judicial efetiva a
direitos fundamentais se configure como ofensa ao modelo de separação de poderes (CF, art. 2º).\u201d (MI 708, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgamento em 25-10-2007, Plenário, DJE de 31-10-2008.) No mesmo sentido: MI 3.322, Rel. Min.
Celso de Mello, decisão monocrática, julgamento em 1º-6-2011, DJE de 6-6-2011; MI 1.967, Rel. Min. Celso de
Mello, decisão monocrática, julgamento em 24-5-2011, DJE de 27-5-2011. Vide: MS 22.690, Rel. Min. Celso de
Mello, julgamento em 17-4-1997, Plenário, DJ de 7-12-2006.
 
"(...) a exigência constante do art. 112, § 2º, da Constituição fluminense consagra mera restrição material à atividade do
legislador estadual, que com ela se vê impedido de conceder gratuidade sem proceder à necessária indicação da fonte de
custeio. É assente a jurisprudência da Corte no sentido de que as regras do processo legislativo federal que devem
reproduzidas no âmbito estadual são apenas as de cunho substantivo, coisa que se não reconhece ao dispositivo atacado.
É que este não se destina a promover alterações no perfil do processo legislativo, considerado em si mesmo; volta-se,
antes, a estabelecer restrições quanto a um produto específico do processo e que são eventuais leis sobre gratuidades. É,
por isso, equivocado ver qualquer relação de contrariedade entre as limitações constitucionais vinculadas ao princípio
federativo e a norma sob análise, que delas não desbordou. (...) Não se descobre, ademais, nenhuma infração ao princípio
da separação dos Poderes e, segundo a autora, oriunda de suposta invasão da competência exclusiva do chefe do Poder
Executivo para dispor sobre \u2018serviços públicos\u2019. A alegação de afronta ao disposto no art. 61, § 1º, II, b, não pede maiores
considerações, porque se cuida de preceito dirigido exclusivamente aos Territórios. Doutro lado, não quadra falar em
desprestígio à prerrogativa do Poder Executivo de celebrar contratos administrativos, assim porque a norma lhe não veda
tal poder, como seu exercício é submisso integralmente ao princípio da legalidade. Como bem observou a AGU, \u2018a
administração celebra seus contratos na forma da lei\u2019. Donde não há excogitar usurpação de competência reservada do
chefe do Poder Executivo. Ademais, e esta é observação