Constituiçao comentada - STF
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Constituiçao comentada - STF


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proporcional, assim, deixar a atuação estatal a critério da
vítima. A proteção à mulher esvaziar-se-ia, portanto, no que admitido que, verificada a agressão com lesão corporal leve,
pudesse ela, depois de acionada a autoridade policial, recuar e retratar-se em audiência especificamente designada com
essa finalidade, fazendo-o antes de recebida a denúncia. (...) Entendeu-se não ser aplicável aos crimes glosados pela lei
discutida o que disposto na Lei 9.099/1995, de maneira que, em se tratando de lesões corporais, mesmo que de natureza
leve ou culposa, praticadas contra a mulher em âmbito doméstico, a ação penal cabível seria pública incondicionada.
Acentuou-se, entretanto, permanecer a necessidade de representação para crimes dispostos em leis diversas da
9.099/1995, como o de ameaça e os cometidos contra a dignidade sexual." (ADI 4.424, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgamento em 9-2-2012, Plenário, Informativo 654.)
 
"O Plenário julgou procedente ação declaratória, ajuizada pelo presidente da República, para assentar a constitucionalidade
dos arts. 1º, 33 e 41 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). (...) No mérito, rememorou-se posicionamento da Corte que,
ao julgar o HC 106.212/MS (DJE de 13-6-2011), declarara a constitucionalidade do art. 41 da Lei Maria da Penha (...).
Reiterou-se a ideia de que a aludida lei viera à balha para conferir efetividade ao art. 226, § 8º, da CF. Consignou-se que o
dispositivo legal em comento coadunar-se-ia com o princípio da igualdade e atenderia à ordem jurídico-constitucional, no
que concerne ao necessário combate ao desprezo às famílias, considerada a mulher como sua célula básica. Aplicou-se o
mesmo raciocínio ao afirmar-se a constitucionalidade do art. 1º da aludida lei (...). Asseverou-se que, ao criar mecanismos
específicos para coibir e prevenir a violência doméstica contra a mulher e estabelecer medidas especiais de proteção,
assistência e punição, tomando como base o gênero da vítima, o legislador teria utilizado meio adequado e necessário para
fomentar o fim traçado pelo referido preceito constitucional. Aduziu-se não ser desproporcional ou ilegítimo o uso do sexo
como critério de diferenciação, visto que a mulher seria eminentemente vulnerável no tocante a constrangimentos físicos,
morais e psicológicos sofridos em âmbito privado. Frisou-se que, na seara internacional, a Lei Maria da Penha seria
harmônica com o que disposto no art. 7º, item c, da Convenção de Belém do Pará (...) e com outros tratados ratificados
pelo país. Sob o enfoque constitucional, consignou-se que a norma seria corolário da incidência do princípio da proibição
de proteção insuficiente dos direitos fundamentais. Sublinhou-se que a lei em comento representaria movimento legislativo
claro no sentido de assegurar às mulheres agredidas o acesso efetivo à reparação, à proteção e à justiça. Discorreu-se
que, com o objetivo de proteger direitos fundamentais, à luz do princípio da igualdade, o legislador editara microssistemas
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próprios, a fim de conferir tratamento distinto e proteção especial a outros sujeitos de direito em situação de
hipossuficiência, como o Estatuto do Idoso e o da Criança e do Adolescente (ECA)." (ADC 19, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgamento em 9-2-2012, Plenário, Informativo 654.)
 
\u201cO inciso I do art. 100 do CPC, com redação dada pela Lei 6.515/1977, foi recepcionado pela CF de 1988. O foro especial
para a mulher nas ações de separação judicial e de conversão da separação judicial em divórcio não ofende o princípio da
isonomia entre homens e mulheres ou da igualdade entre os cônjuges.\u201d (RE 227.114, Rel. Min. Joaquim Barbosa,
julgamento em 14-12-2011, Segunda Turma, DJE de 22-11-2012.)
 
"Complementação de aposentadoria \u2013 Entidade de previdência privada \u2013 Cláusula contratual \u2013 Critérios diferenciados para
os sexos masculino e feminino \u2013 Alegada violação ao princípio constitucional da isonomia \u2013 Decisão embargada proferida
em momento no qual o STF ainda não reconhecera a transcendência da controvérsia constitucional \u2013 Repercussão geral da
matéria que o Plenário do STF, em momento subsequente, veio a proclamar na apreciação do RE 639.138-RG/RS \u2013
Embargos de declaração acolhidos.\u201d (AI 776.708-AgR-ED, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 18-10-2011,
Segunda Turma, DJE de 7-11-2011.)
 
\u201cAção ordinária de reparação de danos. Empresa pública federal. Competência. Art. 109, I, da CF. Competência da Justiça
Federal para processar e julgar ação de reparação de danos proposta por mutuário contra a Caixa Econômica Federal.\u201d
(RE 555.395-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 10-2-2009, Segunda Turma, DJE de 13-3-2009.)
 
\u201cA adoção de critérios diferenciados para o licenciamento dos militares temporários, em razão do sexo, não viola o princípio
da isonomia.\u201d (RE 489.064-ED, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 8-9-2009, Segunda Turma, DJE de 25-9-2009.)
Vide: AI 511.131-AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 22-3-2005, Plenário, DJ de 15-4-2005.
 
"A jurisprudência deste Supremo Tribunal firmou entendimento no sentido de que não afronta o princípio da isonomia a
adoção de critérios distintos para a promoção de integrantes do corpo feminino e masculino da Aeronáutica." (RE
498.900-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 23-10-2007, Primeira Turma, DJ de 7-12-2007.) No mesmo
sentido: RE 584.172-AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 28-9-2010, Segunda Turma, DJE de 26-11-2010;
RE 549.369-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 3-2-2009, Segunda Turma, DJE de 13-3-2009.
 
"Pensão: extensão ao viúvo. Princípio da igualdade. Necessidade de lei específica. CF, art. 5º, I; art. 195 e seu § 5º; e art.
201, V. A extensão automática da pensão ao viúvo, em obséquio ao princípio da igualdade, em decorrência do falecimento
da esposa-segurada, assim considerado aquele como dependente desta, exige lei específica, tendo em vista as disposições
constitucionais inscritas no art. 195, caput, e seu § 5º, e art. 201, V, da CF." (RE 204.193, Rel. Min. Carlos Velloso,
julgamento em 30-5-2001, Plenário, DJ de 31-10-2002.)
 
\u201cLei 11.562/2000 do Estado de Santa Catarina. Mercado de trabalho. Discriminação contra a mulher. Competência da União
para legislar sobre direito do trabalho. (...) A Lei 11.562/2000, não obstante o louvável conteúdo material de combate à
discriminação contra a mulher no mercado de trabalho, incide em inconstitucionalidade formal, por invadir a competência da
União para legislar sobre direito do trabalho.\u201d (ADI 2.487, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 30-8-2007,
Plenário, DJE de 28-3-2008.) No mesmo sentido: ADI 3.166, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 27-5-2010,
Plenário, DJE de 10-9-2010.
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"Pensão por morte de servidora pública estadual, ocorrida antes da EC 20/1998: cônjuge varão: exigência de requisito de
invalidez que afronta o princípio da isonomia. (...) No texto anterior à EC 20/1998, a Constituição se preocupou apenas em
definir a correspondência entre o valor da pensão e a totalidade dos vencimentos ou proventos do servidor falecido, sem
qualquer referência a outras questões, como, por exemplo os possíveis beneficiários da pensão por morte (Precedente: MS
21.540, Gallotti, RTJ 159/787). No entanto, a lei estadual mineira, violando o princípio da igualdade do art. 5º, I, da
Constituição, exige do marido, para que perceba a pensão por morte da mulher, um requisito \u2013 o da invalidez \u2013 que, não
se presume em relação à viúva, e que não foi objeto do acórdão do RE 204.193, 30-5-2001, Carlos Velloso, DJ de 31-
10-2002. Nesse precedente, ficou evidenciado