Constituiçao comentada - STF
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Constituiçao comentada - STF


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do
Poder Legislativo. A necessidade de ampla fiscalização parlamentar das atividades do Executivo \u2013 a partir do controle
exercido sobre o próprio chefe desse Poder do Estado \u2013 traduz exigência plenamente compatível com o postulado do
Estado Democrático de Direito (CF, art. 1º, caput) e com as consequências político-jurídicas que derivam da consagração
constitucional do princípio republicano e da separação de poderes. A autorização parlamentar a que se refere o texto da
CR (prevista em norma que remonta ao período imperial) \u2013 necessária para legitimar, em determinada situação, a ausência
do chefe do Poder Executivo (ou de seu vice) do território nacional \u2013 configura um desses instrumentos constitucionais de
controle do Legislativo sobre atos e comportamentos dos nossos governantes. Plausibilidade jurídica da pretensão de
inconstitucionalidade que sustenta não se revelar possível, ao Estado-membro, ainda que no âmbito de sua própria
Constituição, estabelecer exigência de autorização ao chefe do Poder Executivo local, para afastar-se, \u2018por qualquer tempo\u2019,
do território do País. Referência temporal que não encontra parâmetro na CR." (ADI 775-MC, Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 23-10-1992, Plenário, DJ de 1º-12-2006.)
 
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp[19/12/2012 16:05:36]
"Inexistente atribuição de competência exclusiva à União, não ofende a CB norma constitucional estadual que dispõe sobre
aplicação, interpretação e integração de textos normativos estaduais, em conformidade com a Lei de Introdução ao Código
Civil. Não há falar-se em quebra do pacto federativo e do princípio da interdependência e harmonia entre os Poderes em
razão da aplicação de princípios jurídicos ditos 'federais' na interpretação de textos normativos estaduais. Princípios são
normas jurídicas de um determinado direito, no caso, do direito brasileiro. Não há princípios jurídicos aplicáveis no território
de um, mas não de outro ente federativo, sendo descabida a classificação dos princípios em 'federais' e 'estaduais'." (ADI
246, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 16-12-2004, Plenário, DJ de 29-4-2005.)
 
"O pacto federativo, sustentando-se na harmonia que deve presidir as relações institucionais entre as comunidades políticas
que compõem o Estado Federal, legitima as restrições de ordem constitucional que afetam o exercício, pelos Estados-
membros e Distrito Federal, de sua competência normativa em tema de exoneração tributária pertinente ao ICMS." (ADI
1.247-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 17-8-1995, Plenário, DJ de 8-9-1995.)
 
"Se é certo que a nova Carta Política contempla um elenco menos abrangente de princípios constitucionais sensíveis, a
denotar, com isso, a expansão de poderes jurídicos na esfera das coletividades autônomas locais, o mesmo não se pode
afirmar quanto aos princípios federais extensíveis e aos princípios constitucionais estabelecidos, os quais, embora
disseminados pelo texto constitucional, posto que não é tópica a sua localização, configuram acervo expressivo de
limitações dessa autonomia local, cuja identificação \u2013 até mesmo pelos efeitos restritivos que deles decorrem \u2013 impõe-se
realizar. A questão da necessária observância, ou não, pelos Estados-membros, das normas e princípios inerentes ao
processo legislativo, provoca a discussão sobre o alcance do poder jurídico da União Federal de impor, ou não, às demais
pessoas estatais que integram a estrutura da Federação, o respeito incondicional a padrões heterônomos por ela própria
instituídos como fatores de compulsória aplicação. (...) Da resolução dessa questão central, emergirá a definição do modelo
de Federação a ser efetivamente observado nas práticas institucionais." (ADI 216-MC, Rel. p/ o ac. Min. Celso de
Mello, julgamento em 23-5-1990, Plenário, DJ de 7-5-1993.)
 
I - a soberania;
 
\u201cNegativa, pelo presidente da República, de entrega do extraditando ao país requerente. (...) O Tratado de Extradição entre
a República Federativa do Brasil e a República italiana, no seu art. III, 1, f, permite a não entrega do cidadão da parte
requerente quando \u2018a parte requerida tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos
de perseguição\u2019. (...) Deveras, antes de deliberar sobre a existência de poderes discricionários do presidente da República
em matéria de extradição, ou mesmo se essa autoridade se manteve nos lindes da decisão proferida pelo Colegiado
anteriormente, é necessário definir se o ato do chefe de Estado é sindicável pelo Judiciário, em abstrato. O art. 1º da
Constituição assenta como um dos fundamentos do Estado brasileiro a sua soberania \u2013 que significa o poder político
supremo dentro do território, e, no plano internacional, no tocante às relações da República Federativa do Brasil com outros
Estados soberanos, nos termos do art. 4º, I, da Carta Magna. A soberania nacional no plano transnacional funda-se no
princípio da independência nacional, efetivada pelo presidente da República, consoante suas atribuições previstas no art.
84, VII e VIII, da Lei Maior. A soberania, dicotomizada em interna e externa, tem na primeira a exteriorização da vontade
popular (art. 14 da CRFB) através dos representantes do povo no parlamento e no governo; na segunda, a sua expressão
no plano internacional, por meio do presidente da República. No campo da soberania, relativamente à extradição, é assente
que o ato de entrega do extraditando é exclusivo, da competência indeclinável do presidente da República, conforme
consagrado na Constituição, nas leis, nos tratados e na própria decisão do Egrégio STF na Ext 1.085. O descumprimento
do Tratado, em tese, gera uma lide entre Estados soberanos, cuja resolução não compete ao STF, que não exerce
soberania internacional, máxime para impor a vontade da República italiana ao chefe de Estado brasileiro, cogitando-se de
mediação da Corte Internacional de Haia, nos termos do art. 92 da Carta das Nações Unidas de 1945.\u201d (Rcl 11.243, Rel.
p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgamento em 8-6-2011, Plenário, DJE de 5-10-2011.)
 
"As \u2018terras indígenas\u2019 versadas pela CF de 1988 fazem parte de um território estatal-brasileiro sobre o qual incide, com
exclusividade, o Direito nacional. E como tudo o mais que faz parte do domínio de qualquer das pessoas federadas
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp[19/12/2012 16:05:36]
brasileiras, são terras que se submetem unicamente ao primeiro dos princípios regentes das relações internacionais da
República Federativa do Brasil: a soberania ou \u2018independência nacional\u2019 (inciso I do art. 1º da CF). (...) Há compatibilidade
entre o usufruto de terras indígenas e faixa de fronteira. Longe de se pôr como um ponto de fragilidade estrutural das faixas
de fronteira, a permanente alocação indígena nesses estratégicos espaços em muito facilita e até obriga que as instituições
de Estado (Forças Armadas e Polícia Federal, principalmente) se façam também presentes com seus postos de vigilância,
equipamentos, batalhões, companhias e agentes. Sem precisar de licença de quem quer que seja para fazê-lo.
Mecanismos, esses, a serem aproveitados como oportunidade ímpar para conscientizar ainda mais os nossos indígenas,
instruí-los (a partir dos conscritos), alertá-los contra a influência eventualmente malsã de certas organizações não
governamentais estrangeiras, mobilizá-los em defesa da soberania nacional e reforçar neles o inato sentimento de
brasilidade. Missão favorecida pelo fato de serem os nossos índios as primeiras pessoas a revelar devoção pelo nosso País
(eles, os índios, que em toda nossa história contribuíram decisivamente para a defesa e integridade do território nacional) e
até hoje dar mostras de conhecerem o seu interior