Constituiçao comentada - STF
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e as suas bordas mais que ninguém." (Pet 3.388, Rel. Min. Ayres
Britto, julgamento em 19-3-2009, Plenário, DJE de 1º-7-2010.)
 
\u201cA imprescindibilidade do uso do idioma nacional nos atos processuais, além de corresponder a uma exigência que decorre
de razões vinculadas à própria soberania nacional, constitui projeção concretizadora da norma inscrita no art. 13, caput, da
Carta Federal, que proclama ser a língua portuguesa \u2018o idioma oficial da República Federativa do Brasil\u2019.\u201d (HC 72.391-
QO, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 8-3-1995, Plenário, DJE de 17-3-1995.)
 
II - a cidadania
 
\u201cA segurança do procedimento de identificação dos eleitores brasileiros no ato de votação ainda apresenta deficiências que
não foram definitivamente solucionadas. A postergação do implemento de projetos como a unificação das identidades civil e
eleitoral num só documento propiciou, até os dias atuais, a ocorrência de inúmeras fraudes ligadas ao exercício do voto. A
apresentação do atual título de eleitor, por si só, já não oferece qualquer garantia de lisura nesse momento crucial de
revelação da vontade do eleitorado. Por outro lado, as experiências das últimas eleições realizadas no Brasil demonstraram
uma maior confiabilidade na identificação aferida com base em documentos oficiais de identidade dotados de fotografia, a
saber: as carteiras de identidade, de trabalho e de motorista, o certificado de reservista e o passaporte. A norma
contestada, surgida com a edição da Lei 12.034/2009, teve o propósito de alcançar maior segurança no processo de
reconhecimento dos eleitores. Por isso, estabeleceu, já para as eleições gerais de 2010, a obrigatoriedade da
apresentação, no momento da votação, de documento oficial de identificação com foto. Reconhecimento, em exame
prefacial, de plausibilidade jurídica da alegação de ofensa ao princípio constitucional da razoabilidade na interpretação dos
dispositivos impugnados que impeça de votar o eleitor que, embora apto a prestar identificação mediante a apresentação
de documento oficial com fotografia, não esteja portando seu título eleitoral. Medida cautelar deferida para dar às normas
ora impugnadas interpretação conforme à CF, no sentido de que apenas a ausência de documento oficial de identidade
com fotografia impede o exercício do direito de voto.\u201d (ADI 4.467-MC, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 30-9-
2010, Plenário, DJE de 1º-6-2011.)
 
\u201cA Lei 8.899/1994 é parte das políticas públicas para inserir os portadores de necessidades especiais na sociedade e
objetiva a igualdade de oportunidades e a humanização das relações sociais, em cumprimento aos fundamentos da
República de cidadania e dignidade da pessoa humana, o que se concretiza pela definição de meios para que eles sejam
alcançados.\u201d (ADI 2.649, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 8-5-2008, Plenário, DJE de 17-10-2008.)
 
"Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal, ou a ela se submeter, ainda que emanada de autoridade judicial. Mais: é
dever de cidadania opor-se à ordem ilegal; caso contrário, nega-se o Estado de Direito." (HC 73.454, Rel. Min. Maurício
Corrêa, julgamento em 22-4-1996, Segunda Turma, DJ de 7-6-1996.)
 
III - a dignidade da pessoa humana;
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp[19/12/2012 16:05:36]
 
\u201cÉ direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito
de defesa.\u201d (Súmula Vinculante 14)
 
\u201cSó é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria
ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem
prejuízo da responsabilidade civil do Estado.\u201d (Súmula Vinculante 11)
 
Nota: O Plenário do STF, no julgamento da ADI 3.510, declarou a constitucionalidade do art. 5º da Lei de Biossegurança
(Lei 11.105/2005), por entender que as pesquisas com células-tronco embrionárias não violam o direito à vida ou o
princípio da dignidade da pessoa humana.
 
"A pesquisa científica com células-tronco embrionárias, autorizada pela Lei 11.105/2005, objetiva o enfrentamento e cura de
patologias e traumatismos que severamente limitam, atormentam, infelicitam, desesperam e não raras vezes degradam a
vida de expressivo contingente populacional (ilustrativamente, atrofias espinhais progressivas, distrofias musculares, a
esclerose múltipla e a lateral amiotrófica, as neuropatias e as doenças do neurônio motor). A escolha feita pela Lei de
Biossegurança não significou um desprezo ou desapreço pelo embrião in vitro, porém uma mais firme disposição para
encurtar caminhos que possam levar à superação do infortúnio alheio. Isto no âmbito de um ordenamento constitucional
que desde o seu preâmbulo qualifica \u2018a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça\u2019
como valores supremos de uma sociedade mais que tudo \u2018fraterna\u2019. O que já significa incorporar o advento do
constitucionalismo fraternal às relações humanas, a traduzir verdadeira comunhão de vida ou vida social em clima de
transbordante solidariedade em benefício da saúde e contra eventuais tramas do acaso e até dos golpes da própria
natureza. Contexto de solidária, compassiva ou fraternal legalidade que, longe de traduzir desprezo ou desrespeito aos
congelados embriões in vitro, significa apreço e reverência a criaturas humanas que sofrem e se desesperam. Inexistência
de ofensas ao direito à vida e da dignidade da pessoa humana, pois a pesquisa com células-tronco embrionárias (inviáveis
biologicamente ou para os fins a que se destinam) significa a celebração solidária da vida e alento aos que se acham à
margem do exercício concreto e inalienável dos direitos à felicidade e do viver com dignidade (Min. Celso de Mello). (...)
A Lei de Biossegurança caracteriza-se como regração legal a salvo da mácula do açodamento, da insuficiência protetiva ou
do vício da arbitrariedade em matéria tão religiosa, filosófica e eticamente sensível como a da biotecnologia na área da
medicina e da genética humana. Trata-se de um conjunto normativo que parte do pressuposto da intrínseca dignidade de
toda forma de vida humana, ou que tenha potencialidade para tanto. A Lei de Biossegurança não conceitua as categorias
mentais ou entidades biomédicas a que se refere, mas nem por isso impede a facilitada exegese dos seus textos, pois é de
se presumir que recepcionou tais categorias e as que lhe são correlatas com o significado que elas portam no âmbito das
ciências médicas e biológicas." (ADI 3.510, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 29-5-2008, Plenário, DJE de 28-5-
2010.)
 
NOVO: \u201cA \u2018escravidão moderna\u2019 é mais sutil do que a do século XIX e o cerceamento a liberdade pode decorrer de
diversos constrangimentos econômicos e não necessariamente físicos. Priva-se alguém de sua liberdade e de sua
dignidade tratando-o como coisa, e não como pessoa humana, o que pode ser feito não só mediante coação, mas também
pela violação intensa e persistente de seus direitos básicos, inclusive do direito ao trabalho digno. A violação do direito ao
trabalho digno impacta a capacidade da vítima de realizar escolhas segundo a sua livre determinação. Isso também significa
\u2018reduzir alguém a condição análoga à de escravo\u2019.\u201d (Inq 3.412, rel. p/ o ac. min. Rosa Weber, julgamento em 29-3-
2012, Plenário, DJE de 12-11-2012.)
 
\u201cO enunciado da Súmula Vinculante 11 da Suprema Corte não é aplicável, face ao uso de algemas durante a sessão,
máxime quando o julgamento pelo Tribunal do Júri se deu em data anterior à sua publicação.\u201d