Constituiçao comentada - STF
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um dos fundamentos em que se assenta, entre nós, a ordem republicana e democrática
consagrada pelo sistema de direito constitucional positivo. (...) O princípio constitucional da busca da felicidade, que
decorre, por implicitude, do núcleo de que se irradia o postulado da dignidade da pessoa humana, assume papel de
extremo relevo no processo de afirmação, gozo e expansão dos direitos fundamentais, qualificando-se, em função de sua
própria teleologia, como fator de neutralização de práticas ou de omissões lesivas cuja ocorrência possa comprometer,
afetar ou, até mesmo, esterilizar direitos e franquias individuais. Assiste, por isso mesmo, a todos, sem qualquer exclusão,
o direito à busca da felicidade, verdadeiro postulado constitucional implícito, que se qualifica como expressão de uma ideia-
força que deriva do princípio da essencial dignidade da pessoa humana.\u201d (RE 477.554-AgR, Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 16-8-2011, Segunda Turma, DJE de 26-8-2011.) No mesmo sentido: ADI 4.277 e ADPF 132, Rel.
Min. Ayres Britto, julgamento em 5-5-2011, Plenário, DJE de 14-10-2011.
 
"(...) a dignidade da pessoa humana precede a Constituição de 1988 e esta não poderia ter sido contrariada, em seu art. 1º,
III, anteriormente a sua vigência. A arguente desqualifica fatos históricos que antecederam a aprovação, pelo Congresso
Nacional, da Lei 6.683/1979. (...) A inicial ignora o momento talvez mais importante da luta pela redemocratização do país,
o da batalha da anistia, autêntica batalha. Toda a gente que conhece nossa História sabe que esse acordo político existiu,
resultando no texto da Lei 6.683/1979. (...) Tem razão a arguente ao afirmar que a dignidade não tem preço. As coisas têm
preço, as pessoas têm dignidade. A dignidade não tem preço, vale para todos quantos participam do humano. Estamos,
todavia, em perigo quando alguém se arroga o direito de tomar o que pertence à dignidade da pessoa humana como um
seu valor (valor de quem se arrogue a tanto). É que, então, o valor do humano assume forma na substância e medida de
quem o afirme e o pretende impor na qualidade e quantidade em que o mensure. Então o valor da dignidade da pessoa
humana já não será mais valor do humano, de todos quantos pertencem à humanidade, porém de quem o proclame
conforme o seu critério particular. Estamos então em perigo, submissos à tirania dos valores. (...) Sem de qualquer modo
negar o que diz a arguente ao proclamar que a dignidade não tem preço (o que subscrevo), tenho que a indignidade que o
cometimento de qualquer crime expressa não pode ser retribuída com a proclamação de que o instituto da anistia viola a
dignidade humana. (...) O argumento descolado da dignidade da pessoa humana para afirmar a invalidade da conexão
criminal que aproveitaria aos agentes políticos que praticaram crimes comuns contra opositores políticos, presos ou não,
durante o regime militar, esse argumento não prospera." (ADPF 153, voto do Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 29-4-
2010, Plenário, DJE de 6-8-2010.)
 
\u201cTráfico de entorpecentes. (...) Prisão em flagrante. Óbice ao apelo em liberdade. Inconstitucionalidade: necessidade de
adequação do preceito veiculado pelo art. 44 da Lei 11.343/2006 e do art. 5º, XLII, aos arts. 1º, III, e 5º, LIV e LVII, da
CB. (...) Apelação em liberdade negada sob o fundamento de que o art. 44 da Lei 11.343/2006 veda a liberdade provisória
ao preso em flagrante por tráfico de entorpecentes. Entendimento respaldado na inafiançabilidade desse crime, estabelecida
no art. 5º, XLIII, da CB. Afronta escancarada aos princípios da presunção de inocência, do devido processo legal e da
dignidade da pessoa humana. Inexistência de antinomias na Constituição. Necessidade de adequação, a esses princípios,
da norma infraconstitucional e da veiculada no art. 5º, XLIII, da CF. A regra estabelecida na Constituição, bem assim na
legislação infraconstitucional, é a liberdade. A prisão faz exceção a essa regra, de modo que, a admitir-se que o art. 5º, 
XLIII, estabelece, além das restrições nele contidas, vedação à liberdade provisória, o conflito entre normas estaria
instalado. A inafiançabilidade não pode e não deve \u2013 considerados os princípios da presunção de inocência, da dignidade
da pessoa humana, da ampla defesa e do devido processo legal \u2013 constituir causa impeditiva da liberdade provisória. Não
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp[19/12/2012 16:05:36]
se nega a acentuada nocividade da conduta do traficante de entorpecentes. Nocividade aferível pelos malefícios
provocados no que concerne à saúde pública, exposta a sociedade a danos concretos e a riscos iminentes. Não obstante,
a regra consagrada no ordenamento jurídico brasileiro é a liberdade; a prisão, a exceção. A regra cede a ela em situações
marcadas pela demonstração cabal da necessidade da segregação ante tempus. Impõe-se, porém, ao juiz, nesse caso o
dever de explicitar as razões pelas quais alguém deva ser preso cautelarmente, assim permanecendo.\u201d (HC 101.505, Rel.
Min. Eros Grau, julgamento em 15-12-2009, Segunda Turma, DJE de 12-2-2010.) No mesmo sentido: HC 104.339,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 10-5-2012, Plenário, Informativo 665; HC 100.185, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgamento em 8-6-2010, Segunda Turma, DJE de 6-8-2010; HC 100.742, Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 3-11-2009, Segunda Turma, DJE de 1º-9-2011; HC 101.055, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 3-
11-2009, Segunda Turma, DJE de 18-12-2009. Em sentido contrário: HC 93.229, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgamento em 1º-4-2008, Primeira Turma, DJE de 25-4-2008. Vide: HC 99.717, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgamento em 9-11-2010, Primeira Turma, DJE de 25-11-2010.
 
"Inconstitucionalidade da chamada \u2018execução antecipada da pena\u2019. Art. 5º, LVII, da CF. Dignidade da pessoa humana. Art.
1º, III, da CF. O art. 637 do CPP estabelece que \u2018(o) recurso extraordinário não tem efeito suspensivo, e uma vez
arrazoados pelo recorrido os autos do traslado, os originais baixarão à primeira instância para a execução da sentença\u2019. A
LEP condicionou a execução da pena privativa de liberdade ao trânsito em julgado da sentença condenatória. A CB de
1988 definiu, em seu art. 5º, LVII, que \u2018ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória\u2019. Daí que os preceitos veiculados pela Lei 7.210/1984, além de adequados à ordem constitucional vigente,
sobrepõem-se, temporal e materialmente, ao disposto no art. 637 do CPP. A prisão antes do trânsito em julgado da
condenação somente pode ser decretada a título cautelar. (...) A Corte que vigorosamente prestigia o disposto no preceito
constitucional em nome da garantia da propriedade não a deve negar quando se trate da garantia da liberdade, mesmo
porque a propriedade tem mais a ver com as elites; a ameaça às liberdades alcança de modo efetivo as classes
subalternas. Nas democracias mesmo os criminosos são sujeitos de direitos. Não perdem essa qualidade, para se
transformarem em objetos processuais. São pessoas, inseridas entre aquelas beneficiadas pela afirmação constitucional da
sua dignidade (art. 1º, III, da CB). É inadmissível a sua exclusão social, sem que sejam consideradas, em quaisquer
circunstâncias, as singularidades de cada infração penal, o que somente se pode apurar plenamente quando transitada em
julgado a condenação de cada qual. Ordem concedida.\u201d (HC 94.408, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 10-2-
2009, Segunda Turma, DJE de 27-3-2009.)
 
"Prisão preventiva. (...) Autos instruídos com documentos comprobatórios do debilitado estado de saúde do paciente, que
provavelmente definhará na prisão sem a assistência médica de que necessita, o estabelecimento prisional reconhecendo
não ter condições de prestá-la. O art. 117 da LEP determina, nas hipóteses mencionadas em seus incisos, o recolhimento
do apenado, que