CCJ0006-WL-PA-27-Direito Civil I-Novo-34070
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26, II)  
Quando se fala em decadência, muitos doutrinadores observam que o disposto no caput do ar\u19fgo 26 do CDC não é claro no que tange à expressão "direito de reclamar", o que enseja 
discussões acerca do sen\u19fdo da norma: se esta diz respeito à "reclamação" em âmbito judicial, ou meramente perante o fornecedor ou, ainda, a algum órgão de defesa do 
consumidor. Tendo em vista o conteúdo extensivo das normas consumeristas, seu espírito de favorecimento ao consumidor e observando o disposto no inciso I do § 2º do referido 
ar\u19fgo [06], entendemos que o caput se refere ao direito de reclamar judicialmente, visão esta respaldada por Cláudia Lima Marques. 
A data inicial para contagem do prazo de reclamação também é controversa, mas coerente com o espírito do CDC, que dá ao juiz margem para interpretações favoráveis ao 
consumidor, cabendo, assim, ao magistrado determiná -la, de acordo com a natureza do produto ou serviço e visando sempre sua \ufb01nalidade social. 
PRAZOS PARA RECLAMAÇÃO 
O CDC u\u19fliza dois critérios para a \ufb01xação do prazo de reclamação: a facilidade de constatação do vício (oculto ou aparente) e a durabilidade do serviço ou produto. 
O inciso I do ar\u19fgo 26, estabelece o prazo de trinta dias para produtos e serviços não-duráveis, tais como alimentos, no caso de produtos, e de organização de festas, no caso de 
serviços. Já o inciso II, coloca o prazo de noventa dias para reclamações referentes a produtos duráveis (eletrodomés\u19fcos, veículos, máquinas, imóveis etc) e serviços duráveis 
(temos como exemplo aqueles que se renovam ou que são cobrados periodicamente, como televisão por assinatura, assinatura de revistas e serviços bancários, entre outros). Os 
§§´s 1º e 3 º do referido ar\u19fgo estabelecem que os prazos de trinta e noventa dias são os mesmos para vícios aparentes ou ocultos, pois regem-se pela durabilidade do serviço ou 
produto. Entretanto, a contagem desses prazos dá -se a par\u19fr da entrega efe\u19fva do produto ou da execução do serviço no primeiro caso, e da revelação do defeito, no segundo. 
A POLÊMICA DO §2º DO ARTIGO 26: INTERRUPÇÃO, SUSPENSÃO OU CAUSAS MERAMENTE OBSTATIVAS? 
 O § 2º do ar\u19fgo 26 do CDC dispõe que a instauração de inquérito civil até seu encerramento e a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de 
produtos e serviços, até resposta nega\u19fva transmi\u19fda de forma inequívoca "obstam" a decadência. A u\u19flização dessa expressão gerou intensa discussão doutrinária, visto que, 
tradicionalmente, a decadência não era passível nem de suspensão, nem de interrupção. Gerou-se dúvida no sen\u19fdo de saber se o legislador inovou na interpretação do ins\u19ftuto ou 
se inovou com um terceiro gênero de obstaculização de prazos. 
Da discussão, formaram -se três correntes. A primeira, defendida por Rizza\u1a9o Nunes, sustenta que o referido disposi\u19fvo legal não se refere nem à suspensão, nem à interrupção, 
a\ufb01nal, se o legislador assim quisesse, teria u\u19flizado uma dessas expressões. Dessa corrente, decorrem duas interpretações: uma a\ufb01rma que como a decadência a\u19fnge o direito a 
ser cons\u19ftuído e a prescrição, a direito já cons\u19ftuído, nas hipóteses do parágrafo segundo, o prazo decadencial pararia de correr, passando a \ufb02uir o prazo prescricional, enquanto 
a outra interpretação pugna pela aplicação analógica do regime de suspensão ao de obstaculização. A segunda corrente a\ufb01rma que os prazos de 30 e 90 dias dispostos no ar\u19fgo 26, 
somam prazos decadenciais e prescricionais e, portanto, tratar-se -ia de interrupção, devendo retomar o prazo pelo saldo. Já a terceira corrente indica que o prazo disposto no ar\u19fgo 
26 é decadencial, mas que, como prazos dessa natureza não podem ser suspensos, ou interrompidos, dever -se ia aplicar, analogicamente, o artigo 27 do CDC ou a regra geral do 
ar\u19fgo 206 do Código Civil, o que for mais bené\ufb01co para o consumidor. Esta úl\u19fma corrente vem sendo largamente u\u19flizada na jurisprudência há alguns anos. 
O VETO PRESIDENCIAL AO INCISO II DO § 2º DO ARTIGO 26 DO CDC 
Havia previsão no inciso II, do § 2º do ar\u19fgo 26, da possibilidade do consumidor formular, no prazo de noventa dias, a reclamação pelos vícios dos produtos e serviços perante 
en\u19fdades privadas e públicas de defesa do consumidor. Este disposi\u19fvo recebeu veto presidencial sob o fundamento de que ameaçaria a estabilidade das relações jurídicas, pois 
atribuiria à en\u19fdade privada função reservada, por sua própria natureza, aos agentes públicos. 
O Superior Tribunal de Jus\u19fça, no REsp. nº 65.498 -SP, decidiu que a reclamação formulada pelo consumidor perante o Procon, sem qualquer pretensão reparatória, não é causa 
obsta\u19fva da decadência. No entanto, a nosso ver, entendemos que esta posição tende a mudar, visto a crescente atuação e reconhecimento desses órgãos no país \u2014em função do 
crescimento e pro\ufb01ssionalização do terceiro setor e do incremento da representa\u19fvidade associa\u19fva\u2014 somados aos princípios da legislação consumerista, que interpretam sempre 
favoravelmente ao consumidor. 
 INSTITUTOS ASSEMELHADOS 
1. PEREMPÇÃO 
O ins\u19ftuto processual que ex\u19fngue somente o direito de ação é a perempção, decorrente da contumácia do autor que deu causa a três arquivamentos sucessivos (art. 268, parágrafo 
único, CPC). 
Restam conservados o direito material e a pretensão, que só podem ser opostos em defesa ou exceção. 
2. PRECLUSÃO 
É a perda de uma faculdade processual, por não ter sido exercida no momento próprio, impedindo nova discussão em questões já decididas, dentro do mesmo processo. 
. DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 
Não há muita diferenciação nos ins\u19ftutos da prescrição e da decadência tratados pelo direito consumeirista. O que ocorre é diferenciação de prazos. 
O art. 26 do Código de Defesa do Consumidor trata dos prazos decadenciais, ao contemplar o direito de reclamar por vícios aparentes ou ocultos dos produtos e serviços, que se 
ex\u19fngue em 30 dias, se o produto ou serviço for não durável; e em 90 dias, se for durável. A durabilidade se relaciona com o tempo médio de consumo do produto ou serviço. 
O termo inicial da decadência, para vícios aparentes, começa a par\u19fr da entrega efe\u19fva do produto ou do término da execução dos serviços; já para os vícios ocultos, quando 
evidenciado o defeito. 
Causas suspensivas da decadência, previstas no § 2° do art. 26 do Código de Defesa do Consumidor são: a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor até a resposta 
nega\u19fva do fornecedor e a instauração de inquérito civil pelo ministério público, até seu encerramento. 
Por sua vez, o art. 27 do Código de Defesa do Consumidor regula a prescrição nos casos de responsabilidade por danos, nos acidentes causados por defeitos do produto ou serviço. 
O prazo prescricional é de cinco anos, contados a par\u19fr do conhecimento por parte do consumidor do dano e de sua autoria. 
. DIREITO INTERTEMPORAL 
O art. 2.028 das disposições transitórias do Código Civil de 2002 contém normas que devem ser aplicadas aos prazos em curso quando da vigência do estatuto civil em vigor. 
Os prazos serão os da lei anterior, quando reduzidos pelo Código Civil de 2002 e se na data de sua entrada em vigor houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na 
lei revogada. Caso contrário, serão aplicados os prazos estabelecidos pelo Código Civil de 2002. 
Nome do livro: Curso de Direito Civil vol.1 Parte Geral - ISBN - EAN-13: 9788530927929 
Nome do autor: NADER, Paulo 
Editora: Forense 
Ano: 2009. 
Edição: 6a 
Nome do capítulo: Prescrição e Decadência 
N. de páginas do capítulo : 19 
Aplicação Prática Teórica 
___ Caso Concreto 1 
1. Ana Maria comprou um produto na loja de João Ricardo. Ao utilizar o produto, percebeu que o mesmo apresentava defeito. Acontece que estava entrando de férias, com 
viagem marcada para ficar 30 dias em um cruzeiro pelo Caribe. Dois dias depois de retornar da viagem, procurou a loja para reclamar e ouviu do balconista que não teria 
mais direito em razão deste haver decaído. 
Inconformada procura seu