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DESENVOLVIMENTO TCC

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2 DESENVOLVIMENTO 
 
 
2.1 DOS MEIOS DE PROVA NO PROCESSO PENAL 
 
 
O objetivo do processo penal consiste em instruir o magistrado com 
conhecimento do fato através de determinada reconstrução. Ou seja, em outras 
palavras é possível afirmar que o processo penal é o meio de reconstrução de 
determinado fato que ensejou em delito. 
Partindo dessa premissa no âmbito do processo penal, as provas podem ser 
consideradas como o meio no qual se busca a reconstituição de um determinado 
crime, isso porque que estas ocorrem com a finalidade demonstrar como ocorreu 
determinado ato delituoso. 
Neste diapasão, a produção probatória no processo criminal ocorre com o 
objetivo de contribuir o convencimento do juiz sobre os fatos narrados pelas partes, 
uma vez, a finalidade das partes é convencer o magistrado sobre aquilo que está lhe 
sendo apresentado, que nem sempre é a realidade dos fatos. Nesse sentido, 
estabelece Guilherme Nucci: 
a meta da parte, no processo, portanto, é convencer o magistrado, através 
do raciocínio, de que a sua noção da realidade é a correta, isto é, de que os 
fatos se deram no plano real exatamente como está descrito em sua 
petição. Convencido disso, o magistrado, ainda que possa estar 
equivocado, alcança a certeza necessária para proferir a decisão.1 
 
A produção de provas direciona o magistrado à busca pela verdadeira 
realidade dos fatos, sendo caracterizada como a conformidade entre a idealização e 
a realidade, trazendo certeza e confiança ao processo penal. 
Assim, a prova tem o intuito de materializar determinada idéia ou pretensão, 
que ao final do procedimento probatório, contribuirá para o convencimento do 
magistrado acerca da verdade sobre os fatos que foram apresentados pelas partes. 
Contribuindo neste posicionamento, Fernando Capez define prova: 
 
1 NUCCI, Guilherme. Manual de Processo Penal e Execução Penal. 10. ed. rev., atual. e ampl. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, p. 398, 2013. 
Do latim probatio, é o conjunto de atos praticados pelas partes, pelo juiz e 
por terceiros, destinados a levar ao magistrado a convicção acerca da 
existência ou inexistência de um fato, da falsidade ou veracidade de uma 
afirmação. Trata-se, portanto, de todo e qualquer meio de percepção 
empregado pelo homem com a finalidade de comprovar a verdade de uma 
alegação.2 
 
Em suma, a prova deve ser analisada como uma fonte de informações em 
um conjunto probatório que aliado aos procedimentos, oferece uma certeza 
processual, com o intuito de auxiliar e convencer o magistrado dos fatos alegados 
durante o processo. 
Os meios de provas que podem ser utilizados no curso do processo penal 
estão previstos no Código de Processo Penal. Ocorre que, estes meios não são 
considerados como taxativos, tendo em vista que, são permitidos outros meios de 
provas além daqueles dispostos em lei. 
A legislação confere as partes determinada liberdade no que tange a 
produção de provas já que o intuito do processo criminal é a obtenção da verdade 
sobre os fatos e a restrição severa sobre os meios de provas poderia acarretar na 
dificuldade para o deslinde do processo em relação à devida aplicação da lei. 
Entretanto, como nada no direito é absoluto, embora as partes tenham certa 
liberdade na produção de provas, existe certa limitação legal sobre as provas 
obtidas de formas ilícitas. Segundo Nucci, as provas decorridas de meios ilícitos: 
É o que se denomina de “frutos da árvore envenenada” ou “efeito à 
distância”, originário do preceito bíblico de que a “árvore envenenada não 
pode dar bons frutos”. Assim, quando uma prova for produzida por 
mecanismos ilícitos, tal como a escuta ilegalmente realizada, não se pode 
aceitar as provas que daí advenha.3 
 
O artigo 157, § 1º, do Código de Processo Penal dispõe sobre a previsão da 
teoria da fonte independente ao estabelecer que, não serão admitidas as provas 
derivadas de meios ilícitos, com exceção da hipótese que restar comprovado que as 
provas derivadas puderam ser obtidas através de uma fonte independente, ou ainda, 
quando existir relação entre umas e outras. 
Sendo assim, a legislação dispõe determinados limites para analisar a 
origem da prova, a fim de verificar se esta foi produzida através de meio ilícitos ou 
não, uma vez que, a prova ilícita será aceita no processo, somente de forma 
excepcional, quando constituir prova de origem independente e de descoberta 
inevitável. 
 
2 CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. [livro eletrônico]. São Paulo: Saraiva. p. 344, 2011 
3 NUCCI, Guilherme. op cit. p. 372. 
Outro meio de prova permitido na legislação, é a prova emprestada, que é 
aquela como o próprio nome já diz, é emprestada para gerar efeitos em processo 
diverso, devendo, contudo, ser produzida em observância aos princípios e garantias 
constitucionais. 
A autorização da utilização da prova emprestada precisa ser analisada com 
cautela pelo magistrado, devendo ser averiguado como se deu sua produção a fim 
de resguardar a eficácia do devido processo legal. 
Portanto, a prova emprestada consiste em uma prova produzida em 
determinado processo, mas que possui conteúdo capaz de contribuir e fazer prova 
em ação. 
 
 
2.1.1 Do Ônus da Prova no Processo Penal 
 
 
Em primeiro plano, é importante enfatizar que ônus não se confunde com 
obrigação, isso porque, seria considerar que aquele que alega e não prova ficaria 
sujeito a uma sanção de caráter punitivo, e não é o que ocorre. Isso porque, o ônus 
da prova é considerado como uma faculdade concedida à parte para demonstrar no 
processo o que alegou. 
Sobre o ônus da prova, Guilherme Nucci enfatiza que: 
Deve-se compreender o ônus da prova como a responsabilidade da parte, 
que possui o interesse em vencer a demanda, na demonstração da verdade 
dos fatos alegados, de forma que, não o fazendo, sofre a ‘sanção 
processual’, consistente em não atingir a sentença favorável ao seu 
desiderato.4 
 
Nesse aspecto, partindo da premissa que a primeira e principal alegação 
consta na denúncia, através da indicação de autoria e materialidade, confia-se à 
acusação o ônus probatório de comprovar a existência do crime. Todavia, é de 
máxima importância ressaltar que o fato constitutivo que a acusação deve provar é 
aquele que, aliado ao fundamento jurídico do pedido, se existente, gera a 
consequência imediata dos elementos do tipo e autoria. 
 
4 NUCCI, Guilherme de Souza. Provas no Processo Penal: O valor da confissão como meio de prova 
no processo penal. 2ª edição, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p. 26, 2011. 
O Código de Processo Penal não trata do ônus da prova com o determinado 
rigor, uma vez que a temática é reduzida ao texto estabelecido no artigo 156, ao 
dispor que a prova da alegação incumbirá a quem a fizer. 
Posto isso, é perceptível determinada incoerência da norma com a 
Constituição Federal, mais especificamente, em relação à presunção de inocência 
elencada no artigo 5º, inciso LVII da Carta Magna. 
Isso se justifica, pois, é contraditório imputar o ônus da prova a quem é 
presumidamente inocente. Verificado o conflito, as discussões no âmbito doutrinário 
são crescentes. 
De um lado, parte da doutrina entende que incumbe à acusação provar tudo 
o que alegar, de forma ampla, incluindo o que o réu cometeu, bem como a 
inexistência de qualquer causa excludente de tipicidade, ilicitude ou culpabilidade, 
em razão do princípio da presunção de inocência. 
Conforme Pacelli, o artigo 156 está em perfeita sintonia com a Constituição, 
sob o argumento de que: 
O nosso processo penal, por qualquer ângulo que se lhe examine, deve 
estar atento à exigência constitucional da inocência do réu, como valor 
fundante do sistema de provas. Afirmar que ninguém poderá ser 
considerado culpado senão após