Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas


DisciplinaPensamento Econômico I41 materiais415 seguidores
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nos preços de mercado sem algumas variações anteriores na
relação entre oferta e procura. Pode-se perguntar: isso também é ver-
dade em relação aos preços naturais? É claro que essa questão deve
ser resolvida pela observação cuidadosa da natureza da variação que
uma alteração no custo de produção ocasiona nas condições da oferta
e da procura e, em particular, pela observação cuidadosa da causa
imediata e específica da variação do preço.
Todos concordamos que, quando o custo de produção diminui,
em geral a conseqüência é uma queda no preço, mas, exatamente, o
que reduz o preço da mercadoria? Na seção anterior mostramos que
é um excedente efetivo ou ocasional da oferta.
Todos concordamos em que, quando o custo de produção aumenta,
em geral os preços das mercadorias se elevam. Mas, exatamente, o
que eleva o preço? Mostramos que é uma deficiência da oferta. Removam
essas contingências, isto é, mantenham a mesma grandeza da oferta,
sem falta ou excedentes contingentes, quer o preço de produção suba
ou caia, e depois disso não restará o menor fundamento na suposição
de que haveria alguma variação de preço.
Se, por exemplo, todas as mercadorias consumidas neste país,
tanto as agrícolas quanto as manufaturadas, pudessem ser produzidas
sem trabalho durante os próximos dez anos e, apesar disso, pudessem
ser oferecidas apenas e exatamente nas mesmas quantidades em que
seriam oferecidas numa situação normal; supondo-se ainda que a von-
tade e o poder dos compradores permanecessem os mesmos, nesse caso
não pode haver dúvida de que todos os preços também permaneceriam
os mesmos. Mas, se admitirmos isso, segue-se que a relação entre oferta
e procura, quer efetiva, quer ocasional, é o princípio dominante na
determinação dos preços, tanto de mercado quanto naturais, e que o
custo de produção subordina-se necessariamente àquele princípio, isto
é, apenas na medida em que seu custo afeta de maneira efetiva ou
ocasional a relação entre a oferta e a procura.
Todavia, não é necessário recorrer a casos imaginários para con-
firmar essa conclusão. A experiência real demonstra o princípio da
maneira mais clara possível.
O exemplo dado por Adam Smith, e que é de conhecimento geral,
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sobre a remuneração insuficiente dos párocos, apesar de todos os es-
forços legais para aumentá-los,31 proporciona uma prova notável de
que o preço permanente de um artigo é determinado pela oferta e pela
procura, e não pelo custo de produção. Nesse caso, é mais provável
que o custo real de produção fosse aumentado, em vez de diminuído,
pelos donativos, mas sendo pago por outros e não pelos próprios indi-
víduos, aquele custo não regula e não limita a oferta. Devido a tais
estímulos, essa oferta torna-se e permanece abundante, e seu preço é
e tem de ser sempre baixo, qualquer que possa ser o custo real da
educação ministrada.
O rebaixamento dos salários do trabalho em conseqüência dos
benefícios pagos aos pobres constitui outro exemplo prático do mesmo
tipo. É improvável que o dinheiro público possa ser administrado de
forma mais econômica do que o rendimento individual. Em conseqüên-
cia, não é possível supor que o custo de manutenção de uma família
diminua em função da assistência paroquial. Mas como uma parte da
despesa é custeada pela coletividade, o salário que se requer para a
manutenção de certa família não é mais condição necessária para a
oferta de trabalho; como, por meio dos donativos paroquiais, essa oferta
pode ser obtida sem tais salários, os custos reais de oferta de trabalho
não regulam mais seu preço.
De fato, em toda subvenção à produção verificam-se necessaria-
mente os mesmos efeitos; na medida em que tais subvenções tendem
a reduzir os preços, isso mostra que os preços dependem da oferta
comparada à procura, e não dos custos de produção.
Mas o exemplo mais impressionante que pode ser imaginado para
demonstrar que o custo de produção só influencia os preços das mer-
cadorias na medida em que regula sua oferta está sempre diante de
nossos olhos, no valor artificial que é dado às cédulas bancárias, pela
limitação de sua quantidade. O sistema admirável e eficiente do Sr.
Ricardo para esse propósito parte da premissa de que, se é possível
limitar a oferta de cédulas bancárias, de modo a não exceder a quan-
tidade de ouro que estaria circulando, caso o dinheiro em circulação
fosse em metal, então as cédulas terão sempre o mesmo valor do ouro.
Estou certo de que ele admitiria que, se essa limitação pudesse ser
totalmente realizada sem que o papel fosse trocado por ouro, o valor
das cédulas não seria alterado. Mas, se um artigo que, comparativa-
mente, nada custa para fabricar, embora desempenhe uma das mais
importantes funções do ouro, pode manter o valor do ouro por ser
oferecido na mesma quantidade, é a mais evidente de todas as provas
de que o valor do ouro não depende do custo de sua produção e de
que seu custo influencia sua oferta; isso prova que, mesmo quando o
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31 Wealth of Nations, 6ª ed. Livro Primeiro. Cap. X, p. 202.
custo de produção é eliminado, o valor do ouro deste país ainda per-
manecerá o mesmo, desde que a oferta não aumente.
Todavia, não se deve concluir, de forma alguma, que o trabalho
e os custos de produção não têm um poderoso efeito sobre os preços.
Mas a maneira correta de conceber esses custos é considerá-los uma
condição necessária da oferta dos objetos desejados.
A troca real de duas mercadorias não é afetada por nenhuma
outra circunstância além da relação entre oferta e procura. Apesar
disso, como quase todos os objetos desejados são obtidos pelo exercício
do esforço humano, é claro que a oferta destes objetos deve ser regulada,
em primeiro lugar, pela quantidade e direção desse esforço; em segundo
lugar, pelo apoio que pode receber do produto de trabalho anterior; e,
em terceiro lugar, pela abundância ou escassez tanto dos materiais
com que se tem de trabalhar como dos alimentos do trabalhador. Desse
modo, é importante considerar as diferentes condições que devem ser
satisfeitas, a fim de que uma mercadoria qualquer possa continuar
sendo comercializada.
A primeira condição é que o trabalho empregado deve ser remu-
nerado pelo valor dos objetos em troca, de forma a estimular a aplicação
de uma quantidade suficiente de esforço na direção exigida, pois, sem
essa remuneração adequada, a oferta será, necessariamente, insufi-
ciente. Se esse trabalho fosse muito difícil, comparativamente poucos
estariam capacitados ou dispostos a empenhar-se nele; de acordo com
os princípios gerais do valor de troca explicados acima, seu preço au-
mentaria. Se o trabalho fosse de natureza a requerer um grau incomum
de perícia e talento, o aumento do preço seria maior; mas, certamente,
como afirma Adam Smith, não por causa da estima que os homens
têm por essas habilidades,32 mas por causa de sua raridade e da con-
seqüente raridade dos efeitos produzidos por elas. Em todos esses casos
a remuneração seria regulada não pelas qualidades intrínsecas das
mercadorias produzidas, mas pelas condições de sua procura em com-
paração com sua oferta e, naturalmente, pela oferta e procura do tipo
de trabalho que as produz. Se as mercadorias são obtidas exclusiva-
mente por meio do trabalho manual, auxiliado, de qualquer forma,
apenas por dádivas da Natureza ainda não apropriadas, toda a remu-
neração deveria, é claro, reverter para o trabalhador, e o valor usual
dessa remuneração, nas condições atuais da sociedade, deveria ser o
preço usual da mercadoria.
A segunda condição a ser satisfeita é a seguinte: o auxílio a ser
dado ao trabalhador pela acumulação anterior de objetos que facilitam
a produção futura deve ser remunerado de modo a manter sua utilização
na produção das mercadorias requisitadas. Se por meio de certos pa-
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32 Wealth of Nations. 6ª ed. Livro Primeiro. Cap. VI, p. 71.
gamentos ao trabalhador sob forma de ferramentas, alimentação e ma-
teriais previamente obtidos ele pode executar oito ou dez vezes mais
trabalho do que poderia fazer sem tal auxílio, a pessoa