Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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corretamente que a concordância entre o
preço de mercado e o preço natural de todas as mercadorias depende
sempre da facilidade com que a oferta pode ser aumentada ou dimi-
nuída; ele menciona especificamente o ouro, ou os metais preciosos,
como mercadorias nas quais esse efeito não pode ser produzido rapi-
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47 Princípios de Economia Política e Tributação. Op. cit. Cap. XIII, p. 139.
damente. Por conseguinte, se por meio de grandes e súbitos aperfei-
çoamentos na maquinaria, tanto nas manufaturas quanto na agricul-
tura, a facilidade de produção aumentasse por toda parte e as neces-
sidades da população fossem atendidas com muito menos trabalho, o
valor dos metais preciosos subiria muito, em comparação com as mer-
cadorias; mas como não poderiam diminuir suficientemente em quan-
tidade em pouco tempo, os preços das mercadorias deixariam de re-
presentar a quantidade de trabalho nelas empregada.
Outra fonte de variação peculiar aos metais preciosos é o uso
que deles se faz no comércio exterior. A menos que esse uso fosse
abandonado e a exportação e importação de metais preciosos fossem
proibidas, seria inquestionavelmente mais conveniente para alguns paí-
ses, que dispõem de vantagens específicas em suas mercadorias ex-
portáveis, comprar ouro e prata no exterior do que obtê-los em casa.
No momento presente, acredito ser verdade indubitável que a Inglaterra
compra os metais preciosos com menos trabalho que o aplicado para
obtê-los diretamente das minas do México. Mas se pudessem ser im-
portados por alguns países com menos trabalho do que são obtidos em
sua própria terra, seria conveniente para outros países exportá-los em
troca de mercadorias que não pudessem produzir em seu próprio solo,
ou que pudessem obter mais barato de outro lugar. Assim, com respeito
ao valor relativo das mercadorias, tanto em diferentes países e no
mesmo período, quanto no mesmo país em diferentes períodos, é óbvio
que os preços monetários estariam sujeitos a variações consideráveis,
sem que fossem acompanhados por variações proporcionais nas quan-
tidades de trabalho empregadas naquelas mercadorias.
As objeções consideradas até agora, nesta seção e nas precedentes,
são algumas das que se apresentam a partir da suposição de que toda
nação possui minas, ou mesmo que sempre pudesse obter metais pre-
ciosos no país com a mesma quantidade de trabalho e sem capital;
mas é preciso reconhecer que estas são hipóteses extravagantes. En-
tretanto, se adotássemos a hipótese mais natural, ou seja, a de que
as minas, onde quer que estejam, e em todas as épocas, custam sempre
a mesma quantidade de trabalho e capital para funcionar, veríamos
imediatamente, a partir da distribuição atual dos metais preciosos,
quão pouco, comparativamente, eles são confiáveis como medida das
quantidades de trabalho empregadas na produção de mercadorias em
diferentes países e períodos.
Se, na realidade, a riqueza das minas fosse sempre a mesma,
por certo estaríamos livres daquela fonte de variação decorrente de
rendimentos diferentes, como é de fato o caso, e dos efeitos de uma
descoberta como a das minas americanas. Mas permaneceriam outras
fontes de variação, grandes e óbvias. A riqueza uniforme das minas
não alteraria essencialmente as proporções em que os metais preciosos
seriam distribuídos para os diferentes países; as grandes diferenças
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em seu valor, que, como se sabe agora, ocorrem de lugar para lugar,
quando comparadas ao trigo e ao trabalho, provavelmente continuariam
a ser mais ou menos as mesmas.
Segundo as relações de preço que recebemos de Bengala, deter-
minada quantidade de prata naquele país representa ou obtém seis
ou oito vezes mais trabalho e provisões que na Inglaterra. Em todas
as partes do mundo os artigos de mesmo preço monetário são trocados
uns pelos outros. Em conseqüência disso acontecerá que, no comércio
realizado entre os dois países, o produto de um dia de trabalho inglês
será trocado pelo produto de cinco ou seis dias de trabalho hindu, já
descontadas as diferenças nos lucros.
Talvez se possa dizer que o alto valor comparativo da prata na
Índia decorre principalmente do fato de que os efeitos da descoberta
das minas americanas não foram comunicados de maneira adequada
a essa parte do mundo. Mas é preciso lembrar que a descoberta já foi
feita há bastante tempo e que a diferença entre o valor relativo do
ouro e da prata na Índia, comparado com seu valor relativo na Europa
\u2014 que indica da maneira mais clara uma comunicação deficiente \u2014,
está hoje desaparecendo. Por conseguinte, estou inclinado a pensar
que o alto valor da prata na Índia decorre principalmente de outras
causas. Mas, em todo caso, a diferença agora é tão desmedida que
permite um grande desconto e ainda assim continua enorme.
No entanto, não é necessário ir à Índia para encontrar diferenças
semelhantes no valor dos metais preciosos, embora talvez não tão gran-
des. Rússia, Polônia, Alemanha, França, Flandres e, na realidade, quase
todos os países da Europa, apresentam exemplos de grandes variações
nas quantidades de trabalho e de provisões que podem ser compradas
por determinada quantidade de prata, embora nesses países o valor
relativo dos metais preciosos seja aproximadamente o que deveria ser
se as minas americanas sempre tivessem tido um rendimento físico
uniforme; por conseguinte, por meio de seus atuais valores relativos,
podemos avaliar quão pouco se pode confiar numa coincidência, em
países diferentes, dos preços monetários das mercadorias e das quan-
tidades de trabalho nelas empregadas, mesmo com a suposição de que
o dinheiro sempre foi obtido das minas americanas com a mesma quan-
tidade de trabalho e de capital.
Mas se não estamos inteiramente satisfeitos com esse tipo de
referência à experiência, é óbvio que a mesma conclusão decorre ine-
vitavelmente da teoria. Nos países em que os metais preciosos são
necessariamente comprados, não se pode conceber nenhuma razão plau-
sível para que sua quantidade seja proporcional à dificuldade de pro-
duzir os artigos pelos quais são trocados.
Quando a musselina inglesa e a indiana aparecem nos mercados
alemães, seus preços relativos são determinados exclusivamente por
suas características, sem a menor referência às diferentes quantidades
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de trabalho humano que foram empregadas em sua produção. A cir-
cunstância de que na fabricação das musselinas indianas empregou-se
cinco ou seis vezes mais trabalho do que na fabricação das inglesas
não possibilita à Índia obter maiores retornos de dinheiro.
Nos portos da Europa não se encontra nenhum comerciante dis-
posto a dar mais dinheiro pelo trigo sueco que pelo trigo russo, polonês
ou americano de mesma qualidade, apenas porque se empregou mais
trabalho em seu cultivo, por ter crescido em solo menos fértil. Portanto,
se a Índia e a Suécia não tivessem outro meio de comprar prata na
Europa além da exportação de musselinas e trigo, seria absolutamente
impossível para esses dois países circular suas mercadorias com um
preço em dinheiro \u2014 comparado a outros países \u2014 proporcional à
dificuldade relativa com que foram produzidas, ou à quantidade de
trabalho empregado em sua produção. De fato, é universalmente re-
conhecido que a capacidade de comprar mercadorias estrangeiras de
todos os tipos depende do preço relativamente barato, ou caro, dos
artigos exportáveis. Por conseguinte, embora o dinheiro efetivo em cir-
culação em determinado país \u2014 outras condições permanecendo apro-
ximadamente as mesmas \u2014 possa ser distribuído entre as diferentes
mercadorias compradas e vendidas, de acordo com a quantidade de
trabalho requerido na produção de cada uma delas, a suposição de que
o mesmo tipo de distribuição ocorreria em países diferentes envolve
uma contradição de princípios elementares do intercâmbio comercial.48
Conclui-se, portanto, que nenhuma espécie de regularidade na
produção dos metais preciosos, nem mesmo se todos os países possuís-
sem suas próprias minas, e menos ainda se a grande maioria fosse
obrigada