Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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DisciplinaPensamento Econômico I41 materiais415 seguidores
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compensar,
a diferença de fertilidade natural.
Em relação ao capital que o rendeiro pode aplicar em suas terras
para obter uma produção maior sem pagar uma renda adicional, sua
taxa de lucros deve obedecer à taxa geral de lucros. Se o preço de
mercadorias manufaturadas e comercializadas devesse permanecer o
mesmo apesar da queda do trabalho, os lucros decerto se elevariam,
mas não continuariam os mesmos, como mostramos no capítulo ante-
rior. Os novos preços das mercadorias e os novos lucros de capital
seriam determinados segundo os princípios da concorrência; qualquer
que fosse a taxa assim determinada, o capital seria retirado da terra
até que essa taxa fosse atingida. Os lucros do capital empregado da
forma que acabamos de descrever são sempre uma conseqüência e
nunca fatores orientadores ou reguladores.
Devemos acrescentar que, na evolução regular de um país em
relação à agricultura e às melhorias em geral, e numa situação normal,
podemos perfeitamente presumir que, se a terra que começou a ser
cultivada por último é rica, e o capital é escasso e os lucros certamente
serão altos, mas se a terra deixou de ser cultivada, devido à obtenção
de trigo mais barato por meio de importação, essa conclusão não se
justifica. Ao contrário, o capital pode ser abundante, comparativamente
à demanda do trigo e das mercadorias; nesse caso, e durante o período
em que houver essa abundância, os lucros serão baixos, qualquer que
seja a situação da terra.
Essa é uma distinção da maior importância prática, e parece-me
ter sido negligenciada pelo Sr. Ricardo.
Veremos que a renda paga pelo que a terra produz em seu estado
natural, embora faça uma diferença essencial nas questões relativas ao
lucro e às partes componentes do preço, não invalida de modo algum a
importante teoria de que, em países prósperos, em sua situação costumeira
de gradações de solo, o trigo é vendido pelo seu preço natural ou necessário,
isto é, pelo preço necessário para gerar a oferta efetiva no mercado. Em
média, esse preço será no mínimo igual aos custos de sua produção na
pior terra efetivamente cultivada, mais a renda dessa terra em seu estado
natural, porque, se o preço cai abaixo disso, o agricultor dessa terra não
poderá pagar ao proprietário uma renda tão alta quanto a que este obteria
da terra sem cultivo e, em conseqüência, a terra não será cultivada e a
produção diminuirá. A renda da terra em seu estado natural é obviamente,
portanto, uma parte tão necessária do preço de todos os produtos agrícolas
que, se não for paga, esses produtos não chegam ao mercado; ademais o
preço real de fato pago pelo trigo é, em média, absolutamente necessário
para a produção da mesma quantidade, ou, para usar a mesma expressão
de antes, o trigo, em relação ao volume total produzido, é vendido por
seu preço necessário.
Espero que o leitor me desculpe por apresentar de várias formas
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a teoria de que o trigo, em relação à quantidade efetivamente produzida,
é vendido por seu preço necessário, assim como as manufaturas. Isso
se deve ao fato de que eu considero essa teoria uma verdade da maior
importância, e que foi negligenciada pelos economistas, por Adam Smith
e por todos os autores que afirmam que os produtos agrícolas são
sempre vendidos a preço de monopólio.
Seção VI
A relação entre a riqueza comparativamente grande e o
preço comparativamente alto dos produtos agrícolas
Adam Smith explicou com muita clareza de que maneira o au-
mento da riqueza e das melhorias tende a elevar o preço do gado, das
aves domésticas, dos materiais de vestuário e de moradia, dos minérios
mais úteis etc., comparativamente ao trigo, mas não explicou as causas
naturais que tendem a determinar o preço do trigo. Na realidade, deixou
que o leitor concluísse que ele considera o preço do trigo como algo
determinado apenas pela situação das minas, que no momento suprem
o mundo comercial de um meio de circulação. Mas essa é uma causa
que, embora sem dúvida explique o alto ou baixo preço do trigo, não
explica as diferenças relativas em seu preço em países diferentes ou
comparados a certas mercadorias do mesmo país. Concordo inteira-
mente com Adam Smith que é muito útil investigar as causas do preço
elevado, pois, a partir do resultado da investigação, é possível descobrir
que a própria situação que lamentamos pode ser a conseqüência ne-
cessária e o sinal mais inequívoco do aumento da riqueza e da pros-
peridade. Mas de todas as investigações desse tipo, certamente nenhu-
ma é mais importante ou de interesse mais geral que a investigação
das causas que afetam o preço do trigo e ocasionam diferenças tão
visíveis em seu preço em países diferentes.
Essas causas, em relação aos principais efeitos observados, pa-
recem ser duas:
1) A diferença no valor dos metais preciosos em países diferentes,
sob circunstâncias diferentes.
2) A diferença na quantidade de trabalho e de capital necessários
à produção do trigo.
À primeira causa devem ser atribuídas as principais diferenças
no preço do trigo em países diferentes, particularmente nos situados
a grande distância uns dos outros.
Se o valor do dinheiro fosse o mesmo em todos os países, então
as diferenças de preço decorreriam exclusivamente dos diferentes custos
de produção, sob todas as circunstâncias existentes no país.
As nações mais ricas, em condições semelhantes às demais, ou têm
trigo a um preço mais alto, ou dependem dos vizinhos para se manterem.
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Preço elevado ou importação dos bens de primeira necessidade são
as alternativas naturais decorrentes de um grande aumento da riqueza,
embora as circunstâncias possam submetê-las a várias modificações.
O trigo tem uma tendência natural a subir com a evolução da
sociedade, em função do aumento do custo de produção, e as manufa-
turas têm uma tendência constante a cair pelo motivo oposto.
Qualquer das duas causas do elevado preço do trigo que consi-
deremos, esse preço elevado geralmente se relaciona com a riqueza,
ao contrário da afirmação de Adam Smith.
Seção VII
As causas que podem levar o proprietário a incorrer em
erro ao arrendar suas terras, com prejuízo tanto para ele
como para o país
Na evolução de um país para uma situação de grande desenvol-
vimento, a riqueza do proprietário de terras, segundo os princípios
aqui colocados, deveria aumentar gradualmente, embora sua posição
e influência na sociedade provavelmente diminuam, devido ao número
e riqueza cada vez maiores dos que vivem de um excedente74 ainda
mais importante \u2014 os lucros do capital.
Com poucas exceções, a queda progressiva do valor dos metais pre-
ciosos por toda a Europa e a queda ainda maior que ocorreu nos países
mais ricos, somada ao aumento da produção agrícola, tudo isso deve levar
o proprietário de terras a esperar um aumento da renda no momento da
renovação dos arrendamentos. Mas, ao arrendar novamente suas terras,
ele está sujeito a cair em dois erros, que são quase tão prejudiciais a seus
próprios interesses quanto aos de seu país.
Ao arrendar suas terras ao que faz a melhor oferta, sem outras
considerações, ou ao tomar uma alta temporária de preço por uma
alta permanente, ele pode impedir a melhoria de suas propriedades.
A mesma prudência é necessária ao elevar as rendas, mesmo
quando a alta de preços parece ser permanente. No aumento dos preços
e das rendas, esta deve estar sempre um pouco atrás, não só para
permitir os meios de descobrir se a alta é temporária ou permanente,
mas, mesmo no último caso, para dar algum tempo para a acumulação
de capital agrícola, a qual certamente beneficiará o proprietário depois.
Não há nenhuma razão plausível para acreditar que, se os pro-
prietários de terras transferissem toda a sua renda para seus rendeiros,
o trigo seria mais abundante e mais barato. Se a análise feita antes
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74 Já dei a entender, antes, que o lucro pode ser inadequadamente chamado de excedente.
Mas, seja excedente ou não, o lucro é a mais importante fonte de riqueza por ser, incon-
testavelmente, a principal fonte de acumulação.