Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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Todavia, em geral, a utilização de capital fixo é extremamente
favorável à abundância de capital circulante; e se o mercado do produto
pudesse ampliar-se proporcionalmente, todo o valor do capital e da
renda de um país aumentaria muito com a utilização do capital fixo,
criando-se uma grande demanda de trabalho.
O aumento do valor total dos artigos de algodão, desde a introdução
de máquinas aperfeiçoadas, é prodigioso; e não se pode duvidar nem por
um momento que a demanda de trabalho no ramo do algodão aumentou
muito durante os últimos quarenta anos. Na verdade, isso está suficien-
temente provado pelo grande aumento de população em Manchester, Glas-
gow e outras cidades onde as manufaturas de algodão floresceram.
Um aumento semelhante de valor, embora não da mesma gran-
deza, ocorreu nos setores de ferragens, lanifícios e outras manufaturas,
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102 Ver o engenhoso panfleto do Sr. Barton sobre as classes trabalhadoras.
sendo acompanhado por uma demanda crescente de trabalho apesar
do uso crescente de capital fixo.
Mesmo em nossa agricultura, se o capital fixo aplicado em cavalos
\u2014 que, em razão da quantidade de produtos que consomem, é a forma
mais desvantajosa do capital fixo \u2014 caísse em desuso, é provável que
grande parte da terra que atualmente produz trigo fosse abandonada.
Terras pobres nunca produzem o suficiente para pagar o trabalho de
cultivá-las com enxada, de trazer esterco em carrinho de mão de campos
distantes e de transportar os produtos agrícolas para mercados dis-
tantes com o mesmo tipo de condução. Nessas condições, como a quan-
tidade de trigo produzido diminuiria muito, haveria grande redução
no valor global da produção; e a demanda de trabalho e o volume de
população diminuiriam muito.103
Por outro lado, se, com a introdução gradual de uma quantidade
maior de capital fixo, pudéssemos plantar, adubar a terra e transportar
a produção para o mercado com muito menos despesas, aumentaríamos
muito a produção cultivando e melhorando todas as terras desgastadas;
e se a substituição desse capital fixo ocorresse na única forma que
supomos que ocorra, isto é, gradualmente, não há razão para duvidar
de que o valor dos produtos agrícolas chegaria bem perto de seu nível
anterior; e sua quantidade muito maior, combinada à maior proporção
de pessoas que poderiam ser empregadas na manufatura e no comércio,
geraria, sem dúvida, um grande aumento no valor de troca da produção
total, criando ao mesmo tempo grande demanda de trabalho e grande
aumento de população.
Por isso, em geral não se deve temer que a introdução de capital
fixo na forma em que provavelmente ocorre na prática diminua a de-
manda de trabalho; na verdade, podemos esperar que daí venha o
mais importante estímulo ao seu crescimento futuro. Ao mesmo tempo,
como mostraremos claramente numa parte subseqüente deste volume,
se a introdução do capital fixo se desse muito rapidamente, e antes
de haver um mercado adequado para a maior oferta daí derivada, bem
como para os novos produtos do trabalho dessa forma liberado, o re-
sultado seria a redução da demanda de trabalho e uma grande miséria
entre as classes trabalhadoras. Mas, nesse caso, o produto total, ou o
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103 Tem-se afirmado ultimamente que o cultivo da terra com enxada proporcionaria maiores
produtos brutos e líquidos. Estou sempre pronto a aceitar a experiência bem fundamentada;
mas se tal experiência se aplica nesse caso, é absolutamente surpreendente o uso continuado
de arados e cavalos na agricultura. Todavia, mesmo supondo que o uso da enxada pode,
em certos solos, melhorar a terra a ponto de compensar com vantagens a despesa adicional
do trabalho, considerado separadamente, mesmo assim, como é preciso manter os cavalos
e estes são necessários para transportar a produção agrícola ao mercado, dificilmente seria
conveniente para o agricultor empregar homens para capinar seus campos enquanto seus
cavalos permanecem inativos nos estábulos. Baseado na experiência, eu diria que é o co-
mércio, o preço e a habilidade que concorrerão para o cultivo de grandes extensões de
terras pobres abandonadas \u2014 não a enxada.
capital e a renda de um país, em conjunto, certamente cairia em valor
devido a um excesso temporário da oferta comparativamente à deman-
da, e veríamos que as variações desse valor, comparadas ao valor an-
terior pago em salários, são os principais reguladores da capacidade
e da vontade de empregar trabalho.
Na formação do valor do produto total de um país, uma parte
depende do preço, uma parte da quantidade. A parte que depende só
do preço é por natureza menos durável e menos efetiva que a que
depende da quantidade. Um aumento de preço, com pouco ou nenhum
aumento de quantidade, logo é seguido por um aumento aproximada-
mente proporcional dos salários; enquanto o poder de compra desses
salários monetários aumentados relativamente aos bens de primeira
necessidade continua diminuindo, a população pára de crescer e ne-
nhum aumento posterior de preços pode criar uma demanda efetiva
de trabalho.
Por outro lado, se o produto aumentar tão rapidamente em quan-
tidade que o valor do total diminui devido à oferta excessiva, esse produto
pode não adquirir tanto trabalho no ano considerado quanto no ano an-
terior, e durante algum tempo não há demanda de trabalhadores.
Esses são dois extremos: um decorrente de um aumento de valor
sem aumento de quantidade; e o outro decorrente de um aumento de
quantidade sem aumento do valor.
É óbvio que o mais desejável é conseguir uma combinação dos
dois. Em algum ponto há um meio-termo ideal em que, de acordo com
os recursos efetivos de um país, o aumento da riqueza e a demanda
de trabalho cheguem ao máximo; mas esse ponto não pode ser deter-
minado. Um aumento de quantidade a preços estáveis, ou ligeiramente
decrescentes, é compatível com um aumento considerável do valor total
da produção e pode criar uma demanda considerável de trabalho; mas
nas condições reais, e no modo pelo qual os metais preciosos são de
fato distribuídos, algum aumento de preços em geral acompanha uma
forte demanda efetiva nos mercados de produtos e de trabalho. E esse
aumento, tanto de quantidade quanto de preço, que com certeza cria
maior demanda de trabalho, estimula a maior quantidade de negócios
e geralmente provoca o maior aumento de população.
Seção IV
As conseqüências de uma queda no valor do dinheiro
sobre a demanda de trabalho e sobre as condições
de vida do trabalhador
As conseqüências desfavoráveis de uma queda no valor do di-
nheiro sobre as condições de vida dos trabalhadores não são tão evi-
dentes quanto se supõe.
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A queda dos salários reais do trabalho, do final do século XV ao
final do século XVI, contemporânea à queda do valor do dinheiro, está
provada por documentos autênticos.
Mas a questão é saber se o mais incomum é a ocorrência de
salários altos ou baixos.
Durante o reinado de Eduardo III, os salários reais do trabalho
foram tão baixos quanto no reinado de Elisabete.
No período intermediário, os salários oscilaram consideravelmen-
te com a variação dos preços do trigo e do trabalho; mas a partir de
1444 mantiveram-se uniformemente altos até o final do século.
A insignificante elevação do preço nominal dos cereais, a partir
do meio do século XIV até o final do século XV, não compensou a
menor quantidade de prata nas moedas, de modo que o preço do trigo
em metal caiu consideravelmente.
Mas o preço em metal do trabalho elevou-se de maneira consi-
derável durante o período em que o preço em metal do trigo caiu; e
se Adam Smith tivesse tomado o trabalho ou um meio-termo entre
trigo e trabalho como a sua medida, em vez do trigo, suas conclusões
referentes ao valor da prata teriam sido muito diferentes.
Mas para mostrar que os salários do trabalho eram anormais
durante os últimos 60 anos do século XV, é necessário, além disso,
compará-los com os períodos posteriores à depreciação do dinheiro.
Os ganhos do trabalhador, durante os últimos 60 anos do século
XV, depois