Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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que cessou a depreciação do dinheiro, eram menores que
nos reinados de Elisabete e de Eduardo III.
De 1720 a 1750, o preço do trigo caiu e os salários do trabalho
subiram, mas ainda a pouco mais que a metade do que se ganhava
no século XV.
A partir desse período o trigo começou a subir e o trabalho não
subiu proporcionalmente; mas, durante os quarenta anos entre 1770
e 1810 e 1811, os salários do trabalho, em relação à aquisição de trigo,
parecem ter-se estabilizado.
Seção V
Conclusões da análise dos preços do trigo e do trabalho
durante os últimos cinco séculos
Com base nessa análise, conclui-se que a grande queda dos sa-
lários no século XVI foi ocasionada mais pela elevação inusitada ocor-
rida anteriormente que pela descoberta das minas americanas; e que
os altos salários do século XV só podem ter sido gerados por algumas
causas temporárias que aumentaram a oferta relativa do trigo com-
parativamente ao trabalho.
Esses altos salários, quaisquer que tenham sido suas causas,
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teriam de cair durante o século seguinte se as minas americanas não
tivessem sido descobertas.
Há motivos para pensar que uma elevação no preço do trigo,
ocasionada apenas por uma queda no valor do dinheiro, só prejudicaria
as classes trabalhadoras por alguns anos.
Outra conclusão que podemos tirar dessa análise é que, durante
os últimos 500 anos, os salários do trabalho sob a forma de trigo, na
Inglaterra, estiveram com maior freqüência abaixo que acima de 1
peck de trigo.
Uma terceira conclusão é que as estações do ano exercem grande
influência sobre os preços do trigo e sobre os salários reais, não apenas
ocasionalmente durante dois ou três anos, mas durante quinze ou vinte
anos consecutivos.
Os períodos de salários mais baixos em geral ocorreram quando
houve uma alta no preço do trigo em circunstâncias desfavoráveis a
uma elevação do preço do trabalho; foi o rápido aumento de população
durante os reinados de Henrique III e de Elisabete que impediu os
salários de subirem com o preço do trigo.
Se a descoberta das minas americanas tivesse ocorrido num mo-
mento em que o povo ganhava menos de 1 peck de trigo, em vez de
1/2 bushel, o aumento dos recursos durante o século XVI teria elevado
o preço em trigo do trabalho, apesar do preço monetário cada vez mais
alto desse cereal.
Se o preço do trabalho, de 1793 a 1814, não tivesse sido compri-
mido por medidas artificiais, teria aumentado proporcionalmente ao
preço do trigo.
No decorrer dessa análise, ao considerar os salários em trigo,
não foi possível fazer nenhuma distinção entre os efeitos de uma queda
no preço do trigo e de uma elevação no preço do trabalho. Quando
apenas comparamos os dois artigos, o resultado é exatamente o mesmo;
mas seus efeitos no estímulo ao crescimento da população às vezes
são muito diferentes, como já sugeri anteriormente. Não há dúvida de
que um grande estímulo ao aumento da população é compatível com
uma queda no preço dos produtos agrícolas porque, apesar dessa queda,
o valor de troca da produção global de um país pode continuar crescendo
comparativamente ao trabalho; mas às vezes acontece de uma queda
no preço dos produtos agrícolas ser acompanhada de uma diminuição
na capacidade e na vontade de empregar trabalho; nesse caso, a de-
manda de trabalho e o estímulo ao crescimento da população não são
proporcionais aos salários aparentes em trigo do trabalho.
Se um trabalhador adquire 1 peck de trigo por dia, em vez de
3/4 de peck, em conseqüência de uma alta de salários ocasionada pela
demanda de trabalho, é claro que todos os trabalhadores dispostos e
aptos ao trabalho serão empregados, e provavelmente também suas
mulheres e seus filhos; mas se ele consegue obter essa quantidade
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adicional de trigo devido a uma queda no preço do trigo, que diminui
o capital do arrendatário, a vantagem pode ser mais aparente que
real, e, embora durante algum tempo o trabalho não caia nominalmente,
mesmo que a demanda de trabalho seja estacionária, quando não de-
crescente, seu preço corrente não é um critério exato do que pode ser
ganho pelo trabalho conjunto de uma família numerosa ou pelos esforços
adicionais do chefe num trabalho de empreitada.
É óbvio, por conseguinte, que os mesmos salários correntes
em trigo, sob diferentes circunstâncias, têm diferentes efeitos sobre
a população.
O trigo foi considerado o cereal de maior consumo neste país,
mas, onde e quando isso não acontece, os salários em trigo não são o
critério adequado para se medir o efeito sobre a população.
A quantidade do alimento habitual que uma família trabalhadora
efetivamente ganha durante todo o ano torna-se de imediato a medida
do estímulo para a população e da situação do trabalhador.
Somente os hábitos prudentes dos pobres podem proporcionar a
eles a aquisição de uma quantidade razoável dos bens de primeira
necessidade e de conforto, do estágio mais antigo da sociedade ao mais
recente.
Nada comentei sobre o valor do trabalho medido pelo critério
proposto pelo Sr. Ricardo, isto é, pelo trabalho despendido na obtenção
dos rendimentos do trabalhador ou o custo dos salários em trabalho
porque, para mim, aquilo que denominei salários reais e nominais do
trabalho inclui tudo que se relaciona com as condições de vida do tra-
balhador, com o estímulo ao crescimento da população e com o valor
do dinheiro, os três pontos de nosso maior interesse. Segundo o modo
do Sr. Ricardo considerar a questão, nada se pode concluir sobre esses
três pontos com respeito aos salários, sejam altos ou baixos. Os salários
altos ou baixos servem apenas para determinar a taxa de lucros; a
influência dos salários sobre a taxa de lucros será considerada em
detalhe no próximo capítulo.
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CAPÍTULO V
Os Lucros do Capital
Seção I
Como a crescente dificuldade de obter os meios de
subsistência afeta os lucros
Tem sido habitual, ao se falar daquela porção da renda nacional
que volta para o capitalista em retorno pelo emprego de seu capital, cha-
má-la pelo nome de lucros do estoque (stock). Mas, nesse caso, estoque
não é uma expressão tão apropriada como capital (capital). Estoque é
termo geral, e pode ser definido como todas as posses materiais de um
país, ou toda sua riqueza efetiva, qualquer que seja sua destinação; en-
quanto capital é aquela parcela particular dessas posses, ou dessa riqueza
acumulada, que se destina a ser empregada com vistas ao lucro. Esses
termos são, todavia, usados indiscriminadamente, e talvez isso não gere
erro tão grave; mas pode ser útil lembrar que todo estoque não é, pro-
priamente falando, capital, embora todo capital seja estoque.
Os lucros do capital consistem na diferença entre o valor dos
adiantamentos necessários à produção de uma mercadoria e o valor
da mercadoria produzida; geralmente esses adiantamentos referem-se
a bens de capital que custaram, em sua produção prévia, certa quan-
tidade de salários, lucros e rendas, excluindo-se a renda da terra que,
no caso dos produtos agrícolas, é paga diretamente.
A taxa de lucros é a proporção da diferença entre o valor dos
adiantamentos e o valor da mercadoria produzida sobre o valor dos
adiantamentos; essa taxa varia segundo as variações do valor dos adian-
tamentos, comparativamente ao valor do produto. Quando o valor dos
adiantamentos é grande, comparativamente ao valor do produto, o saldo
é pequeno e a taxa de lucros é baixa. Quando o valor dos adiantamentos
é insignificante, o saldo é grande e a taxa de lucros é alta.
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A variação da taxa de lucros depende, portanto, das causas que
alteram a proporção entre o valor dos adiantamentos e o valor do
produto; essa proporção pode ser alterada tanto por circunstâncias que
afetam o valor dos adiantamentos como por circunstâncias que afetam
o valor do produto.
Entre os adiantamentos necessários à produção, os meios para
manter o trabalho costumam ser os maiores e os mais importantes.
Por conseguinte, eles exercerão maior influência sobre o valor total
dos adiantamentos.
As duas principais causas que influenciam