Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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DisciplinaPensamento Econômico I41 materiais415 seguidores
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os meios para manter
o trabalho são:
1) A dificuldade ou facilidade da produção agrícola determinando
a proporção maior ou menor do valor da produção global que se destina
ao sustento dos trabalhadores empregados.
2) A relação variável entre a quantidade de capital e a quantidade
de trabalho empregada pelo capital, por meio da qual se define a quan-
tidade maior ou menor dos bens de primeira necessidade que cabe a
cada trabalhador.
Qualquer das duas causas, isoladamente, pode ocasionar todas
as variações a que os lucros estão sujeitos. Se uma só é responsável
pela variação, sua ação é simples. Mas a combinação das duas, e de
outras mais, agindo às vezes em conjunto e às vezes em oposição, gera,
durante o desenvolvimento de uma sociedade, variados fenômenos que
nem sempre são fáceis de explicar.
Se a primeira causa atuasse sozinha e os salários do trabalhador
individual fossem sempre os mesmos, supondo então que a técnica
empregada na agricultura permanecesse inalterada e que não houvesse
meio de obter trigo de países estrangeiros, a taxa de lucros cairia
regular e ininterruptamente à medida que a sociedade se desenvolvesse
e à medida que se tornasse necessário recorrer a máquinas inferiores
que requeressem mais trabalho para funcionar.
Nesse caso, seria de pouca importância que a terra cultivada por
último, com a finalidade de produzir alimentos, proporcionasse rendas
sem ser cultivada. É claro que o proprietário da terra não permitiria
seu cultivo, a menos que pudesse obter, no mínimo, a mesma renda
de antes. Essa pode ser considerada uma condição absoluta para o
cultivo das piores terras de um país desenvolvido. Depois de feito esse
pagamento, o restante da produção seria dividido principalmente104
entre o capitalista e os trabalhadores, e é evidente que, se o número
de trabalhadores necessário para obter determinada produção conti-
nuasse crescendo, e os salários de cada trabalhador permanecessem
os mesmos, a parcela destinada ao pagamento do trabalho se intro-
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104 Digo principalmente porque, de fato, embora possa ser insignificante, quase sempre se
paga alguma renda pelos componentes do capital do arrendatário.
meteria continuamente na parcela destinada ao pagamento dos lucros;
e é óbvio que a taxa de lucro continuaria diminuindo até que, devido
à falta de capacidade ou de vontade de poupar, cessasse a acumulação.
Nesse caso, e supondo uma demanda igual de todas as partes
do mesmo produto,105 é óbvio que os lucros do capital agrícola seriam
proporcionais à fertilidade da terra cultivada por último ou ao volume
do produto obtido por determinada quantidade de trabalho. E, como
os lucros no mesmo país tendem a se nivelar, a taxa geral de lucros
apresentaria a mesma tendência.
Mas um momento de atenção nos mostra que a suposição de
uniformidade constante dos salários reais não apenas é contrária à
situação efetiva, como também implica contradição.
O crescimento da população é regulado quase exclusivamente pela
quantidade de bens de primeira necessidade efetivamente obtida pelo
trabalhador; se desde o início ele não conseguisse mais que o suficiente
para manter a população existente, as classes trabalhadoras não poderiam
crescer nem haveria oportunidade para o cultivo progressivo das terras
mais pobres. Por outro lado, se os salários reais do trabalho são tais que
admitem e estimulam um aumento de população, e ainda continuam sem-
pre os mesmos, isso implica a contradição de um aumento contínuo de
população posterior à acumulação de capital, quando os meios de manter
tal aumento já desapareceram inteiramente.
Portanto, não podemos supor um preço natural e constante do
trabalho, a menos que por tal preço entendamos uma quantidade in-
variável dos bens de primeira necessidade. E se não podemos fixar o
preço real do trabalho, é evidente que ele deve variar com o aumento
do capital e do rendimento, bem como da demanda de trabalho com-
parativamente à oferta.
Entretanto, se quisermos, podemos supor um crescimento uni-
forme do capital e da população; com isso não queremos dizer que haja
sempre a mesma taxa de crescimento, o que é impossível, mas um
crescimento uniforme até a quantidade máxima viável, sem acelerações
ou retardamentos temporários. E antes de considerarmos a situação
real, seria interessante verificar de que maneira os lucros seriam afe-
tados por essas circunstâncias.
Quando um país fértil começa a ser cultivado por colonos civili-
zados, havendo muita abundância de terras ricas, apenas uma pequena
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105 É necessário qualificar a posição desse modo porque, em relação aos principais produtos
agrícolas, pode facilmente acontecer que nem todas as partes de um produto tenham o
mesmo valor. Se um arrendatário cultivasse suas terras por meio de empregados domésticos
que vivessem em sua casa, e que ele alimentasse e vestisse, seus adiantamentos sempre
seriam quase da mesma grandeza e do mesmo elevado valor de uso; mas, no caso de uma
saturação decorrente do fechamento de um mercado habitual ou de uma safra inusitadamente
abundante, uma parte da produção não teria nenhum valor de uso nem de troca, e seus
lucros não poderiam, de modo algum, ser determinados pelo excesso da quantidade produ-
zida, acima dos adiantamentos necessários à sua produção.
parcela do valor da produção será paga em forma de renda da terra.
Quase toda a produção se divide entre lucros e salários; e a proporção
que cabe a cada um, à medida que é influenciada pela parte de cada
trabalhador individual, é determinada pela oferta e procura de capital,
comparativamente à oferta e procura de trabalho.
À medida que a sociedade continua a se desenvolver, se o território
é limitado ou o solo tem características diferentes, é óbvio que a ca-
pacidade produtiva do trabalho aplicado na agricultura diminui gra-
dualmente; e como determinada quantidade de capital e de trabalho
obteria retornos cada vez menores, evidentemente o produto a ser di-
vidido entre o trabalho e os lucros seria cada vez menor.
Se, à medida que a capacidade produtiva do trabalho diminui,
as necessidades físicas do trabalhador também diminuíssem na mesma
proporção, então caberia ao capitalista a mesma parcela da produção
global e a taxa de lucros não cairia necessariamente. Mas as necessi-
dades físicas do trabalhador são sempre as mesmas; e embora no de-
senvolvimento da sociedade, a partir da escassez crescente de provisões
comparativamente ao trabalho, essas necessidades sejam, em geral,
menos plenamente satisfeitas, e os salários reais do trabalho caiam
gradualmente, mesmo assim é claro que há um limite, provavelmente
não muito distante, que não pode ser ultrapassado. A aquisição de
certa quantidade de alimentos é absolutamente necessária ao traba-
lhador para que possa sustentar a si e à família, de modo a manter
apenas uma população estacionária. Em conseqüência, se terras mais
pobres que requerem mais trabalho começassem sucessivamente a ser
cultivadas, não haveria possibilidade de os salários em trigo de cada
trabalhador individual diminuírem proporcionalmente à diminuição do
produto; uma proporção maior do todo caberia necessariamente ao tra-
balho; e a taxa de lucros continuaria caindo regularmente até que
cessasse a acumulação de capital.
Este seria o destino inevitável dos lucros e dos salários na acumu-
lação progressiva de capital, quando aplicado ao cultivo progressivo de
terras virgens e menos férteis ou à melhoria posterior das já cultivadas;
e, segundo a suposição que fazemos aqui, tanto as taxas de lucros quanto
os salários reais seriam muito altos no começo, e cairiam juntos de forma
regular e gradual, até que ambos estacionassem no mesmo momento e
a demanda de um aumento de produção deixasse de ser efetiva.
Enquanto isso, perguntarão, o que acontece com os lucros do capital
empregados na manufatura e no comércio, nos quais a capacidade pro-
dutiva não apenas não diminui necessariamente mas, com freqüência,
aumenta, sendo portanto muito diferente do caso da agricultura, em que
a capacidade