Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas


DisciplinaPensamento Econômico I41 materiais414 seguidores
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produtiva do trabalho diminui necessariamente?
Na agricultura, a causa principal e imediata da diminuição ne-
cessária dos lucros parece-me ser a maior quantidade de trabalho ne-
cessária para obter a mesma produção. Nas manufaturas e no comércio,
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é a queda do valor de troca dos produtos desses setores, comparados
com o trigo e o trabalho.
O custo de produção do trigo e do trabalho aumenta continua-
mente em função de causas físicas inevitáveis, enquanto o custo de
produção dos artigos manufaturados e comercializados às vezes dimi-
nui, às vezes permanece estacionário e, em todo caso, aumenta com
uma velocidade muito menor que o custo de produção do trigo e do
trabalho. Por conseguinte, de acordo com todos os princípios da oferta
e da procura, o valor de troca daqueles artigos cai, comparado com o
valor do trabalho. Mas se o valor de troca do trabalho continua subindo,
enquanto o valor de troca das manufaturas cai, permanece o mesmo
ou sobe num grau muito inferior, os lucros continuam caindo; por isso
concluímos que, com o avanço das melhorias, à medida que terras cada
vez mais pobres começam a ser cultivadas, a taxa de lucros é limitada
pelas capacidades do solo cultivado por último. Se a terra cultivada
por último só pode proporcionar determinado excedente de valor sobre
o valor do trabalho necessário à sua produção, é óbvio que, segundo
os princípios da concorrência, os lucros, em geral, não podem ser su-
periores àquilo que esse excedente permite. Numa escala ascendente,
essa é uma barreira que não pode ser transposta. Mas limitação é
essencialmente diferente de regulação. Numa escala descendente, os
lucros podem ser sempre mais baixos. Aqui não há nenhum fator con-
trolador necessário que determina a taxa de lucros; e abaixo do limite
superior que as condições efetivas da terra permitem, há muito espaço
para a atuação de outras causas.
Seção II
Como a proporção do capital sobre o trabalho afeta os lucros
A segunda entre as principais causas que, pelo aumento do total
de adiantamento, influencia os lucros, é a proporção do capital sobre
o trabalho.106
Obviamente essa é uma causa que, sozinha, é capaz de produzir
efeitos ponderáveis, e supondo a ocorrência de variações adequadas
entre as ofertas de capital e as ofertas de trabalho, os efeitos sobre os
lucros serão semelhantes aos da primeira causa, e num período de
tempo muito menor.
Quando o capital é realmente abundante, relativamente ao tra-
balho, nada pode impedir os lucros baixos; e a maior facilidade de
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106 Num capítulo anterior afirmei que a demanda de trabalho não depende apenas do capital,
mas do capital e dos rendimentos tomados em conjunto, ou do valor do produto total; mas
para ilustrar a presente suposição, só é necessário considerar o capital e o trabalho. Podemos
admitir que não haverá nenhuma dificuldade com respeito à demanda.
produção não consegue criar lucros altos, a menos que o capital seja
escasso comparado com o trabalho.
Mas para visualizar de maneira mais clara os poderosos efeitos
da segunda causa sobre os lucros, consideremos por um momento que
ela atue sozinha; e suponhamos que enquanto o capital de um país
continua aumentando, sua população pare de crescer e que, milagro-
samente, não chegue a satisfazer a demanda. Nessas circunstâncias,
todas as gradações da relação entre capital e trabalho podem ocorrer
e assim podemos ver todas as gradações da taxa de lucros.
Se, num período primitivo de desenvolvimento, o capital fosse escasso
comparativamente ao trabalho e, em decorrência, os salários do trabalho
fossem baixos, enquanto as forças produtivas do trabalho, a partir da
fertilidade da terra, fossem grandes, a proporção destinada aos lucros
seria necessariamente muito grande, e a taxa de lucros muito alta.
Em geral, porém, embora se possa dizer que o capital é escasso
nos períodos primitivos da agricultura, mesmo assim aquela parcela
específica do capital que se resolve em alimentação é muitas vezes
abundante comparativamente à população e, dessa forma, altos lucros
e altos salários reais ocorrem ao mesmo tempo. Isso geralmente acon-
tece em situações normais, embora não ocorra quando o capital é pre-
maturamente desperdiçado em extravagâncias ou reduzido por outras
causas. Mas, partindo de altos ou de baixos salários em trigo, em qual-
quer caso a diminuição da taxa de lucro, devido ao crescimento gradual
do capital comparado com o trabalho, permanecerá inalterada.
Como o capital sempre cresce mais rápido que o trabalho, os lucros
do capital cairão, e, se ocorresse um aumento progressivo do capital en-
quanto a população, por algum motivo oculto, não pudesse acompanhá-lo,
apesar da fertilidade do solo e da abundância de alimentos, então os
lucros se reduziriam gradualmente até que, mediante sucessivas reduções,
a capacidade e a vontade de acumular deixassem de existir.
Nesse caso, os lucros sofreriam exatamente o mesmo tipo de re-
dução progressiva pela qual passariam mediante a acumulação pro-
gressiva de capital na presente situação; mas a renda e os salários
seriam afetados de maneira muito diferente. Com base no que espe-
cificamos sobre a questão da renda, o montante desta última não seria
grande num país como esse. De acordo com nossa suposição, o cresci-
mento da população é retardado e o número de trabalhadores é limitado
enquanto terras consideravelmente férteis não são cultivadas. Por con-
seguinte, a demanda de terras férteis, comparada à oferta, seria rela-
tivamente insignificante; e, em relação ao produto nacional total, a
parcela destinada à renda dependeria sobretudo das gradações das
terras mais férteis cultivadas antes de a população parar de crescer
e do valor dos produtos derivados da terra não cultivada.
Quanto aos salários, esses continuariam a subir progressivamente
e dariam ao trabalhador uma capacidade aquisitiva maior, não apenas
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de manufaturas e de produtos importados (como em geral acontece na
situação atual), mas também de trigo e de todos os outros bens de primeira
necessidade, de modo a colocá-lo numa situação cada vez melhor sob todos
os aspectos, contanto que o capital continuasse crescendo.
Em síntese, das três grandes partes em que se divide o produto
total, a renda da terra, os lucros e os salários, as duas primeiras seriam
baixas, porque tanto a oferta de terra quanto a oferta de capital seriam
abundantes comparativamente ao trabalho, enquanto os salários do
trabalho seriam muito altos, porque a oferta de trabalhadores seria
comparativamente pequena; e assim o valor de cada uma das partes
seria regulado pelo grande princípio da oferta e da procura.
Se, em vez de supor que a população pararia de crescer por algum
motivo específico, tomássemos a suposição mais natural de um território
limitado, onde todas as terras tivessem aproximadamente as mesmas
características, e com uma fertilidade tão grande a ponto de requerer
muito pouco capital em seu cultivo, os efeitos sobre os lucros do capital
seriam exatamente os mesmos que no exemplo anterior, embora fossem
muito diferentes sobre as rendas e sobre os salários. Depois que toda
a terra foi cultivada e não é possível aplicar mais nenhum capital na
agricultura, não há a menor dúvida de que as rendas seriam extre-
mamente altas e os lucros e salários muito baixos. A competição cada
vez maior do capital manufatureiro e comercial reduziria a taxa de
lucros, enquanto, devido ao princípio da população, o número de tra-
balhadores continuaria aumentando até que seus salários em trigo
chegassem a um nível tão baixo que seu crescimento posterior fosse
contido. É provável que, devido à facilidade da produção agrícola e da
grande proporção de pessoas empregadas nas manufaturas e no co-
mércio, as exportações fossem grandes e o valor do dinheiro muito
baixo. O preço monetário do trigo e os salários monetários talvez fossem
tão altos como no período em que seu custo em trabalho era o dobro
ou o triplo; as rendas subiriam a um nível extraordinário, independente
da ocorrência