Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas
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Malthus_-_Princpios_de_Economia_Poltica_E_Consideraes_Sobre_Sua_Aplicao_Prtica_-_Os_Economistas


DisciplinaPensamento Econômico I41 materiais415 seguidores
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sobe, ou sobem quando o trabalho cai. Pouco saberemos sobre
as leis que determinam os lucros a menos que, além das causas que
aumentam os preços dos bens necessários, expliquemos as causas que
destinam uma parte maior ou menor desses bens a cada trabalhador.
E aqui torna-se evidente que temos de recorrer aos grandes princípios
da oferta e da procura, ou ao próprio princípio da concorrência apre-
sentado por Adam Smith, o qual o Sr. Ricardo rejeita expressamente
ou ao menos considera de natureza tão temporária que não requer
atenção numa teoria geral dos lucros.108
E no entanto não há, na realidade, nenhuma outra causa para
lucros permanentemente altos além de uma insuficiência da oferta de
capital; e mesmo com tal insuficiência, decorrente de despesas absurdas,
os lucros de determinado país podem continuar, durante séculos a fio,
muito altos em comparação a outros, devido exclusivamente às dife-
rentes proporções entre capital e trabalho.
Fala-se que na Polônia e em algumas outras partes da Europa
os lucros são mais altos que na América; no entanto, é provável que
a terra cultivada por último na América seja mais rica que a terra
cultivada por último na Polônia. Mas na América, o trabalhador ganha
aproximadamente o valor de 16 ou 18 quarters de trigo por ano; na
Polônia, apenas o valor de 8 ou 9 quarters de centeio. Essa diferença
na divisão da mesma, ou aproximadamente a mesma, produção, faz
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108 Ibid.
uma enorme diferença na taxa de lucros; entretanto, dificilmente se
poderia dizer que as causas que determinam essa divisão aparecem
em alguma parte da teoria dos lucros do Sr. Ricardo, embora, longe
de serem de natureza tão temporária a ponto de se poder negligenciá-las
com segurança, atuem poderosamente e em quase todo período. Tal é
a extensão da América, que o preço do trabalho lá pode não cair es-
sencialmente durante séculos; e os efeitos de um capital exíguo, mas
estacionário, sobre uma população superabundante, mas estacionária,
podem durar para sempre.
Enfatizar desse modo os poderosos efeitos que inevitavelmente
são produzidos pela proporção do capital sobre o trabalho, e sobre a
necessidade de dar a devida importância ao princípio da oferta e da
procura, ou concorrência, em todas as explicações das circunstâncias
que determinam os lucros, não significa subestimar a importância da
causa que o Sr. Ricardo considerou de maneira quase exclusiva. A
natureza dessa última causa é tal que ela acaba por sobrepujar todas
as outras. Voltando ao exemplo já mencionado; à medida que os títulos
de renda pública de longo prazo se aproximam cada vez mais de seu
término, seu valor diminui necessariamente somente se nenhuma de-
manda decorrente da abundância de dinheiro puder manter seu valor.
Da mesma forma, quando a agricultura chega a seus limites práticos
extremos, isto é, quando o trabalho de um homem na terra cultivada
por último dificilmente sustenta sua família além do necessário para
manter uma população estacionária, é evidente que nenhuma outra
causa ou causas impedem os lucros de caírem à taxa mais baixa re-
querida para manter o capital efetivo.
Mas embora o princípio aqui considerado seja, afinal, o mais
importante de todos, ainda assim seu desenvolvimento é extremamente
lento e gradual; e enquanto caminha com passos quase imperceptíveis
rumo à sua consumação final, a segunda causa, particularmente quando
combinada à outra que mencionaremos na próxima seção, produz efeitos
que superam completamente aquele princípio e, com freqüência, du-
rante vinte ou trinta anos, ou mesmo cem, faz com que a taxa de
lucros tome uma direção absolutamente diferente da que deveria tomar
de acordo com a primeira causa.
Seção III
O efeito das causas que atuam na prática sobre os lucros
Passamos agora à consideração das causas que influenciam os
lucros numa situação real. E aqui torna-se evidente a existência não
apenas das duas causas já citadas, mas de outras que as modificam
de várias formas.
No cultivo progressivo de terras mais pobres, por exemplo, à
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medida que o capital e a população crescem, os lucros, de acordo com a
primeira causa, caem regularmente; mas, se ao mesmo tempo ocorrem
melhorias na agricultura, estas podem ser tais que, durante um período
considerável, não só impeçam a queda dos lucros, mas também admitam
uma alta ponderável. Não é fácil dizer em que medida e por quanto tempo
essa circunstância pode modificar a evolução dos lucros, de acordo com a
primeira causa. Mas, como é certo que num território extenso, consistindo
em solos não muito diferentes em sua capacidade natural de produção,
a queda dos lucros, decorrente da primeira causa, seria extremamente
lenta, é provável que durante um período considerável as melhorias agrí-
colas \u2014 incluindo, é claro, os implementos e a maquinaria aperfeiçoados
usados na agricultura, bem como um sistema melhor de colheita e de
administração \u2014 compensem com vantagem a primeira causa.
Uma segunda circunstância que poderia contribuir para o mesmo
efeito é um aumento do esforço pessoal entre as classes trabalhadoras.
Esse esforço é extremamente diferente em diferentes países e em di-
ferentes períodos num mesmo país. Um dia de trabalho de um hindu
ou de um índio sul-americano não pode ser comparado ao de um inglês;
e tem-se mesmo afirmado que, embora o preço monetário do dia de
trabalho na Irlanda seja pouco mais da metade do da Inglaterra, na
verdade o trabalho irlandês não é mais barato que o inglês, apesar de
todos saberem que os trabalhadores irlandeses, quando neste país,
com bons exemplos e salários adequados para estimulá-los, poderão
trabalhar tanto quanto seus companheiros ingleses.
Essa última circunstância por si só mostra claramente quão di-
ferentes podem ser os esforços pessoais das classes trabalhadoras num
mesmo país em períodos diferentes; e quão diferente, portanto, pode
ser a produção de determinado número de dias de trabalho, à medida
que a sociedade progride da indolência do selvagem para a operosidade
do Estado civilizado. Essa operosidade, dentro de certos limites, real-
mente aparece quase sempre quando é mais necessária, isto é, quando
há muito trabalho a ser feito sem uma quantidade suficiente de pessoas
para fazêlo. Os esforços pessoais do índio sul-americano, do hindu, do
camponês da Polônia e do trabalhador agrícola irlandês eram realmente
muito diferentes há 500 anos.
As duas circunstâncias precedentes tendem a diminuir as des-
pesas de produção, ou a reduzir a quantidade relativa de adiantamentos
necessários para obter produtos de certo valor. Mas, no início deste
capítulo, afirmamos que os lucros dependem dos preços dos produtos
comparados com as despesas da produção e que, por isso, variam em
sintonia com as causas que afetam os preços sem afetar proporcional-
mente os custos, bem como com as causas que afetam os custos sem
afetar proporcionalmente os preços.
Um efeito considerável sobre os lucros pode, entretanto, ser oca-
sionado por uma terceira circunstância que ocorre com uma freqüência
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razoável, a saber, a alta desigual de alguns componentes do capital,
quando o preço do trigo elevou-se devido a uma demanda maior. Men-
cionei essa causa e também as duas primeiras no capítulo sobre as
rendas. Portanto, apenas acrescentarei aqui que, quando os preços do
trigo e do trabalho sobem e acabam por alterar o valor do dinheiro,
os preços de muitas mercadorias de fabricação nacional se modificam
muito durante algum tempo, devido à pressão desigual da tributação
e às diferentes quantidades de capital fixo empregado em sua produção;
e os preços de mercadorias estrangeiras e das mercadorias nacionais
fabricadas com materiais estrangeiros permanecerão sempre compa-
rativamente baixos. A alta do trigo e do trabalho no país não eleva
proporcionalmente o preço desses produtos; e, à medida que esses pro-
dutos constituem uma parte do capital do arrendatário, esse capital
se tornará mais produtivo. Mas o couro, o ferro, a madeira de cons-
trução, o sabão, velas, artigos