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Amamentação

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Isadora Cabral Araújo de Albuquerque 
Fisiologia da produção do leite 
materno 
 
 
 As mulheres adultas possuem, em cada mama, entre 
15 e 25 lobos mamários, que são glândulas túbulo-
alveolares constituídas, cada uma, por 20 a 40 
lóbulos. Esses, por sua vez, são formados por 10 a 100 
alvéolos. Envolvendo os alvéolos, estão as células 
mioepiteliais e, entre os lobos mamários, há tecido 
adiposo, tecido conjuntivo, vasos sanguíneos, tecido 
nervoso e tecido linfático 
 
 O leite produzido é armazenado nos alvéolos e nos 
ductos. Durante as mamadas, enquanto o reflexo de 
ejeção do leite está ativo, os ductos sob a aréola se 
enchem de leite e se dilatam. 
 
Lactogênese fase I 
 A mama, na gravidez, é preparada para a 
amamentação sob a ação de diferentes hormônios. 
Os mais importantes são o estrogênio, responsável 
pela ramificação dos ductos lactíferos, e o 
progestogênio, pela formação dos lóbulos. Outros 
hormônios também estão envolvidos na aceleração 
do crescimento mamário, tais como lactogênio 
placentário, prolactina e gonadotrofina coriônica. Na 
primeira metade da gestação, há crescimento e 
proliferação dos ductos e formação dos lóbulos. Na 
segunda metade, a atividade secretora se acelera e 
os ácinos e alvéolos ficam distendidos com o acúmulo 
do colostro. A secreção láctea inicia após 16 semanas 
de gravidez. 
 
Lactogênese fase II 
 Com o nascimento da criança e a expulsão da 
placenta, há uma queda acentuada nos níveis 
sanguíneos maternos de progestogênio, com 
consequente liberação de prolactina pela hipófise 
anterior, iniciando a lactogênese fase II e a secreção 
do leite. Há também a liberação de ocitocina durante 
a sucção, hormônio produzido pela hipófise 
posterior, que tem a capacidade de contrair as células 
mioepiteliais que envolvem os alvéolos, expulsando o 
leite neles contido. 
 
Lactogênese fase III ou galactopoiese 
 A produção do leite logo após o nascimento da 
criança é controlada principalmente por hormônios e 
a “descida do leite”, que costuma ocorrer até o 
terceiro ou quarto dia pós-parto, 
 Essa fase, que se mantém por toda a lactação, 
depende principalmente da sucção do bebê e do 
esvaziamento da mama. Quando, por qualquer 
motivo, o esvaziamento das mamas é prejudicado, 
pode haver diminuição na produção do ocorre 
mesmo se a criança não sugar o seio leite, por inibição 
mecânica e química. 
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 O leite contém os chamados “peptídeos supressores 
da lactação”, que são substâncias que inibem a 
produção do leite. A sua remoção contínua com o 
esvaziamento da mama garante a reposição total do 
leite removido. Outro mecanismo local que regula a 
produção do leite, ainda não totalmente conhecido, 
envolve os receptores de prolactina na membrana 
basal do alvéolo. À medida que o leite se acumula nos 
alvéolos, a forma das células alveolares fica distorcida 
e a prolactina não consegue se ligar aos seus 
receptores, criando assim um efeito inibidor da 
síntese de leite. 
 Grande parte do leite de uma mamada é produzida 
enquanto a criança mama, sob estímulo da prolactina. 
A ocitocina, liberada principalmente pelo estímulo 
provocado pela sucção da criança, também é 
disponibilizada em resposta a estímulos 
condicionados, tais como visão, cheiro e choro da 
criança, e a fatores de ordem emocional, como 
motivação, autoconfiança e tranqüilidade. Por outro 
lado, a dor, o desconforto, o estresse, a ansiedade, o 
medo, a insegurança e a falta de autoconfiança 
podem inibir a liberação da ocitocina, prejudicando a 
saída do leite da mama. 
 Na amamentação, o volume de leite produzido varia, 
dependendo do quanto a criança mama e da 
frequência com que mama. Quanto mais volume de 
leite e mais vezes a criança mamar, maior será a 
produção de leite. Uma nutriz que amamenta 
exclusivamente produz, em média, 800 mL por dia. 
Em geral, uma nutriz é capaz de produzir mais leite 
do que a quantidade necessária para o seu bebê. 
 
Introdução 
 Suprem-se, por meio do leite materno, todas as 
necessidades da criança até os seis meses de vida, não 
sendo necessária a oferta de água ou chás; 
 A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério 
da Saúde recomendam o aleitamento materno 
exclusivo até os seis meses de vida e complementado 
até pelo menos 2 anos, o que fortalece o sistema 
imunológico das crianças e das mães. 
 Conceitos: 
 Aleitamento materno exclusivo – quando a criança 
recebe somente leite materno, direto da mama ou 
ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem 
outros líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou 
xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação 
oral, suplementos minerais ou medicamentos. 
 Aleitamento materno predominante – quando a 
criança recebe, além do leite materno, água ou 
bebidas à base de água (água adocicada, chás, 
infusões), sucos de frutas e fluidos rituais. 
 Aleitamento materno – quando a criança recebe 
leite materno (direto da mama ou ordenhado), 
independentemente de receber ou não outros 
alimentos. 
 Aleitamento materno complementado – quando a 
criança recebe, além do leite materno, qualquer 
alimento sólido ou semissólido com a finalidade de 
complementá-lo, e não de substituí-lo. 
 Aleitamento materno misto ou parcial – quando a 
criança recebe leite materno e outros tipos de leite. 
 
 A OMS classifica a prevalência do aleitamento 
materno exclusivo até os 6 meses como: 
 Muito bom: 90 a 100%; 
 Bom: 50 a 89%; 
 Razoável: de 12 a 49%; 
 Ruim: 0 a 11%. 
 
 
 
 
 A II Pesquisa Nacional de Prevalência de Aleitamento 
Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal 
apresenta dados que, em crianças menores de seis 
meses de vida, a prevalência do aleitamento materno 
exclusivo fica em torno de 41%. 
 
 No Brasil, a mediana de AME aumentou de 1,1 meses 
em 1996 para 1,4 meses em 2006. Tal estratégia 
podem ser atribuídos às ações de promoção iniciadas 
em 1981. 
 Algumas estratégias são: Iniciativa Hospital amigo 
da Criança (pela OMS e UNICEF) e a Iniciativa 
Unidade Básica Amiga da amamentação (pela 
Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro”. 
 
DEZ PASSOS PARA O SUCESSO DO ALEITAMENTO 
MATERNO 
A Iniciativa da OMS/UNICEF/Ministério da Saúde 
denomina de Hospital Amigo da Criança, a 
Maternidade que cumpre estes 10 passos. 
1. Ter uma norma escrita sobre aleitamento, que 
deveria ser rotineiramente transmitida a toda a 
equipe de cuidados de saúde; 
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2. Treinar toda a equipe de cuidados de saúde, 
capacitando-a para implementar esta norma; 
3. Informar todas as gestantes sobre as vantagens e 
o manejo do aleitamento; 
4. Ajudar as mães a iniciar o aleitamento na primeira 
meia hora após o nascimento; 
5. Mostrar às mães como amamentar e como manter 
a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de 
seus filhos; 
6. Não dar a recém-nascidos nenhum outro alimento 
ou bebida além do leite materno, a não ser que tal 
procedimento seja indicado pelo médico; 
7. Praticar o alojamento conjunto – permitir que 
mães e bebês permaneçam juntos – 24 horas por 
dia. 
8. Encorajar o aleitamento sob livre demanda; 
9. Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças 
amamentadas ao seio; 
10. Encorajar o estabelecimento de grupos de 
apoio ao aleitamento, para onde as mães deverão 
ser encaminhadas por ocasião da alta, no hospital 
ou ambulatório. 
 
Fatores que interferem 
beneficamente na amamentação 
exclusiva 
 Preparo das gestantes para a lactação durante o 
período pré-natal (no aspecto biológico e sócio-
histórico-cultural); 
 Orientação sobre as desvantagens da introdução de 
fórmulas; 
 Orientações sobre a importância da amamentação 
exclusiva por 6 meses, sobre pega e posição do bebê 
no peito, sobre livre demanda e sobre o não uso de 
mamadeira. 
 Orientações em grupos e visitas domiciliares (mães 
que recebem orientações em grupo se sentem mais 
assistidas pela diversidade de experiências com-
partilhadas e pela segurança proporcionada por 
este espaço, possibilitando-as a tomar decisões 
relativas
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