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Monografia Maria Flávia Felicia Silva- Versão Final Revisada (1)

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222 desta Lei Complementar. 
 
Diante dos itens acima expostos, nota-se que a lei está muito restritiva, 
impossibilitando a modificação de algumas construções já existentes no centro da 
cidade, por não possuírem testada mínima de 20m. A ideia é incentivar a modificação 
dessas construções por meio da redução de Imposto Sobre Serviço (ISS) e Imposto 
Predial e Territorial Urbano (IPTU). 
A ideia de fachada ativa no contexto desse trabalho é devolver ao centro, a 
vitalidade e o dinamismo pricipalmente em horários não comerciais. 
 
2.9. ACESSIBILIDADE NAS VIAS PÚBLICAS 
 
Conforme a Comissão Permanente de Acessibilidade/São Paulo (2013, p.15): 
A via pública deve ser concebida de maneira a garantir os princípios de projeto e 
implantação das políticas de mobilidade, que por sua vez adotam o conceito de 
desenho universal aplicado ao desenho urbano. Assim a cidade se torna mais coesa, 
ordenada e principalmente mais acessível a todos os usuários. Dessa maneira, as vias 
devem prever mobilidade e acessibilidade assegurando e garantindo o acesso 
principalmente de idosos, pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade 
reduzida. 
 
A calçada é parte integrante do Sistema da via Pública. Para Jane Jacobs (2001, 
p.29) “as calçadas juntamente com as ruas são vitais para o funcionamento da cidade”. 
De acordo com a Figura 18 é na calçada que são implantados os mobiliários urbanos, 
vegetação e sinalização propiciando um ambiente seguro. 
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Figura 18. Modelo de Calçada e sua Utilização 
 
Fonte: Guia de Acessibilidade de Vias Públicas, 2013. 
 
De acordo com a NBR 9050/2015 e a Lei Minicipal de Calçadas Seguras 
8077/2010, acessibilidade é a facilidade de acesso com segurança e autonomia, aos 
edificações, espaços, mobiliário, vias públicas, equipamentos urbanos e transporte 
coletivo. 
Segundo o Guia de Acessibilidade de vias públicas (2013, p. 19), as calçadas devem 
ter como princípios: 
ACESSIBILIDADE: assegurar a completa mobilidade dos usuários dos usuários, 
especialmente das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida; 
LARGURA ADEQUADA: atender às dimensões necessárias na faixa de circulação 
e ser projetada para acomodar o maior número possível de pessoas andando 
simultaneamente; 
QUALIDADE ESPACIAL: caracterizar o entorno e o conjunto das vias com 
identidade e qualidade no espaço; 
SEGURANÇA: propiciar segurança e tranquilidade ao ato de caminhar; 
CONTINUIDADE: A calçada deve servir uma rota acessível ao usuário, caminho 
contínuo e facilmente perceptível, resguardando sempre seus aspectos estéticos e 
harmônicos; 
ESPAÇO DE SOCIABILIZAÇÃO: oferecer espaços de encontro entre as pessoas 
para interação social na área pública; 
DESENHO DA PAISAGEM: organizar todos os elementos da via, propiciando 
climas agradáveis e contribuindo para o conforto visual do usuário. 
 
De acordo com Andrade/Link (2017, p.5): 
Caminhar é a forma mais democrática de se locomover. A liberdade de movimento 
é inerente ao pedestre e seu caminhar. O pedestre executa sua coreografia diária se 
movendo com fluidez e, com isso, propicia vitalidade às cidades, tornando os 
espaços mais democráticos. No caminhar cotidiano, o pedestre se apropria do espaço 
construído e tem a percepção ampliada para os detalhes da paisagem [...] e a 
caminhabilidade é o elemento-chave para o funcionamento eficaz do metabolismo 
urbano. 
 
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2.9.1. CAMINHABILIDADE 
 
Também conhecido como walkability, é um termo que define a facilidade em se 
deslocar de um lugar ao outro, a pé. Para Sampaio/Espíndula (2018, p. 5) a 
caminhabilidade “deve trazer uma motivação que induza as pessoas a adotarem o hábito 
de caminhar, restabelecendo suas relações com as ruas e os bairros”. 
 
2.10. O QUE É RENOVAÇÃO, REQUALIFICAÇÃO E REVITALIZAÇÃO 
URBANA? 
 
De acordo com MOURA (et al., 2016, p. 18, grifo nosso) têm-se o conceito de 
renovação urbana: 
 
O conceito da renovação urbana é marcado pela ideia de demolição do edificado e 
consequente substituição por construção nova, geralmente com características 
morfológicas e tipológicas diferentes, e/ou com novas atividades econômicas 
adaptadas ao processo de mudança urbana. 
 
A renovação urbana é um processo de intervenção em grande escala. Como 
exemplo, temos o caso da renovação de Paris por Haussmann. Esse conceito surgiu 
após 1950. 
De acordo com MOURA (et al., 2016, p. 20, grifo nosso) têm-se o conceito de 
requalificação urbana: 
 
A requalificação urbana é, sobretudo um instrumento para a melhoria das condições 
de vida da população, promovendo a construção e recuperação de equipamentos e 
infra-estruturas e a valorização do espaço público com medidas de dinamização social 
e económica. Procura a (re)introdução de qualidade urbana, de acessibilidade ou 
centralidade a uma determinada área. 
 
 
A requalificação urbana é um processo de intervenção que tem como objetivo dar 
nova função ao espaço público. O conceito teve maior disseminação ao final da década 
de 90. Como exemplo, temos o caso da requalificação de Barcelona para os Jogos 
Olímpicos de 1992, o plano de Jaime Lerner para Curitiba entre os anos de 1970 e 1990, 
e o caso de Medellín, na Colômbia entre os anos de 1995 e 2010. 
De acordo com MOURA (et al., 2016, p. 20, grifo nosso) têm-se o conceito de 
revitalização urbana: 
A revitalização urbana é a implementação de um processo de planeamento 
estratégico, capaz de reconhecer, manter e introduzir valores de forma cumulativa e 
sinergética. Isto é, intervém a médio e longo prazo, de forma relacional, assumindo e 
promovendo os vínculos entre territórios, atividades e pessoas, promovendo uma 
melhoria da qualidade do ambiente urbano e nas condições socioeconômicas. 
 
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A revitalização urbana é um processo que modifica e renova o lugar trazendo vida 
ao espaço. Como exemplo, temos o caso da revitalização do rio Cheonggyecheon, em 
Seul, High Line, em New York e a Ciclo Ruta em Bogotá, uma das maiores malhas 
cicloviárias existente. Esse conceito de intervenção teve início na década de 60. 
Para a conclusão desse trabalho o tipo de intervenção urbana usada será a de 
requalificação urbana. 
 
2.11. PRACIALIDADE 
 
De acordo com Queiroga, 2014, p. 140: 
É uma prática socioespacial própria da vida pública, que se pode estabelecer em 
determinados momentos para diferentes sistemas de objetos integrantes do espaço 
intraurbano, envolvendo desde ações comunicativas do cotidiano da vida pública até 
as ações políticas e suas representações simbólicas. (...) “pracialidades são, portanto, 
concretudes, existências que se situam no espaço-tempo, participando da construção 
e das metamorfoses da vida púbica”. 
 
 
Sendo assim, pode-se concluir que pracialidade é a forma como criamos e nos 
apropriamos de lugares públicos. Por exemplo, um terreno limpo que se torna um local 
de encontro de meninos para a prática de futebol. Esses locais “criados” pela população, 
muitas vezes, têm mais vida que aqueles impostos pela cidade, como as praças. 
Ainda para Queiroga, 2001: 
 
Pracialidade é a condição que caracteriza o espaço como local favorável ao encontro 
e comunicação da população na cidade, não considerando apenas seu caráter físico, 
mas também, o modo como o espaço é usado pela sociedade. É o caso de ruas, prédios 
e jardins que oferecem condições favoráveis à vida pública típica das praças. 
 
2.12. REDES SUBTERRÂNEAS 
 
De acordo com Clemente, Ventura, Amorim (2014) “a fiação aérea está tão presente 
em nosso otidiano que já consideramos parte integrante e inevitável da paisagem 
urbana, como se fosse um mobiliário essencial”. 
“A implantação das redes subterrâneas no Brasil se deu nas décadas de 50 e 60. Em 
1973 a Distribuidora de energia Copel começou a construção das redes subterrâneas na 
cidade de Curitiba”(COPEL- COMPANHIA PARAENSE DE ENERGIA, 2010, p. 13). 
Segundo Lima (2016, p. 04),

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