A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
140 pág.
Monografia Maria Flávia Felicia Silva- Versão Final Revisada (1)

Pré-visualização | Página 9 de 23

de maio de 2016, autoriza o Poder Executivo da cidade de São José 
dos Campos a criar o programa de instalação de Parklets no município. No Art. 2 º é 
especificado que o Parklet é um mobiliário urbano temporário: 
 
Art. I o Fica o Poder Executivo autorizado a criar o Programa de instalação de Parklets 
no município de São José dos Campos. 
Art. 2° Para fins desta Lei, considera-se Parklet o mobiliário urbano de caráter 
temporário instalado, em geral, em paralelo à pista de rolamento de veículos, de forma 
a expandir o passeio público, com o objetivo de ampliar a oferta de espaços públicos 
de fruição, providos de estruturas que visem ao incremento do conforto e da 
conveniência dos cidadãos, tais como bancos, mesas e cadeiras, tloreiras, guarda-sóis, 
paraciclos e outros elementos destinados à recreação, ao descanso, ao convívio, à 
permanência de pessoas e a manifestações culturais. Parágrafo único. O Parklet e todo 
o mobiliário nele instalado serão destinados ao uso público, não se admitindo, em 
qualquer hipótese, utilização exclusiva por seu mantenedor ou outros interessados. 
Art. 3" A instalação, manutenção e remoção do Parklet dar-se-á por iniciativa da 
administração Municipal ou por requerimento de pessoas físicas ou jurídicas, de 
direito público ou privado. 
Art. 4° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições 
em contrário. 
 
De acordo com a Câmara Municipal de São José dos Campos, Wagner Balieiro, 
vereador que aprovou a Lei ,“a implantação de Parklets busca humanizar e democratizar 
o uso da rua, tornando-a mais atrativa e convidativa, e provocando uma reflexão sobre 
a cidade que queremos habitar”. 
Em 28 de outubro de 2016, o Poder Executivo da cidade criou o Decreto 
17.262/2016 que Institui o Programa de Instalação de Parklets no Município, autorizado 
pela Lei n. 9.372, de 30 de maio de 2016, já mencionada anteriormente. O decreto ficou 
arquivado após a troca de gestão e somente em 2019 o Prefeito Felício Ramuth analisou 
e revogou através de um novo decreto 18.049/2019, por estar em conflito com a Lei 
Municipal da Calçada Segura 8077/2010. O decreto. Diante dessa incompatibilidade o 
decreto está sendo revisado. 
Qualquer pessoa pode entrar com o pedido para a instalação do parklet, seja pessoa 
física ou jurídica, área comercial ou residencial, conforme Figura 14. 
 
37 
 
 
Figura 14. Para quem pedir o Parklet 
 
Fonte: Manual Parklets De São Paulo, 2014. 
 
De acordo com o Manual Parklets de São Paulo,(2014, p. 17) os parklets podem 
ser instalados tanto em área comercial quanto residencial. Os dois são de uso público. 
Em área comercial não é permitido ser usado como extensão do estabelecimento. Em 
áreas residencial são entendidos como extensão da casa, como um tipo de varanda. 
 
2.8. O QUE SÃO AS VITRINES ATIVAS? 
 
 
São fachadas e/ou vitrines que possuem acesso direto para as calçadas e são 
destinadas a comércio e serviços locais. 
O Plano Diretor Estratégico (PDE), 2014, do Município de São Paulo, afirma que 
“a formação de planos abertos na interface entre os imóveis e os logradouros, 
promovem a dinamização dos passeios públicos”. Planos fechados, mal iluminados e 
degradados dão a sensação de falta de segurança. 
A fachada ativa fomenta a economia local, valoriza os imóveis, permite a troca 
entre o interior e exterior do imóvel, promovendo maior interação social, e diminui a 
sensação de isolamento e de insegurança, causada pelo abandono dos grandes centros. 
Segundo Jan Gehl (2010, p. 70): 
Em 2003 foi realizado um estudo na cidade de Copenhague e analisada a extensão 
das atividades diante de uma área de fachadas ativas e outra de fachadas passivas, 
em diversas ruas da cidade”. Em frente das fachadas ativas, havia uma clara 
tendência de os pedestres diminuírem o passo e voltarem a cabeça em direção às 
fachadas e, com frequência, eles paravam. Já em frente de fachadas fechadas, o ritmo 
da caminhada era mais rápido e havia menos viradas de cabeças e poucas paradas. 
Conclui-se então que, com o mesmo fluxo de pedestres nos trechos de ruas com 
fachadas ativas e passivas, o número médio de pessoas que passaram ou pararam em 
frente às fachadas ativas foi sete vezes maior do que o nível de atividades em frente 
das fachadas passivas. 
 
Em Melbourne, na Austrália, já é obrigatório que 60% das fachadas dos novos 
38 
 
 
prédios, nas ruas principais, sejam abertas e convidativas, ou seja, contenha a fachada 
ativa (JAN GEHL, 2015). 
É preciso ter em mente que o principal autor da vida urbana é o cidadão, portanto 
todas as intervenções urbanísticas devem ser pensadas para eles. O uso da fachada ativa 
aumenta a sensação de segurança e diminui a sensação de isolamento, bem como a 
preferência dos munícipes em fazerem melhor uso do espaço. Lugares com qualidade 
urbanística possuem “vida”. 
As fachadas passivas desestimulam a caminhabilidade, já as fachadas ativas 
“contribuem para um deslocamento eficiente [...] com maior qualidade, e mais 
segurança para quem está do lado de fora”. (SEGHET, 2017. p.03) 
Nas Figuras 15, 16 e 17 é possível observar a diferença entre as fachadas. 
De acordo com o Manual do Governo do Distrito Federal (2017, p.03): 
A relação entre o público e o privado se manifesta na zona de transição entre 
a edificação e a rua, sendo no nível da circulação dos pedestres que ocorre 
essa conexão: onde estão as portas, as janelas, as vitrines etc. Portanto, é no 
nível da circulação dos pedestres, na transição direta entre o espaço público 
e o privado, que a fachada ativa acontece. 
 
 
Figura 15. Maquete Eletrônica - Fachada Ativa - SP 
 
Fonte: Estadão, 2018. 
 
 
39 
 
 
Figura 16. Rua Vidal Ramos - Florianópolis - Maior interação do Interior com o Exterior 
 
Fonte: Google Street View, 2017 
 
Figura 17. Fachada Passiva - Sensação de Insegurança 
 
Fonte: Google, 2017. 
 
 
O Art. 224 da Lei de Zoneamento 623/2019 da cidade de São José dos Campos 
determina como fachada ativa: 
O conjunto formado pelo uso não residencial e a faixa de fruição pública que fazem 
a interface com o espaço público, situada no nível da circulação da calçada com 
acesso direto para o logradouro público, sendo dotada de permeabilidade física e 
visual, a fim de fortalecer a vida urbana e a interação entre os espaços públicos e 
privados, evitando a multiplicação de planos fechados entre as edificações e a 
calçada. 
 
No Art. 225, “a fachada ativa é aplicável a edificações de uso não residencial ou 
de uso misto deste com uso residencial multifamiliar”
40 
 
 
 
No Art. 226. A fachada ativa deverá atender os seguintes requisitos: 
I - ser implantada em edificações de lotes ou glebas com testada mínima de 20m 
(vinte metros) e área mínima de 500m² (quinhentos metros quadrados); 
II - quando a testada for menor ou igual 30m (trinta metros), a fachada ativa deverá 
estar contida na faixa de 10m (dez metros) a partir do alinhamento do lote; 
III - quando a testada for maior que 30m (trinta metros), a fachada ativa deverá estar 
contida na faixa de 20m (vinte metros) a partir do alinhamento do lote; 
IV - a área edificada destinada ao uso não residencial deverá ter profundidade 
mínima de 5m (cinco metros), excluída a área de fruição externa coberta ou não; 
V - atender os parâmetros estabelecidos no Anexo XVII – Parâmetros para a 
Fachada Ativa, desta Lei Complementar, independentemente do zoneamento; 
VI - possuir transparência e permeabilidade visual em, no mínimo, 50% (cinquenta 
por cento) da área da fachada ativa através de janelas, vitrines, planos envidraçados, 
entre outros; 
VII - possuir permeabilidade física para a faixa de fruição pública com, ao menos, 
um acesso em cada estabelecimento não residencial instalado na fachada ativa; VIII 
- a faixa de fruição pública deverá atender os parâmetros definidos nos incisos de I 
a IV e VIII do art. 221 e o art.

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.