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PRÉ-PROJETO EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE – UFCG
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE – CCBS
UNIDADE ACADÊMICA DE PSICOLOGIA – UAPSI 
DISCIPLINA: MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA
DOCENTE: PEDRO DE OLIVEIRA FILHO
DANILO AZEVEDO CRUZ
IGOR MACÊDO PEREIRA
LAÍNE LOUISE CARVALHO DE ALMEIDA
MARIA HELENA PEREIRA DE OLIVEIRA ARAÚJO
SARAH GEOVANNA DE FREITAS MESQUITA
THAYSA ALVES DE ARAÚJO
WILLY VALLENT GOMES DE MELO
A EDUCAÇÃO SEXUAL EM UMA CIDADE MÉDIA NORDESTINA: UM ESTUDO DE CASO
CAMPINA GRANDE - PB
2019
DANILO AZEVEDO CRUZ
IGOR MACÊDO PEREIRA
LAÍNE LOUISE CARVALHO DE ALMEIDA
MARIA HELENA PEREIRA DE OLIVEIRA ARAÚJO
SARAH GEOVANNA DE FREITAS MESQUITA
THAYSA ALVES DE ARAÚJO
WILLY VALLENT GOMES DE MELO
A EDUCAÇÃO SEXUAL EM UMA CIDADE MÉDIA NORDESTINA: UM ESTUDO DE CASO
Pré-projeto confeccionado na disciplina de Métodos e Técnicas de Pesquisa do curso de Psicologia (2° Período) na Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, como requisito parcial para obtenção da nota.
Professores: Pedro de Oliveira Filho e José Roniere Morais Batista.
CAMPINA GRANDE - PB
2019
1. INTRODUÇÃO
Comumente acredita-se que educação sexual é um conjunto de aulas expositivas ministradas pelo professor que apresenta aos alunos a biologia e fisiologia sexual, como: parto, gravidez, IST (infecções sexualmente transmissíveis) e outros assuntos. Entretanto, tendo em vista a importância desse tema ser debatido nas salas de aula e na família, esse modo de compreender a educação sexual é incompleto.
Primeiramente, é necessário um breve recorte histórico sobre a temática, tomando os estudos de Bueno e Ribeiro (2018), compreende-se que a educação sexual assume diferentes formas a depender dos contextos sociais no Brasil. Os anos de 1960 tiveram as primeiras ações efetivas de educação sexual nas escolas, pois anteriormente a essa década a igreja católica constituiu “um dos freios mais poderosos”, juntamente com perpasses morais da época, para efetivação do ensino de educação sexual no Brasil, livros com a temática do sexo e que possuíam o objetivo de orientação para adultos passam a ser lançados aqui no Brasil, contudo, existe um supervisionamento por parte da Igreja sobre esses materiais, (BUENO & RIBEIRO, 2018). 
[...] amor “carnal” passa a ser valorizado, desde que entendido como parte das uniões monogâmicas heterossexuais reprodutivas. [...] só pôde ser possível devido às transformações culturais, políticas e sociais da época, que tiveram efeitos sobre os comportamentos sexuais e demandaram a discussão sobre o tema (BUENO & RIBEIRO, 2018).
Apesar de algumas alterações, essas influências ainda constituem grandes impasses para efetivação de um ensino sobre educação sexual abrangente e que respeita a alteridade, visto que as igrejas cristãs possuem uma visão limitada acerca da sexualidade humana, associando, por exemplo, o sexo por prazer e fora do casamento ao pecado, assim como as relações homoafetivas, o que a priori deve ser totalmente separado do ensino da temática no meio acadêmico.
Contudo essas ideias e outras de viés moralista e conservador ainda estão presentes na mentalidade de muitas famílias e, de acordo com Ribeiro (2005), “a dificuldade que a escola traz se fundamenta na idéia de que esse tema deve ser tratado exclusivamente pela família”. 
Os discursos sobre educação sexual começaram a possuir uma visão mais social apenas após o início da reabertura política depois da ditadura militar, iniciada em 1978, somado à implantação da educação sexual nos Parâmetros Curriculares e Acadêmicos (PCN) e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Segundo Figueiró (2009), a Educação sexual deve ser um espaço de esclarecimento do adulto para com a criança, em que se expõem assuntos como relacionamento a dois, liberdade de gênero, diferentes tipos de família, e outros assuntos que podem e devem ser apresentados logo nos anos iniciais com o intuito de naturalizar e fazer com que a criança entre no ensino fundamental tendo ciência de que a escola também é um lugar para expor conhecimento e dúvidas sobre seu corpo. 
Ribeiro (2005), também trata da importância da educação sexual: 
A implantação de projetos de educação sexual contribui para que a criança ou o jovem — e adulto de amanhã — tenha uma vida mais integrada, saudável, com uma melhor auto-estima e maior conhecimento do próprio corpo e consciência de ter relações preventivas (RIBEIRO, 2005).
Não se pode esquecer, ainda, que a educação sexual permite o desenvolvimento da capacidade de conhecer e de respeitar o próprio corpo (PIRES, 2013). Conforme Vygotsky (1996, citado por PIRES, 2013), a criança é um ser humano que, como qualquer outro, é um sujeito biológico, social e histórico. De maneira que, como consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, todo ser humano possui o direito de instrução para o desenvolvimento de sua própria personalidade:
ARTIGO XXVI Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. [...] desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS; 1948, p.14).
Sendo que esses espaços de esclarecimento não possuem um local fixo, necessariamente na escola, podendo ser em casa ou na rua. Pois se entende a educação sexual tendo dois modos de ensino: o direto, com aulas expositivas entre o professor e os alunos, através de aulas expositivas envolvendo diversos recursos de leitura e audiovisuais; e o modo indireto que se utiliza de pequenos gestos que buscam tentar ensinar e naturalizar algo relacionado ao assunto com a criança. 
Importante salientar que são inúmeros os benefícios trazidos pela aplicação da disciplina de Educação Sexual nas escolas. Segundo MAIA et al. (2012), “ao debater, discutir, esclarecer e tirar dúvidas sobre a temática da sexualidade, a escola faz com que os jovens possam vivê-la de modo consciente, mesmo porque o sexo não é a única forma de expressá-la, mas uma delas”, evitando dessa forma ocorrências indesejadas, tais como: gravidez precoce, iminência de ISTs, aborto, decepções sexuais que podem levar a problemas psicológicos, entre outros. De modo complementar, pode ajudar as crianças e adolescentes a identificar abusos sexuais, anormalidades em seus corpos e romper com as ideias cristalizadas e construídas na sociedade sobre o conceito de sexualidade, que hoje é exibido como apenas relação sexual heteronormativa (SAITO & LEAL, 2000; MAIA et al. 2012).
À luz desse cenário, o problema que se levanta é: Quais as características do processo de educação sexual no ensino fundamental I e II em um município médio nordestino? Que metodologias são utilizadas nesse processo? Quais os conteúdos do componente curricular dessa disciplina?
O presente projeto justifica-se pela importância da efetivação da educação sexual no âmbito escolar, que por meio de debates pretende orientar e instruir as crianças, para que no futuro, estas tenham maior responsabilidade em relação à vida sexual; possuam maior autoconhecimento sobre seu próprio corpo, com intuito de evitar abusos, principalmente infantis; auxiliar em escolhas mais assertivas com atitudes preventivas e por fim evitar preconceitos nas formas de relações afetivas.
É necessário enfatizar também, a importância desse estudo no contexto político vigente, visto que, além de ser uma temática atual, os discursos atuais do governo incentivam um retrocesso e censura na abordagem da temática com os jovens, sendo um impasse para formação e conscientização destes.
Apesar de todos os benefícios que a educação sexual pode fornecer aos alunos, ainda existe uma gigantesca discussão no ambiente político nacional. Reportagens da Folha de São Paulo (2019) demonstram que, em uma pesquisa realizada pelo DataFolha com cerca de 2077 pessoas, cerca de 52% apoiam que exista uma orientação educacional dentro das escolas acerca da sexualidade entendida como conjunto de comportamentos

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