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integral pelo que deixou de ganhar pelo resto de sua vida.
 Se a perícia tivesse apurado se a redução foi de 50%, a pensão seria:
- Integral: no período em que ele ficou totalmente imobilizado
- Parcial: a partir do momento em que ele retornasse ao trabalho com a incapacidade reduzida
c) Dano moral
d) Dano estético (perda da perna constitui dano estético grave)
* A apuração do LUCRO CESSANTE será proporcional à REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORATIVA da vítima. Indeniza-se o DANO. O fato de a vítima ser sócia de um estabelecimento comercial ou estar recebendo algum benefício (por exemplo, aposentadoria) em nada afeta o pagamento a título de lucro cessante.
a) Haveria culpa exclusiva da vítima ou culpa concorrente?
R:	Considerando não provada a alegação do réu, não restaria configurada culpa exclusiva da vítima ou culpa concorrente. 
Quanto à alegação da ré no sentido de que Edmar era empresário e, portanto, não era pessoa “necessitada” é infundada e não tem relevância no arbitramento da indenização. O dano não foi na empresa, foi no empresário. É como se alegasse que a própria vítima teria que arcar com a sua redução patrimonial. Fato é que o dano causou uma redução na capacidade laborativa da vítima e deve ser indenizado pelo seu autor.
b) É possível a cumulação de dano moral com dano estético?
R:	Sim. O fato de a vítima estar com sua perna esquerda atrofiada e, ainda, com um futuro risco de amputação, autoriza a cumulação do dano estético com o dano moral. Esse é o entendimento atual do STJ: “As indenizações pelos danos moral e estético podem ser cumuladas, se inconfundíveis suas causas e passíveis de apuração em separado. O dano estético é uma alteração morfológica corporal que agride à visão, causando desagrado e repulsa; o dano moral corresponde ao sofrimento mental a que a vítima é submetida. Um é de ordem puramente psíquico, pertence ao foro íntimo, outro é visível, porque concretizado na deformidade.” (REsp 65.393/RJ e 84.752/RJ)
c) Caberiam lucros cessantes? Caso positivo, como seriam eles calculados?
R:	Sim. O lucro cessante consiste na perda do ganho esperável, na frustração de expectativa de lucro. Nos termos do art. 950, CC, é calculado não só a partir da paralisação da atividade lucrativa ou produtiva da vítima, como, por exemplo, a cessação dos rendimentos que alguém já vinha obtendo da sua profissão, como, também, da frustração daquilo que era razoavelmente esperado. Os lucros cessantes devidos no caso em tela, seriam vitalícios, vale dizer, devidos durante toda a sobrevida real da vítima.
d) Seria possível abater da indenização o benefício previdenciário, seguros pessoais e eventual rendimento de estabelecimento comercial do autor?
R:	Não. A reparação de Direito Comum não comporta compensação com a que a vítima há de perceber em decorrência de sua vinculação a sistema previdenciário ou securitário (RSTJ 132/333).