Tributária - Contra Razões Recurso Especial
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Tributária - Contra Razões Recurso Especial


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In casu, a declaração de nulidade das Certidões de Dívida Ativa contraria frontalmente o 
art. 202 do Código Tributário Nacional e os §§ 5° e 6° do art. 2° da Lei n° 6.830/80, haja 
vista que \u201cAs exigências formais que comprometem a validade da Certidão de Dívida Ativa 
são aquelas que abrem ensejo a surpresas ou incertezas para o devedor durante o debate 
processual.\u201d (JÚNIOR, Humberto Theodoro. Lei de Execução Fiscal \u2013 Comentários e 
Jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 2004, 9ª ed., p. 19). 
 
 
 
 
Em recente julgamento da Apelação Cível nº 1.0024.05.826928-3/001(1), em 14/11/2006, 
o eminente relator Francisco Bueno consignou: 
\u201cEMENTA: EMBARGOS À EXECUÇÃO - AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS 
VALORES COBRADOS. CDA QUE ATENDE AOS REQUISITOS DO ART. 202 DO CTN - 
VÍCIO QUE NÃO TROUXE PREJUÍZO À DEFESA. SENTENÇA CASSADA. (...) 
A ausência de indicação expressa e individualizada dos valores atinentes a cada tributo 
não retirou da CDA a liquidez e certeza, nem tampouco comprometeu a defesa da 
embargante, que in casu, apenas ateve-se, no mérito, de sustentar a inocorrência de 
serviços públicos específicos e indivisíveis com relação às taxas. Tal omissão deve ser 
vista como um defeito formal que não compromete a essência do título executivo. 
(...) 
Nesse sentido, já se manifestou o STJ, confira-se: 
"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL - EXECUÇÃO FISCAL - 
CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA - REQUISITOS PARA CONSTITUIÇÃO VÁLIDA - 
NULIDADE NÃO CONFIGURADA. 
(...)3. A pena de nulidade da inscrição e da respectiva CDA, prevista no art. 203 do CTN, 
deve ser interpretada cum granu salis. Isto porque o insignificante defeito formal que não 
compromete a essência do título executivo não deve reclamar por parte do exequente um 
novo processo com base em um novo lançamento tributário para apuração do tributo 
devido, posto conspirar contra o princípio da efetividade aplicável ao processo executivo 
extrajudicial. 
4. (...) 
5. Estando o título formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal 
sobre que repousam a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção 
monetária, revela-se descabida a sua invalidação, não se configurando qualquer óbice ao 
prosseguimento da execução. (STJ - AGA 485548 - RJ - 1ª T. - Rel. Min. Luiz Fux - DJU 
19.05.2003). 
Com efeito, um mero vício formal no título executivo que não contamine a sua essência, 
não pode gerar a nulidade da CDA, haja vista que, conforme bem salientado pelo em. Min. 
Sálvio Figueiredo: 
"A concepção moderna do processo, como instrumento de realização da justiça, repudia o 
excesso de formalismo, que culmina por inviabilizá-la" (Resp nº 15.713/MG, DJ 
24/02/1992). 
Ademais, é bom salientar que todos os contribuintes, anualmente, recebem as guias dos 
impugnados tributos, com seus respectivos lançamentos separadamente, não podendo, 
assim, alegar cerceamento de defesa por não saber os valores discriminados de cada 
tributo cobrado. 
Assim, levando-se em consideração que no caso específico dos autos, a falta de 
individualização dos valores cobrados a título de IPTU e de taxa, na CDA, não trouxe 
qualquer prejuízo à defesa da embargante que sequer questionou os valores dos tributos 
cobrados, entendo que não pode gerar a nulidade do título executivo. 
Não tendo havido, no presente caso, qualquer prejuízo para a defesa da recorrente, a 
declaração de nulidade afronta, por óbvio, os mencionados dispositivos legais. 
 
 
DA NÃO-CONFISCATORIEDADE DA MULTA E NÃO APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, II, 
\u201cC\u201d DO CTN 
 
 
A Constituição Federal estabelece que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal 
e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco. 
 
 
\u201cArt. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à 
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
IV - utilizar tributo com efeito de confisco.\u201d 
Não obstante seja problemático o entendimento do que seja um tributo com efeito de 
confisco, certo é que o dispositivo constitucional pode ser invocado sempre que o 
contribuinte entender que o tributo, no caso, lhe está confiscando os bens. 
 
Cabe ao Judiciário dizer quando um tributo é confiscatório. 
 
Hugo de Brito Machado coloca a questão em seu devido lugar de maneira irrespondível: 
 
\u201cJá no regime constitucional anterior alguns tributaristas sustentavam ser inadmissível o 
tributo confiscatório, posto que isto implicaria negar o direito de propriedade, 
constitucionalmente garantido. 
O caráter confiscatório do tributo há de ser avaliado em função do sistema, vale dizer, em 
face da carga tributária resultante dos tributos em conjunto. 
A vedação do confisco é atinente ao tributo. Não à penalidade pecuniária, vale dizer, à 
multa. O regime jurídico do tributo não se aplica multa, porque tributo e multa são 
essencialmente distintos. O ilícito é pressuposto essencial desta, e não daquele! 
No plano estritamente jurídico, ou plano da Ciência do Direito, em sentido estrito, a multa 
distingue-se do tributo porque em sua hipótese de incidência a ilicitude é essencial, 
enquanto a hipótese de incidência do tributo é sempre algo Iícito. Em outras palavras, a 
multa é necessariamente uma sanção de ato ilícito, e o tributo, pelo contrário, não constitui 
sanção de ato ilícito. 
No plano teleológico, ou finalístico, a distinção também é evidente. O tributo tem por 
finalidade o suprimento de recursos financeiros de que o Estado necessita, e por isto 
mesmo constitui uma receita ordinária. Já a multa não tem por finalidade a produção de 
receita pública, e sim desestimular o comportamento que configura sua hipótese de 
incidência, e por isto mesmo constitui uma receita extraordinária ou eventual. 
Porque constitui receita ordinária, o tributo deve ser um ônus suportável, um encargo que 
o contribuinte pode pagar sem sacrifício do desfrute normal dos bens da vida. Por isto 
mesmo é que não pode ser confiscatório. Já a multa, para alcançar sua finalidade, deve 
representar um ônus significativamente pesado, de sorte a que as condutas que ensejam 
sua cobrança restem efetivamente desestimuladas. Por isto mesmo pode ser 
confiscatória\u201d. (Curso de Direito Tributário, 25ª ed., Malheiros, São Paulo, p.58/59). 
 
Verificaremos agora a aplicação de juros, correção monetária e demais encargos previstos 
na legislação municipal, no que diz respeito aos tributos. 
 
A Lei Municipal 5641/89 assim dispõe: 
Art. 126 - O tributo não quitado até o seu vencimento, fica sujeito à incidência de: 
I - Juros de mora de 1% (um por cento) ao mês ou fração, contados da data do 
vencimento; 
(Vide art. 1º da Lei nº 6.480, de 27/12/93, que dispõe : Art. 1° - Os juros de mora incidentes 
sobre os créditos tributários e fiscais serão calculados sobre o valor atualizado dos 
respectivos créditos.:) 
II - (Não chegou a produzir efeitos, tendo em vista o disposto nos incisos II e III do art. 5º 
da Lei nº 5.642, de 29/12/89.) 
III - correção monetária, calculada da data do vencimento do tributo ou penalidade até o 
efetivo pagamento, nos termos da Legislação Federal específica. 
(Vide o disposto no art. 14 da Lei nº 8.147 de 29/12/00 - "DOM" de 30/12/00) 
 
 
 
No caso do Município de Belo Horizonte, a referida atualização é feita com base no IPCA-
E (verso das CDAs), nos termos do artigo 14 da Lei 8147/2000, abaixo transcrito: 
 
Art. 14 - Tributos, multas e demais valores fixados na legislação municipal com base em 
UFIR - Unidade Fiscal de Referência - ficam, a partir de 27/10/2000, convertidos em real, 
observando-se, para fins desta conversão, a equivalência de R$1,0641 (um inteiro e 
seiscentos e quarenta e um décimos de milésimos de real) por UFIR. 
 
§ 1º - Os valores convertidos na forma do caput serão atualizados no dia 1º de janeiro de 
cada exercício, com base na variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial 
- IPCA-E - apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - acumulada 
nos últimos doze meses