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Apostila Profª Nilma Bastos

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estabelecida com natureza pública, criada ou extinta por lei, com capacidade de auto-administração, especialização dos fins ou atividades e sujeição a controle ou tutela. A natureza pública, mostra que é titular de direitos e obrigações próprias e distintas ao Ente que a instituiu, se submete a um regime jurídico público ou privado (lei 8112/90ou lei 9962/00), prerrogativas, privilégios e sujeições. Apresentando características que a aproximam das pessoas públicas e de capacidade exclusivamente administrativas. Advém da lei por exigência constitucional artigo 37, XIX da CR e do Dec. Lei 200/67. 
Finalidade: 
Essa capacidade de Auto – administração ou autonomia, advém dessa natureza pública que envolve a autarquia, sendo variável em vista da disciplina adotada quanto a três ordens de fatores: o primeiro se relaciona ao administrador escolhido pela Administração direta; o segundo tem a ver com a competência privativa da autarquia exercida independente da Administração Direta (escolhas adotadas); e terceiro, que se relaciona aos recursos necessários à manutenção da autarquia, que poderá advir de tributos ou do orçamento geral.
A capacidade ou autonomia supramencionada visa o exercício das atividades do Ente Estatal que para Diogo de Figueiredo estão relacionadas a uma das cinco atividades peculiares da autarquia: função de polícia, intervenção na ordem econômica, serviço público, intervenção na ordem social e fomento público. Vê-se o poder de polícia na possibilidade de criar normas técnicas genéricas, a intervenção na ordem econômica regulando as atividades, mediante controle pelo respectivo ente político central, a intervenção na ordem social prestando um serviço social cumprindo funções típicas do Estado e o fomento público através de incentivo fiscal, independente de controle prévio ou autorização legislativa.
Em suma, a especialização dos fins ou atividades peculiares das autarquias, as coloca entra as formas de descentralização territorial com capacidade específica para a prestação de serviço determinado, sendo impedida de exercer outros serviços. Para que não desvirtue o fim para o qual foi criada, sempre sob controle administrativo, político, financeiro e em juízo.
 
Exemplo: Universidades públicas e autarquias profissionais. 
Responsabilidade:
Perante o terceiro, a autarquia presta um Serviço Público, sob Regime Jurídico Público, vinculada com a Pessoa Jurídica política que a instituiu. Para a consecução desse serviço público assumirá direitos e obrigações, nos termos do artigo 37,§ 6º da CR ou pela teoria subjetiva em caso de omissão (atos omissivos). Defendem essa posição Celso Antônio Bandeira de Melo e Diogo de Figueiredo alegando que a omissão não é causa, e sim condição para o advento do dano. 
Perante a Administração Pública centralizada, deverá desempenhar determinado serviço público, do qual passa a ser titular, inclusive se opondo a interferências indevidas (dentro da lei), há nos dizeres dos doutrinadores um binômio independência - controle. 
Enquanto perante os particulares, a autarquia aparece como se fosse a própria Administração Pública, ou seja, com todas as prerrogativas, restrições e responsabilidades advindas do regime jurídico administrativo assumido. 
Prerrogativas:
 Presunção de veracidade e executoriedade de seus atos;
Inexigibilidade de inscrição de seus atos constitutivos no registro civil das pessoas jurídicas, porque a sua personalidade jurídica decorre da lei;
Não submissão à fiscalização do Ministério Público;
Impenhorabilidade de seus bens e sujeição a processo especial de execução estabelecido no artigo 100 da CR;
Juízo privativo artigo 109, inciso I da CR.
Classificação:
Quanto ao tipo de atividade ou objeto:
Econômicas - destinadas ao controle e incentivo à produção, à circulação, como o Instituto do Açúcar e do Álcool;
De crédito – como Caixas Econômicas (hoje transformadas em Empresas Públicas);
Industrias - como a impresa Oficial do Estado (hoje Empresa pública);
De previdência e assistência - como INSS, IPERJ ( hoje órgão público);
Profissionais e cooperativas – que fiscalizam o exercício das profissões;
Culturais ou de Ensino – que se incluem as Universidades.
Quanto a Capacidade Administrativa:
A geográfica ou territorial – Possuem capacidade genérica exercendo várias atividades no âmbito do seu território, como as de luz, água, gás;
A de serviço ou institucional – Possuem capacidade específica, ou limitada a determinado serviço que lhes é atribuído por lei.
 Quanto a estrutura:
Entidades autárquicas ou fundacionais - É aplicável às fundações de direto público (autarquias institucionais), cuja existência alguns doutrinadores negam. Esquecendo-se que ambas serão regidas por leis públicas e com relações semelhantes com terceiros. 
* Diogo de Figueiredo levanta uma diferença na forma ou estrutura – intra-estatal ou infra-estatal, a primeira advindo da Administração direta e a segunda advindo de qualquer outra pessoa administrativa.
Corporativas - São pessoas jurídicas cujo elemento principal é beneficiar seus membros. Exemplo: OAB
Quanto ao âmbito de atuação:
Podem ser Federais, Estaduais e Municipais.
Pessoal:
O artigo 84, inciso VI da CR, atribui ao Presidente da República, e por simetria aos Governadores e prefeitos, competência para “dispor sobre a organização e funcionamento da Administração Federal, na forma da lei”.
O regime atual, portanto liga os servidores por um liame estatutário por força da lei federal 8112/90, que dispõe: sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das Fundações Públicas Federais.
As Autarquias são sujeitos de direitos e obrigações, e por isso mesmo respondem pelos seus atos, não sendo a Administração Pública responsável, solidária ou subsidiariamente. Exceto se por ato seu extinguir e absorver seus respectivos patrimônios, pois nesta hipótese, a responsabilidade assumida pela Administração Pública não vai além dos valores patrimoniais absorvidos.Seus servidores, em regra são estatutários, embora seja possível vermos celetistas, devido o fim do regime jurídico único. Exemplo:
Federal – Estatutário Lei 8112/90 // Celetista Lei 9962/00
Estado – Estatutário Lei 1698/00
Município – Estatutário Lei 3020/00 // Lei 94/79
Controle:
As autarquias possuem autonomia administrativa, financeira, submetendo-se ao controle ordinário da Administração Pública a que pertence. Esse controle chama-se Tutela, que são atos e medidas da Administração Pública visando conformar a atuação autárquica à lei e ao cumprimento de seus fins. 
A tutela poderá ser:
Preventiva - que pode ser de legalidade e mérito, expressando-se pela autorização, aprovação ou homologação do ato fundacional;
Repressiva – sempre que exercida após a prática de ato, cuja eficácia independe do prévio pronunciamento da Administração Pública.
Além do controle interno, feito na própria autarquia e o externo com base no artigo 70 da CR. Embora a assertiva acima esteja correta, cabe lembrar que existem autarquias especiais, cuja decisão não é passível de apreciação por outros órgãos ou entidades da Administração Pública.
Exemplos: Agências executivas e reguladoras, Autarquias reguladoras de categorias profissionais. 
Conforme já mencionamos, é muito difícil encontrarmos exemplos de fundações públicas de direito privado, porque todas, ao ser instituído o regime jurídico único, passaram a serem estatutárias.
Autarquia em regime jurídico especial:
Caio Tácito afirma que tal autarquia não existe. Não tem previsão no artigo 5º do DL 200/67 e no artigo 77, §2º da CE-RJ, nenhum tratamento diferenciado. Apesar disso, sempre encontramos na doutrina esta classificação. Dois clássicos exemplos são os Conselhos que controlam as profissões regulamentadas, como a OAB, e o IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), cuja lei criadora expressamente fala em autarquia de regime especial. Também nunca tivemos lei definindo as diferenças das autarquias “comuns” e autarquia de regime especial. A doutrina encarregou-se de tratar de tal matéria. Hely