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Apostila Profª Nilma Bastos

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Diferença da Limitação e da Servidão: A servidão prende-se a um direito real cuja constituição é passível de indenização. Já a limitação administrativa é uma imposição geral, não indenizável, condicionadora do exercício de determinada atividade do particular.
 
Ocupação temporária – Pode ser traduzida pela utilização transitória de bens imóveis não edificados, nos termos do artigo 36 do DL3365/41(exceções). Esse uso não estará preso a um lapso mínimo, e sim ao necessário a realização da obra ou serviço público.
Competência: Cabe a todos os entes da federação – nos termos do artigo 36 do Decreto Lei 3365/41.
Característica: O sujeito passivo é determinado, pois visa atingir um bem específico, mediante ato administrativo e decreto – artigo 136, §1º, inciso II da CR. Quanto a indenização, só houver dano, como possibilidade de caução prévia, quando exigida.
Diferença entre a ocupação temporária e a servidão administrativa: a servidão administrativa também afeta a exclusividade do direito de propriedade, diferenciando se dela por ser de caráter transitório.
Tombamento - É a intervenção do Estado na propriedade de bens de interesse histórico, pasaígistico ou científico. Os bens desta natureza são inscritos pelo Poder Público no livro tombo visando, a preservação destes.
Competência: Esta prevista no artigo 23, inciso III da Constituição, dando competência comum (para proteção) e concorrente (para legislar) a União, Estados, Distrito Federal e Município. Além do artigo 216 da CR que disciplina o objeto do Tombamento (patrimônio artístico, histórico e cultural) e do Decreto-lei 25/37. 
Características: É uma forma de restrição parcial que não retira a propriedade do particular, apenas limitará seu uso. O sujeito passivo pode ser determinado ou indeterminado não tendo, em regra sem direito à indenização. O objeto é variado (bens móveis , imóveis , formas de expressão, conjunto urbanos, e etc).
Modalidades: Quanto à constituição ou procedimento (de ofício, voluntário ou compulsório); quanto à eficácia (provisório ou definitivo); quanto aos destinatários (geral ou individual). Em âmbito municipal normalmente ocorre por meio de decreto do prefeito, podendo advir de lei até através do poder judiciário (omissão do Poder Executivo).
Efeitos:
Positivos: Cabe ao proprietário preservar o bem por meio de obras, mas caso não possa deverá o Poder Público fazê-las; em caso de alienação deverá comunicar ao proprietário sua necessidade, dando ao Estado o direito de preferência na compra (se tiverem providenciado a inscrição no Registro de Imóveis).
Negativos: O proprietário não pode demolir ou modificar os bens movéis ou imóveis sem autorização, nem mesmo retirá-lo do país, sob pena de multa ou de penas de contrabando ou descaminho, determinadas sempre pela constante vigilância do bem. 
Divergência: Quanto a ser o ato do tombamento um ato discricionário ou vinculado; e quanto à natureza jurídica do ato torná-lo uma servidão ou limitação administrativa. Para a primeira divergência uns doutrinadores como Maria Sylvia Zanella de Pietro, entende que a Constituição deu a autoridade competente o poder-dever de determinar, quais os bens que o Estado deve proteger; por isso mesmo, a recusa em fazê-lo há de ser motivada, sob pena de tornar a discricionariedade um arbítrio que afrontaria a própria Constituição. No que tange a segunda divergência à doutrina não é uniforme para o doutrinador Celso Antônio Bandeira de Melo o tombamento constitui modalidade de servidão administrativa, porque, ao contrário da simples limitação, incide sobre imóvel determinado, causando ao seu proprietário ônus maior do aquele sofrido pelos demais membros da coletividade. Já Maria Sylvia Zanella de Pietro, entende que a inscrição do tombamento individualiza o bem (coisa determinante), por isso não pode ser tido por servidão, e sim categoria própria não se enquadrando a servidão ou limitação, sempre com o intuito de atender interesse da coletividade. 
Servidão Administrativa - Consiste em um ônus real que importa na sujeição, da propriedade particular ou pública, em função da consecução de obras e serviços pelo Estado, mediante indenização. Constituem –se mediante acordo ou em função de ação judicial (sentença judicial), sendo necessária à existência prévia de ato declaratório da servidão, à semelhança do decreto de utilidade pública para desapropriação.
Competência: Poderá ser instituída por todos os Entes da Federação (artigo 40 do D.Lei nº3365/41combinado com o artigo 2º).
Constituição da servidão: Decorre de lei independente de ato jurídico bilateral ou unilateral, efetuando-se por acordo, precedido de ato declaratório de utilidade pública ou por meio de sentença judicial, desde que não haja acordo ou quando sejam adquiridas por usucapião.
Características: Possui natureza de direito real sobre coisa alheia (jus in re aliena), no qual alguns dos poderes do domínio se destacam e se transferem a terceiros, coisa serviente (res serviens) em relação à coisa dominante (res dominans) e terá no seu conteúdo, uma utilidade inerente à (res serviens) ou coisa dominada.
Diferença entre uma servidão pública e privada: as servidões civis não impõem ao proprietário nenhuma obrigação de fazer, mas apenas a obrigação passiva de deixar de fazer; ao contrário das servidões administrativas que se traduzem por obrigações positivas como fazer o alinhamento particular; as servidões administrativas estão fora do comércio, não se extinguem pela prescrição como as civis; as servidões administrativas podem gravar bens do domínio público, as civis não; as servidões administrativas não obrigam, em regra, a indenização, salvo quando esta é formalmente estabelecida em lei.
Indenização: Não caberá se ela decorre direto da lei, pois se dá como sacrifício imposto a toda uma coletividade que se encontra em mesma situação, exceto se houver danos ou prejuízos. Será acrescida a indenização juros moratórios, atualização monetária e honorários advocatícios. Segundo STJ, caso decorra de contrato ou decisão judicial, incidirá sobre imóveis determinados, mediante indenização (STJ 56).
Modalidades: Servidão sobre terrenos marginais ou sobre fontes de água mineral, sobre prédios vizinhos, em torno de aeródromos e heliportos, militar, de aqueduto e sobre energia elétrica.
Extinção: Em regra é perpétua, quer sejam públicas ou privadas. Entretanto a maioria da doutrina admite a extinção caso ocorra uma dessas causas: perda da ciosa gravada; transformação da coisa por fato que a torna incompatível com seu destino; a coisa foi desafetada; e pela incorporação do imóvel serviente ao patrimônio público.
Requisição: É um ato unilateral, mediante o qual é facultada ao Poder Público a utilização de bens e serviços particulares, em razão do iminente perigo público ou para atender a necessidades coletivas urgentes e inadiáveis, e indenização posterior (artigo 5º, inciso XXV da CR e lei ordinária 4812/42).
Competência: É possível a todos os entes da federação, conforme o artigo 5º, inciso XXV da CR, embora a competência legislativa só caiba a União. 
Características: Poderá ocorrer por meio de procedimento unilateral ou de forma verbal, por ser o ato auto-executório, ou seja, independe da aquiescência do particular, intervenção do poder judiciário, desde que respeitando procedimento adequado e oneração,a posteriori se houver dano.
Modalidades: Sobre móveis ou imóveis, nos termos do Decreto Lei nº 4812/42.
 
Desapropriação:
1.Conceito:
Nas lições do doutrinador Hely Lopes “é a transferência compulsória de propriedade particular (ou pública de entidade de grau inferior para superior) para o Poder Público ou seus delegados, por utilidade, ou necessidade pública, ou ainda, por interesse social, mediante prévia e justa indenização em dinheiro (artigo 5º, XXIV da CR), salvo as exceções constitucionais”.
Por essa definição podemos classificar a desapropriação como forma originária de aquisição da propriedade, porque não provém de nenhum título anterior, e por isso, o bem torna-se, em regra impossível