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Apostila Profª Nilma Bastos

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tenhamos apresentado a visão dessa insigne doutrinadora preferimos a posição levantada pelo doutrinador José Maria Pinheiro Madeira, não o vendo apenas como um dos aspectos da razoabilidade, por várias razões como:
1.	A que apresenta o princípio dentro da Constituição como uma idéia fundante e complementar em relação ao princípio da reserva legal, pois o Poder Público deve atuar conforme a lei formal, e sob proporcionalidade;
2.	Também o vê conectando-se aos Princípios da República (art.1º), da cidadania (art.1º, II) e o princípio da dignidade da pessoa humana (art.5º);
3.	Por ter papel indispensável na consecução de um dos princípios objetivos do Estado, qual seja o de reduzir as desigualdades econômicas (art.3º, III da CR);
4.	No âmbito administrativo, o princípio deve reger a contratação temporária de funcionários, a qual deve obedecer ao critério da necessidade (art.37, IX e XXI da CR);
No aspecto prático este princípio significa que o Estado não deve agir com demasia, tampouco de modo insuficiente na realização de seus objetivos, promovendo uma adequação axiológica (princípios) e finalística pelo agente público de maneira adequada nas relações de administração e no controle das mesmas. 
*Parâmetros;
Necessidade // Adequação 
Exigibilidade 
Vantagens maiores que as desvantagens
Princípio da Motivação:
 
O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo espaço para atos sem fundamento.
 	
Diverge a doutrina quanto à obrigatória ou não da fundamentação. Antes de examinarmos tal divergência, torna-se necessário entender a diferença entre motivo e motivação. O primeiro fala do fato que deu origem ao ato (circunstância fática) e o segundo fala dos fundamentos para sua execução.
A corrente majoritária entende que a motivação é obrigatória; enquanto a segunda corrente repousa sua teoria na necessidade, e não obrigatoriedade de sua existência para a validade do ato.
Para o doutrinador Celso Antônio Bandeira de Mello, Maria Sylvia Zanella di Pietro, José Maria Pinheiro Madeira: é obrigatória a motivação, uma vez que no Estado Democrático de direito, o interesse público deve estar atrelado a aplicação do direito, sob pena de abusos e arbitrariedades.
 Não se pode desviar da necessidade de expor claramente os motivos que levaram o administrador a praticar qualquer ato que esteja a seu encargo, embora o doutrinador José dos Santos Carvalho Filho, entenda inexistir a obrigatoriedade da motivação dos atos administrativos, devido à falta de qualquer princípio constitucional com tal intentio.
 III – Princípios Informativos Constitucionais:
Legalidade:
O princípio da legalidade nasceu com o Estado de Direito e constitui uma das principais garantias dos direitos individuais. Isto porque a lei deve definir e estabelecer os limites para a atuação administrativa discricionária e vinculada, pois ambas decorrem da lei.
É possível dizer então, que a vontade da administração decorre da lei (fundamento e limite de validade), só podendo fazer aquilo que ela autoriza. Diferente será no âmbito das relações entre particulares, nas quais vige o princípio da autonomia da vontade.
A Constituição fez previsão desse princípio no artigo 5º, inciso II da Constituição República. Em decorrência disso, não pode a Administração Pública por simples ato administrativo criar obrigações, conceder direitos, ou impor vedações aos administrados, exceto como regulamento da lei.
Outro artigo garante que o referido preceito está no art.5º, XXXV da Constituição da República, que determina que a lei não excluirá do Poder Judiciário, lesão ou ameaça a direito; além de o mesmo diploma legal prevê alguns remédios constitucionais, em havendo violação do princípio referido como: ação popular, habeas corpus, habeas data, mandado de injunção e mandado de segurança.
 
 Exemplos: 
·	Art.5ºdo DL3365/41- traz o limite legal para desapropriação por utilidade pública;
·	 Art.24 da Lei 8666/93- traz o limite do “poder” de dispensa no procedimento da licitação;
·	 D.Lei 3365/41, art.15- A- Veda a desapropriação indireta ou apossamento, dando direito à verba indenizatória.
Impessoalidade:
 Este princípio aparece, pela primeira vez, com essa denominação no artigo 37 da Constituição da República. Visando exigir impessoalidade da administração em relação aos administrados, ou seja, na atuação administrativa deve ser observada a finalidade pública ou de acordo com outra corrente majoritária a igualdade e a isonomia.
 
Essa finalidade pública impede que os administradores venham usar seu nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal, e caso o façam poderá gerar impedimento e suspeição, ou seja, parcialidade do administrador (art.2º/ 18 / 21 da Lei 9784/99) e nulidade do ato.
Exemplos: Quando se reconhece a validade dos atos praticados por servidores públicos, sob o fundamento que os atos são dos órgãos e não dos agentes;
 Concurso público deve respeitar a colocação.
Moralidade:
 Aqui aparece uma divergência, já que nem todos os autores aceitam a existência desse princípio; alguns entendem que o conceito é vago e impreciso e por isso o vêem absorvido pelo princípio da legalidade, enquanto outros entendem que o princípio surgiu e se desenvolveu sob a idéia de desvio de poder ou improbidade administrativa.
Em face do direito positivo brasileiro, a reposta é negativa, quanto a primeira corrente, pois a Constituição República de 1967, no artigo 82,V considerou como crime de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a probidade administrativa; e a Constituição de 1988, corroborou com esse entendimento ao repetir aquela norma no artigo 85, V, e ainda promoveu um avanço, ao mencionar, no artigo 37 caput, como princípios autônomos: o princípio da legalidade e da moralidade.
 
A carta Magma puniu os atos de improbidade administrativa com a suspensão dos direitos políticos, perda da função e etc. (art.37, §4º da CR).
Exemplos: Art.9º da Lei 1079/50; Art. 3º da Lei 8429/92; Art.2º e seu § único, inciso IV da Lei 9784/99.
 
É de bom alvitre lembrar que, tal princípio também será aplicável ao particular, quando este se relaciona com a administração pública.
 Exemplo: Lei 8484/ 94 – licitação em quartel.
Moralidade então, se relaciona juridicamente com o ato praticado por particular ou pela Administração, que embora em consonância com a lei, ofenda a moral, os bons costumes, as regras da administração e os princípios da honestidade comum.
Publicidade:
O princípio da publicidade exige ampla divulgação dos atos praticados pela Administração Pública, ressalvada as hipóteses de sigilo previstas em lei. Por isso, pode-se dizer que publicação do ato fala de eficácia do ato e de controle. Existem atos que poderão ser publicados em resumo ou na íntegra, e só após esta publicação o ato produzirá efeito. 
A Constituição da República prevê esse princípio no art.37, além de outros preceitos que o restringem ou ampliam:
Art.5º, inciso LX da CR- intimidade e interesse pessoal;
Art. 5º, inciso XIV da CR- acesso a informação e resguardo da fonte;
Art.5º inciso XXXIII da CR- direito de receber informações dos órgãos públicos;
Art.5º inciso LXXII da CR- habeas data;
Art.5º inciso XXXIV da CR.
 Além da eficácia, esse princípio fala de controle que só será possível, em tese posteriormente a feitura do ato, pois antes não se tem como controlá-lo.
Exemplo. Decreto só poderá ser controlado após da publicação;
 
 Investigações policiais art.20 do código de processo penal admite sigilo;
Finalidade:
 A Administração Pública deve agir com a finalidade de atender ao interesse público visado pela lei. Caso contrário, dar-se-á o desvio de finalidade, que é uma forma de abuso do poder, acarretando a nulidade de ato. 
O objetivo certo e inafastável de qualquer ato administrativo têm que ser o interesse público, exigido nos contratos