Newton de Lucca inicia+º+úo ao direto empresarial
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Newton de Lucca inicia+º+úo ao direto empresarial


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ver que eu vou fazer referência daqui a pouco a alguns deles que foram sintomáticos em mostrar que na cabeça dos nossos Magistrados essa teoria da empresa já estava penetrando. De que maneira isto? Vejam que coisa interessante, as ações renovatórias de locação. A ação renovatória compulsória de locação. Sempre ela foi outorgada para quem? Para o comerciante. Na década de 30 editou-se uma lei que ficou conhecida por Lei de Luvas e que significava o que? Olha, precisa proteger o chamado ponto do negócio, não é? O que acontecia? O comerciante ia lá, desenvolvia sua atividade, enriquecia muito o local, ele se valorizava significativamente e depois o locador dizia não, eu não quero mais você aí, ele ia vender ou ele ia ocupar ou então queria um valor exacerbadamente maior para aquele aluguel. Então, veio uma lei para dizer não, precisa-se proteger o ponto do comércio, o ponto do negócio, aquele que com o seu trabalho contribuiu para enriquecer, mas isto, veja, vejam bem, era outorgado para quem? Para esta figura do comerciante. E na lei sempre foi assim. Muito bem, o que aconteceu depois de um certo passar de tempo? Nós começamos a ter alguns hospitais, começamos a ter alguns colégios, escolas que obtinham a renovação compulsória da sua locação e eram por acaso comerciantes? Num ou noutro caso podia ser, se fosse por exemplo, o hospital fosse revestido de sociedade anônima, as senhoras e os senhores sabem, o que é mercantil? É mercantil o que o legislador vem e diz que é. Quando for sociedade anônima não importa o que ela explora, ela é mercantil por força de lei. Então, se um hospital é constituído sob a forma de uma sociedade anônima, não importa o que ele faz, se ele presta serviço, se ele dá injeção, se ele opera, se ele mata, se ele cura, ele é uma sociedade mercantil. Mas um ou outro caso só é que a constituição dessas entidades a que eu me referi eram mercantis, eram sociedades anônimas, algumas eram sociedades tipicamente civis, prestadoras de serviço com os seus atos constitutivos levados a registro no Registro Civil de Pessoas Jurídicas e, no entanto, obtinham a renovação compulsória da locação, por quê? Por quê, se isto não estava nem previsto na lei? Vejam que reflexão interessante a ser feita. Obviamente o que passava pela cabeça dos Magistrados que aceitaram que se fizesse a renovação compulsória nesses casos, obviamente ocorria que esses Magistrados percebiam que lá existia uma organização, havia uma atividade organizada para produção ou para circulação de bens ou de serviços. Então, estava em causa não defender exclusivamente o comerciante, o ponto do negócio, aquele que valoriza o local. O bem jurídico relevante aí era toda aquela organização empresarial, toda aquela estrutura que havia sido montada e em relação à qual haveria múltiplos interesses interagindo, então o direito tinha interesse em proteger este novo valor e vejam que isto chegou a acontecer também em relação a concordatas que foram concedidas, vejam, o que é concordata? Concordata é um favor legal, todos aqui sabem disso, não é, vem da lei belga que fala que é um favor que se dá para o comerciante \u201cmalleurez et de bone effort\u201d, para o comerciante infeliz e de boa fé; não sei se é sempre verdade isso que ocorre, mas enfim, isso são outros R$500,00, nós não vamos discutir nesse momento, fica para uma vez que o Dr. Caruso me convidar para falar sobre falência e concordata, eu virei com muito prazer e sempre com esta promessa de que absolutamente será gratuito, se eu receber alguma coisa, eu faço a doação para o Fome Zero aí. Isto é uma outra discussão, evidentemente, uma outra discussão, uma discussão muito séria porque nós precisamos melhorar o instituto da concordata no Brasil, nós precisamos introduzir o instituto da recuperação da empresa, isto sim e já se faz nos Estados Unidos, se faz na Itália, se faz na França e nós não, nós temos ou a falência ou a concordata e na verdade as duas funcionando muito mal, essa é que é a verdade. Não há quem não reconheça isso, eu não conheço um jurista, eu não conheço um jurista conhecedor do Direito Comercial que não defenda a pronta reformulação integral do nosso diploma de 1945, é uma luta na qual eu me enfiei já faz mais de 20 anos e vou continuar, enquanto eu tiver energia para falar sobre isso, eu vou continuar falando. E também vejam, o terceiro fator pelo qual eu afirmei que, na verdade, a teoria da empresa já vinha penetrando no nosso Direito, é que a legislação que foi sendo editada tinha o caráter de um direito empresarial. Vejam, é absolutamente errôneo algumas pessoas, de maneira muito fora da realidade, acham que o nosso Direito Comercial era o direito que estava nessa parte que foi revogada pelo Código Civil, aquela parte de 1850. Ora, é claro que esta parte foi revogada e agora só ficou do velho Código de 1850 só ficou vigente a parte do direito marítimo, é a única coisa que ficou vigente, o resto foi tudo incorporado pelo Código Civil, operou-se uma unificação do direito obrigacional que, a meu ver, era tranqüila, era pacífica. A Suíça já tinha feito isso em 1800 e qualquer coisa, a Itália fez em 1942, não havia porque não unificar o direito obrigacional porque no fundo, mesmo com o Código Comercial de um lado e o Código Civil do outro, o Professor Fábio Comparato já dizia muito bem isso, nós não tínhamos dois sistemas, era um sistema só. Se vocês pegarem, o que era um mandato mercantil? o que era locação mercantil? O que era a fiança mercantil? Era, a fiança mercantil era a fiança do Direito Civil com regras específicas, mas não era um sistema diferente, tanto que o Código Comercial mandava aplicar subsidiariamente o Código Civil e eu sempre disse para os meus alunos isso, olha todo comercialista precisa conhecer Direito Civil. O civilista não precisa conhecer Direito Comercial mas o comercialista precisa conhecer tanto o Direito Comercial quanto o Direito Civil. É lógico, porque o Direito Comercial sempre esteve necessariamente jungido, umbilicalmente ligado ao Direito Civil. Mas vejam, o que era o Direito Comercial? Vocês querem ver? Esta é uma afirmação que eu não posso deixar de fazer e ela está até fora dos slides, se os senhores me fizerem a seguinte pergunta: Professor, quer dizer que com esta unificação, nós temos toda a matéria do Direito Comercial ou do Direito Empresarial, para usar a terminologia mais moderna, nós estamos com tudo isso dentro do Código Civil?
E qual é a resposta que eu vou dar a vocês?
Eu vou dizer, claramente ,não. Só foi unificada a parte obrigacional, nós só vamos abandonar aquela velha parte do Código Comercial de 1850. Agora, os senhores querem ver? Os modernos contratos mercantis, o leasing, a franquia, a faturização ou factoring, todas essas modernas técnicas estão totalmente fora, estão em legislação extravagante e toda a matéria do direito marcário, toda parte do direito industrial, as invenções, os privilégios, o Código Civil tem alguma coisa a respeito disso? Nada. Isto está no Código da Propriedade Industrial. A parte do Direito Autoral, a parte de informática, lei 9609, lei 9610, os títulos de crédito a que eu me referi há pouco, isto é matéria de convenção internacional. As senhoras e os senhores sabem disso. O Brasil aderiu às convenções de Genebra na década de 30, foi até uma coisa muito curiosa porque nós ficamos durante muito tempo sem saber se elas estavam em vigor ou não, o Brasil só em 1942 é que depositou, naquele tempo era Sociedade das Nações, não era nem Organização das Nações Unidas e agora do jeito que as coisas vão também não se sabe se vai continuar existindo. Depois só em 1966 é que o Brasil por dois decretos do Presidente da República colocou em vigor as convenções e aí nós tivemos uma situação curiosíssima aí, e eu até conto para descontrair um pouco o ambiente, que eu sei que estou cansando vocês com tanta informação feita de forma abrupta, mas eu conto para vocês uma coisa pitoresca. O meu Professor de Direito Comercial, saudoso Professor Mauro Brandão Lopes, não, foi um pouquinho depois, um pouquinho depois,