02-P. Limitadores  Função Punitiva  Estado - Prof. PES
21 pág.

02-P. Limitadores Função Punitiva Estado - Prof. PES


DisciplinaDireito Penal I81.116 materiais1.374.901 seguidores
Pré-visualização5 páginas
\ufffdPAGE \ufffd
\ufffdDireito Penal I 
Profº. Paulo Eduardo Sabio
Direito Penal \u2013 Aula 02 
Princípios Limitadores da Função Punitiva do Estado
Lei Penal em Branco
Princípio da Legalidade
Princípio da Fragmentariedade
Princípio da Intervenção Mínima 
Princípio da Humanidade
Princípio da Insignificância 
Princípio da Culpabilidade
Lei Penal em Branco
1. Considerações Iniciais
	
 Nessa nossa segunda aula estudaremos, basicamente, os princípios limitadores da função punitiva do Estado, e, ao final, abordaremos ainda a denominada Lei Penal em Branco. 
Pois bem: Comecemos com o tão falado \u201cPrincípio da Legalidade\u201d. 
2. Princípio da Legalidade
2.1. Considerações Gerais
	Tal princípio rege o ordenamento jurídico como um todo\ufffd, e não apenas o Direito Penal. Entretanto, em cada ramo do direito ele adquire um contorno diferenciado. 
Sendo que: se este princípio é importante para o ordenamento jurídico como um todo, mais ainda será para o Direito Penal, em virtude da natureza das sanções por ele impostas aos indivíduos e da gravidade dos meios que o Estado emprega na repressão dos delitos. 
Em outros termos: o Princípio da Legalidade tem importância capital para o Direito Penal, pois tal ramo do Direito é, por excelência, o maior limitador da liberdade individual em prol do bem comum, no entanto, este poder de limitação da liberdade não pode ser \u201carbitrário\u201d. E para combater qualquer espécie de arbitrariedade, nada melhor do que o nosso bom e velho princípio da legalidade. Pode-se, portanto, afirmar que o princípio em estudo é a limitação do limitador. 
Saiba que: o princípio da legalidade é um dos principais pilares de sustentação do denominado Estado de Direito, e vem, tal princípio, insculpido no artigo 5º, incisos II e XXXIX da Constituição Federal e no artigo 1º do Código Penal. Vamos dar uma olhada nos referidos dispositivos: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
( ... ) 
II \u2013 ninguém será obrigado a fazer ou deixar alguma coisa senão em virtude de lei; 
( ... ) 
XXXIX \u2013 não há crime sem lei anterior que o defina e nem pena sem prévia cominação legal. 
Art. 1º. Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. 
2.2. Princípio da Legalidade: Breve Histórico
Antes de adentrarmos nos aspectos técnicos do princípio da legalidade, convém falarmos um pouco de seus aspectos históricos, mesmo que de forma sucinta. Em termos precisos, o princípio da legalidade foi formulado pela primeira vez na Declaração dos Direitos dos Homens, em 1789, durante a Revolução Francesa. Preceituava, tal diploma legal, que ninguém será punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada\ufffd anteriormente ao delito, e legalmente aplicada.
Sendo que: após esta primeira aparição efetiva, o princípio da legalidade foi inserido em todas as constituições dos povos cultos\ufffd. Entre nós, ele surgiu na Constituição de 1824, que preceituava que ninguém será sentenciado senão pela autoridade competente e em virtude de lei anterior, e na forma por ela prescrita. 
Saiba que: embora tenha sofrido algumas pequenas alterações, o princípio da legalidade foi inserido em todas as constituições brasileiras subseqüentes. 
Além do que: Não se tem dúvidas de que o princípio da legalidade representa uma das mais importantes conquistas de índole política inscrita nas constituições de todos os regimes democráticos e liberais. 
Isto porque: Como já fora anteriormente exposto, este princípio se constitui em sendo uma efetiva limitação ao direito de punir do Estado. 
Perceba que: sempre se soube que o poder punitivo estatal precisava ser controlado, e que este \u201ccontrole\u201d deveria coibir a ocorrência de qualquer tipo de arbitrariedade ou excesso, do poder punitivo. E para o exercício deste \u201ccontrole\u201d, tem-se como principal instrumento, o princípio da legalidade. 
A propósito: o princípio em estudo, tal como dissemos anteriormente, vem insculpido no artigo primeiro do Código Penal. Vejamos, mais uma vez, o dispositivo: 
Art. 1º. Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. 
A propósito: não se esqueça que o princípio da legalidade tem como fundamento, também, o artigo 5º, incisos II e XXXIX da Constituição Federal, sendo que, tais incisos podem assim serem transcritos: 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei\u201d 
XXXIX \u2013 não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
2.3. Princípio da Legalidade: Aspectos Políticos e Jurídicos 
	Diz-se que o princípio da legalidade tem um dúplice aspecto: um político e um jurídico. Vejamos cada um desses aspectos: 
Aspecto Político: o aspecto político do princípio da legalidade se origina do fato de este ser uma garantia individual dos direitos do homem. Como bem leciona Luiz Régis Prado, o seu fundamento político radica, principalmente, na função de garantia da liberdade do cidadão frente a intervenção estatal arbitrária por meio da realização da certeza do direito. 
Aspecto Jurídico: o princípio em tela, por óbvio, também possui um aspecto jurídico, técnico. E sob o prisma jurídico, tal princípio impõe que apenas se possa taxar de criminosa uma determinada conduta quando existir perfeita correspondência entre a conduta praticada e o dispositivo legal. 
A propósito: Não se pode esquecer que o ilícito penal não pode ser estabelecido de maneira imprecisa. Deve haver uma descrição pormenorizada da conduta, sob pena de se suprimir a segurança jurídica, que é uma das bases da convivência harmoniosa em sociedade, por isso que, via de regra, os tipos penais são fechados, tal como dissemos na aula passada. 
Saiba que: o princípio da legalidade corresponde, em verdade, a uma das aspirações mais básicas e fundamentais do homem, que é a de ter uma proteção contra qualquer forma de abuso por parte do Estado quando este for exercer o jus puniendi ( direito de punir). É necessário que a liberdade do cidadão não seja suprimida pelo Estado, senão nos casos previstos em lei. 
2.4. Princípio da Legalidade e Tipicidade
	Afirma, a maioria da doutrina, que a teoria da tipicidade conferiu mais técnica ao princípio da legalidade. 
Saiba que: a tipicidade pode ser definida como sendo a perfeita adequação de uma conduta humana à um tipo penal, a uma norma penal incriminadora\ufffd. E o um tipo penal, por sua vez, pode ser definido como sendo a descrição abstrata de um fato real, que a lei proíbe. Tal como ensina-nos o Profº. Luiz Régis Prado, o tipo penal vem a ser o modelo, o esquema conceitual da ação ou omissão vedada. 
Sendo que: tal como leciona a maioria da doutrina, tem utilidade inquestionável a teoria do tipo, concebida em 1907, por Ernst Beling. E isto se afirma pois é o tipo penal que realiza e garante o princípio da legalidade. 
Em outras palavras: o princípio em estudo, como se viu, preceitua que não haverá crime sem lei que o defina, e tal definição é feita através do tipo penal. 
Pode-se concluir, portanto, que: o tipo penal confere aplicabilidade ao princípio da reserva legal. 
A propósito: sobre \u201ctipo penal\u201d e \u201ctipicidade\u201d mais se estudará, no momento adequado. 
2.5 Princípio da Legalidade e Anterioridade da Lei
	
O artigo 1º do Código Penal, que já foi transcrito anteriormente, abarca dois aspectos: o da legalidade em si, e o da anterioridade da lei. 
Sendo que: o aspecto da legalidade, propriamente dito reserva ao campo da \u201clei\u201d a tarefa de descrever crimes e cominar penas ( não há crime sem lei que o defina), e o aspecto da anterioridade se evidencia através da expressão \u201clei anterior\u201d. 
Ou seja: faz-se necessário que a lei definidora de um crime esteja em vigor na data do fato\ufffd . Para que se puna alguém pela prática de uma conduta delituosa, sua lei