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04-Âmbito de Eficácia da Lei Penal – P-II - Prof. PES

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de ser o fato punível também no local onde foi praticado, não importa que ele seja previsto legalmente com o mesmo nomem juris ou com outro. 
Se o fato for praticado em região que não está submetida a nenhuma legislação penal, como por exemplo, a região polar, o fato cometido pelo nacional deverá se submeter à legislação penal pátria. 
Em relação ao instituto da extradição, este pode ser definido como sendo o instrumento jurídico pelo qual um Estado soberano envia pessoa que se encontra em seu território à outro Estado soberano a fim de que, neste, seja julgada ou receba a imposição de uma pena já aplicada
Convém ainda, no tocante à extradição, ressaltar que entre nós vigora o “Princípio da Não-Extradição de Nacionais”, segundo o qual nenhum nacional será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum praticado antes da naturalização ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes. O princípio em comento é previsto pelo artigo 5º, inciso LI da Constituição Federal. Vamos dar uma olhada no dispositivo:
“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito á vida, á liberdade, á igualdade, á segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
( ... ) 
LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei. 
No que toca à extradição, convém também expor que vige, também, entre nós, o “Princípio da Limitação em Razão da Pena”, segundo o qual não será concedida a extradição para países onde a pena de morte e a prisão perpétua são previstas, a menos que dêem garantias de que não se irão aplicá-las. 
6. Eficácia da Lei Penal em Relação às Pessoas que Exercem Determinadas Funções
	Para finalizar esta nossa aula e o tema “âmbito de eficácia da lei penal”, devemos fazer alguns comentários acerca da eficácia da lei penal em relação às pessoas que exercem determinadas funções. 
A propósito: o estudo deste tópico é de extrema importância pois, regra geral, a lei penal tem eficácia erga omnes, ou seja, se aplica à todos, indistintamente, aliás, nunca é demais lembrar que o artigo 5º, caput, da Constituição Federal preceitua, que todos são iguais perante a lei. 
No entanto: não são todas as pessoas que se encontram dentro do nosso território que estão sujeitas à aplicação da lei penal, e mais ainda, algumas das pessoas que se encontram dentro de nosso território, apesar de também se sujeitarem às nossas leis penais, o fazem de uma maneira diferenciada. 
Preste muita atenção: é importante que se ressalte que esses privilégios não são concedidos em razão da pessoa, mas sim em virtude da função por elas exercida, sendo que, por isso, tais limites de incidência da lei penal não se configuram em sendo uma afronta ao Princípio da Igualdade. Não são privilégios pessoais, e sim funcionais. 
A propósito: vejamos agora algumas das hipóteses nas quais a lei penal terá sua eficácia limitada em razão das funções exercidas por determinadas pessoas: 
Imunidades Diplomáticas: estas são oriundas do Direito Internacional, e excluem, da aplicação da lei penal dos países onde se encontram creditados, estabelecidos, os Chefes de Estado e representantes dos governos estrangeiros. Segundo o Profº Damásio Evangelista de Jesus, os representantes diplomáticos não se sujeitam à jurisdição criminal do país onde estão creditados porque suas condutas permanecem sob a eficácia da lei penal do Estado ao qual pertencem�. 
Preste atenção: os funcionários do corpo diplomático também gozam desta imunidade, bem como também os componentes da família do representante. 
Porém: este privilégio não se estende aos cônsules, pois suas funções são meramente administrativas. 
Chefes de Governo: os soberanos das monarquias constitucionais são invioláveis, em virtude do cargo que exercem. E dependendo do preceito constitucional, não respondem pelas infrações por ele cometidas. 
Porém: o mesmo não ocorre em relação aos presidentes de repúblicas, que se sujeitam à regime criminal especial. 
Sendo que: dissemos que os presidentes de repúblicas se sujeitam à um regime criminal especial por dois motivos, quais sejam: 
A competência originária para o julgamento do presidente da república em caso de este ter cometidos crimes comuns é do Supremo Tribunal Federal�, que se configura em sendo o nosso órgão jurisdicional máximo. 
E tem mais: o julgamento por parte de nossa Suprema Corte dependerá de prévia aprovação da câmara dos deputados com relação à acusação em si. 
No caso de um presidente da república cometer um crime de responsabilidade�, a competência para o julgamento de tal crime será do Senado Federal, e também se depende, neste caso, de prévia aprovação da Câmara dos Deputados no que toca à acusação em si. 
 
Questão – Problema
Um amigo brasileiro de seu chefe, que passou vinte anos no Marrocos, voltou ao Brasil, depois de tanto tempo, para cuidar dos negócios da família. Ocorre que, 03 meses antes de voltar ao Brasil, enquanto ele ainda estava no Marrocos, contraiu núpcias com 02 ( duas ) mulheres, pois naquele país, em face dos costumes islâmicos que lá vigoram, como bem se sabe, não se condena a bigamia, desde que o homem tenha condições de sustentar mais de uma família, sem que nenhuma dessas seja prejudicada Entretanto, quando, após alguns dias de seu retorno ao Brasil, ele foi ao cartório para regularizar sua situação familiar, foi informado pelo cartório que aqui ainda se condena a bigamia, e que, além de ser impossível legalizar judicialmente dois matrimônios, ele ainda poderia ser processado criminalmente por isso, haja vista que o nosso Código Penal, em seu artigo 235 assim preceitua: 
Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento. 
Pena – reclusão, de 2 ( dois ) a 6 ( seis ) anos. 
Diante de tais informações, o amigo brasileiro de seu chefe, que é recém chegado do Marrocos fica desesperado, e procura seu chefe para lhe contar a história, e a imensa preocupação que agora o assola. Seu chefe, que você é um “expert” em Direito Penal, lhe convoca para uma reunião juntamente com seu amigo recém chegado do Marrocos para que você opine sobre a situação, no que se refere as eventuais conseqüências penais que ele poderia sofrer. 
O angustiado amigo do seu chefe, lhe faz as seguintes perguntas: 
1 – Eu, sendo brasileiro e tendo cometido um crime em outro país posso vir a ser processado e julgado criminalmente aqui no Brasil ? Porque ? Qual o dispositivo legal que diz isso ? 
2 – Mesmo a bigamia não sendo crime no Marrocos eu, por ser brasileiro, poderia sofrer alguma conseqüência jurídico-penal aqui no Brasil pelo fato de tal conduta ser tipificada como crime pelo nosso Código Penal ? 
3 – Depois de você ter respondido tais indagações, o seu chefe lhe faz a seguinte pergunta: no que toca às contravenções penais, como funciona a extraterritorialidade de nossa lei penal ? 
Preste muita atenção: Lembre-se que a extraterritorialidade, em alguns casos é condicionada à certas circunstâncias. 
	Diante de tais questionamentos, responda as indagações do angustiado bígamo, tendo por base tudo que foi exposto na aula de hoje e, para mostrar ao seu chefe que você realmente entende de Direito Penal, responda também a pergunta que lhe foi por ele feita sobre as contravenções penais. 
A propósito: Na próxima aula adentraremos no estudo do crime em si, começaremos, na próxima aula, a estudar um pouco sobre “Teoria Geral do Crime”, e nossas aulas tendem a ficar cada vez mais empolgantes, pode acreditar. E um pouco mais extensas também, é verdade, mas não será nada que exija um esforço “fora do comum”. 
Quadro Sinóptico 
1. A nossa Lei Penal não vige em todo o mundo, a exemplo do que ocorre com a lei penal de outros Estados Soberanos.