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WL-OO-Apostila-01-Direito Administrativo-04

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aos das 
empresas particulares (CF, art. 173, § 1º), mas a entidade ficará sempre sujeita às 
exigências administrativas especificas que a lei instituidora ou norma especial lhe impuser. 
Certos atos, entretanto, podem sujeitar-se a mandado de segurança desde que, praticados no 
desempenho de funções delegadas do Poder Público, ofendam direito líquido e certo do 
impetrante (Lei 1.533/51, art. 1º, § 1º). 
 Quanto à contratação de obras, serviços e compras, bem como à 
alienação de seus bens, a sociedade de economia mista fica sujeita a licitação, nos termos 
do Dec.-lei 2.300/86, quando não tiver regulamento devidamente publicado, que estabeleça 
um procedimento licitatório próprio e adequado às suas finalidades, com observância dos 
princípios básicos da licitação (art. 86). 
 O dirigentes de sociedade de economia mista são investidos em seus 
cargos ou funções na forma que a lei ou o seu estatuto estabelecer, mas a destituição da 
diretoria ou do conselho pode ser feita a qualquer tempo. 
 O pessoal da sociedade de economia mista – dirigentes e empregados 
– rege-se sempre pelas normas do Direito do Trabalho, por expressa determinação 
constitucional (art. 173, § 1º), nestas compreendidas as disposições da CLT e das leis 
previdenciárias e acidentárias comuns. Todavia, embora não sendo servidores públicos, os 
que trabalham nessas sociedades ficam sujeitos, também, à vedação constitucional de 
acumulação remunerada de cargos, funções ou empregos (art. 37, XVII). Somente para 
efeitos criminais, nos delitos relacionados com a função, é que o pessoal das sociedades de 
economia mista se equipara a funcionário público, por expressa determinação do parágrafo 
único do art. 327 do CP. 
 Os serviços sociais autônomos são todos aqueles instituídos por lei, 
com personalidade de Direito Privado, para ministrar assistência ou ensino a certas 
categorias sociais ou grupos profissionais, sem fins lucrativos, sendo mantidos por dotações 
orçamentárias ou por contribuições parafiscais. São entes paraestatais, de cooperação com o 
Poder Público, com administração e patrimônio próprios, revestindo a forma de instituições 
particulares convencionais (fundações, sociedades civis ou associações) ou peculiares ao 
desempenho de suas incumbências estatutárias. São exemplos desses entes os diversos 
serviços sociais da indústria e do comércio (SENAI, SENAC, SESC, SESI), com estrutura 
e organização especiais, genuinamente brasileiras. 
 Essas instituições, embora oficializadas pelo Estado, não integram a 
Administração direta nem a indireta, mas trabalham ao lado do Estado, sob seu amparo, 
cooperando nos setores, atividades e serviços que lhes são atribuídos, por considerados de 
interesse específico de determinados beneficiários. Recebem, por isso, oficialização do 
Poder Público e autorização legal para arrecadarem e utilizarem na sua manutenção 
contribuições parafiscais, quando não são subsidiadas diretamente por recursos 
orçamentários da entidade que as criou. 
 Assim, os serviços sociais autônomos, como entes de cooperação, do 
gênero paraestatal, vicejam ao lado do Estado e sob seu amparo, mas sem subordinação 
hierárquica a qualquer autoridade pública, ficando apenas vinculados ao órgão estatal mais 
relacionado com suas atividades, para fins de controle finalístico e prestação de contas dos 
dinheiros públicos recebidos para sua manutenção (Lei 2.613/55, arts. 11 e 13; Dec.-lei 
200/67, art. 183; Decs. 74.000/ 74 e 74.296/74; CF, art. 70, parágrafo único). 
 Como as outras entidades paraestatais, os serviços sociais autônomos 
regem-se pelas normas do Direito Privado, com as adaptações expressas nas leis 
administrativas de sua instituição e organização. Seus empregados estão sujeitos à 
legislação do trabalho em toda sua plenitude, só sendo equiparados a funcionários públicos 
para responsabilização criminal dos delitos funcionais (CP, art. 327, parágrafo único). 
 Os dirigentes de serviços sociais autônomos, no desempenho de suas 
funções, podem ser passíveis de mandado de segurança (Lei 1.533/51, art. 1º, § 1º), e se o 
ato ou contrato for lesivo do patrimônio da entidade enseja ação popular com 
responsabilização pessoal de quem o praticou ou ordenou sua prática (Lei 4.717/ 65, arts. 1º 
e 6º). 
 Os serviços sociais autônomos não gozam de privilégios 
administrativos, nem fiscais, nem processuais, além daqueles que a lei especial 
expressamente lhes conceder. A propósito, é de se recordar que o STF já sumulou que o 
Serviço Social da Indústria – SESI está sujeito à Justiça Estadual (Súmula 516), regra que 
se aplica aos demais serviços congêneres. 
 Já vimos que o Poder Público pode realizar centralizadamente seus 
próprios serviços, por meio dos órgãos da Administração direta, ou prestá-los 
descentralizadamente, através das entidades autárquicas, fundacionais e paraestatais que 
integram a Administração indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia 
mista e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público), ou, ainda, por meio de entes 
paraestatais de cooperação que não compõem a administração direta nem a indireta 
(serviços sociais autônomos e outros) e, finalmente, por empresas privadas e particulares 
individualmente (concessionários, permissionários e autorizatários; CF, arts. 21, XII, e 
175). 
 Quando a Administração Pública executa seus próprios serviços, o 
faz como titular dos mesmos; quando os comete a outrem, pode transferir-lhes a titularidade 
ou simplesmente a execução. A transferência da titularidade do serviço é outorgada por lei 
e só por lei pode ser retirada ou modificada; a transferência da execução do serviço é 
delegada por ato administrativo (bilateral ou unilateral) e pela mesma forma pode ser 
retirada ou alterada, exigindo apenas, em certos casos, autorização legislativa. Entre nós, a 
outorga de serviço público ou de utilidade pública é feita às autarquias, fundações públicas 
e às entidades paraestatais, pois que a lei, quando as cria, já lhes transfere a titularidade dos 
respectivos serviços, e a delegação é utilizada para o traspasse da execução de serviços a 
particulares, mediante regulamentação e controle do Poder Público. Pela Constituição 
vigente, os prestadores de serviços públicos respondem diretamente pelos danos que vierem 
a causar a terceiros (CF, art. 37, § 6º). A delegação pode ser feita sob as modalidades de: a) 
concessão, b) permissão ou c) autorização, resultando dai os serviços concedidos, 
permitidos e autorizados, que veremos a seguir. 
 Serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em 
seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante 
delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do 
Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão. 
 Concessão é a delegação contratual ou legal da execução do serviço, 
na forma autorizada e regulamentada pelo Executivo. O contrato de concessão é ajuste de 
Direito Administrativo, bilateral, oneroso, comutativo e realizado intuitu personae. Com 
isto se afirma que é um acordo administrativo (e não um ato unilateral da Administração), 
com vantagens e encargos recíprocos, no qual se fixam as condições de prestação do 
serviço, levando-se em consideração o interesse coletivo na sua obtenção e as condições 
pessoais de quem se propõe a executá-lo por delegação do poder concedente. Sendo um 
contrato administrativo, como é, fica sujeito a todas as imposições da Administração 
necessárias a formalização do ajuste, dentre as quais a autorização legal, a regulamentação 
e a licitação. 
 A lei apenas autoriza a concessão e delimita a amplitude do contrato 
a ser firmado; o regulamento estabelece as condições de execução do serviço; o contrato 
consubstancia a transferência da execução do serviço, por delegação, ao concessionário, 
vencedor da concorrência. O contrato há que observar os termos da lei, do regulamento e 
do edital da licitação, sob