A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
112 pág.
WL-OO-Apostila-01-Direito Administrativo-04

Pré-visualização | Página 24 de 37

e financeiro do contrato, terá que 
reajustar as cláusulas remuneratórias da concessão, adequando as tarifas aos novos 
encargos acarretados ao concessionário. 
 A alteração unilateral do contrato de concessão é admissível sempre, 
mas unicamente no tocante aos requisitos do serviço e com correlata revisão das cláusulas 
econômicas e financeiras afetadas pela alteração, para manter-se o equilíbrio econômico e 
financeiro inicial. 
 A fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público 
concedente, que é o fiador de sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já 
vimos que serviços públicos e serviços de utilidade pública são sempre serviços para o 
público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, 
permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas. Para assegurar esses requisitos, 
indispensáveis em todo serviço concedido, reconhece-se à Administração Pública o direito 
de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, 
contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a 
rentabilidade do serviço, fixar as tarifas justas e punir as infrações regulamentares e 
contratuais. 
 No poder de fiscalização está implícito o de intervenção para 
regularizar o serviço, quando estiver sendo prestado deficientemente aos usuários ou 
ocorrer sua indevida paralisação. O ato interventivo, expedido previamente pelo 
concedente, deverá indicar os motivos da medida e o prazo de sua duração, e no início e no 
fim da intervenção lavrar-se-á o termo respectivo com todas as indicações necessárias à sua 
regularidade. A intervenção há que ser provisória, pois, se definitiva, importaria 
encampação do serviço ou rescisão do contrato. 
 A execução do serviço concedido deve atender fielmente ao 
respectivo regulamento e às cláusulas contratuais específicas, para plena satisfação dos 
usuários, que são seus legítimos destinatários. Mas, independentemente das normas 
pertinentes, há cinco princípios regedores de todo serviço público ou de utilidade pública de 
presença obrigatória na sua prestação: generalidade, permanência, eficiência, modicidade e 
cortesia. 
 O princípio ou requisito da generalidade significa serviço para todos 
os usuários, indiscriminadamente; o da permanência ou continuidade impõe serviço 
constante, na área e período de sua prestação; o da eficiência quer dizer serviço satisfatório, 
qualitativa e quantitativamente; o da modicidade indica preços razoáveis, ao alcance de 
seus destinatários; o da cortesia significa bom tratamento ao público. 
 Esse conjunto de requisitos ou princípios é, modernamente, 
sintetizado na expressão serviço adequado, que a nossa Constituição adotou, com 
propriedade técnica, ao estabelecê-lo como uma das diretrizes para a lei normativa das 
concessões (art. 175, parágrafo único, IV). 
 Desatendendo a qualquer desses requisitos, o concessionário expõe-
se às sanções regulamentares ou contratuais da concessão, por execução inadequada do 
serviço. 
 O serviço concedido deve ser remunerado por tarifa (preço público), 
e não por taxa (tributo). E a tarifa deve permitir a justa remuneração do capital, o 
melhoramento e a expansão do serviço, assegurando o equilíbrio econômico e financeiro do 
contrato. Daí por que impõe-se a revisão periódica das tarifas, de modo a adequá-las ao 
custo operacional e ao preço dos equipamentos necessários à manutenção e expansão do 
serviço, a fim de propiciar a justa remuneração do concessionário, na forma contratada. 
 A revisão das tarifas é ato privativo do poder concedente, em 
negociação com o concessionário, que deverá demonstrar a renda da empresa, as despesas 
do serviço e a remuneração do capital investido ou a ser investido nas ampliações 
necessárias. 
 Os direitos do usuário devem ser claramente assegurados no contrato 
de concessão, por ser ele o destinatário do serviço concedido. A ausência de cláusulas em 
favor do público tem ensejado o maior descaso das empresas concessionárias pelos direitos 
do usuário, o que não aconteceria se o próprio interessado no serviço dispusesse de 
reconhecimento expresso em seu favor, para exigir a prestação que lhe é mui comumente 
denegada ou retardada, sem qualquer providência punitiva do Poder Público. A atual 
Constituição consagrou expressamente a proteção desses direitos em seu art. 125, parágrafo 
único. II. 
 A extinção da concessão ou a retomada do serviço concedido pode 
ocorrer por diversos motivos e formas. O término do prazo da concessão impõe a reversão 
do serviço ao concedente; o interesse público superveniente à concessão muitas vezes exige 
a encampação ou resgate do serviço; a conveniência recíproca das partes ou a 
inadimplência do concessionário pode conduzir à rescisão do contrato; ou, ainda, a 
ilegalidade da concessão ou do contrato pode impor sua anulação. Em cada uma dessas 
hipóteses, a extinção da concessão ou a retomada do serviço ocorre por circunstâncias e 
atos diferentes e produz conseqüências distintas entre as partes, como veremos a seguir. 
 Reversão, como a própria palavra indica, é o retorno do serviço ao 
concedente ao término do prazo contratual da concessão. Segundo a doutrina dominante, 
acolhida pelos nossos Tribunais, a reversão só abrange os bens, de qualquer natureza, 
vinculados à prestação do serviço. Os demais, não utilizados no objeto da concessão, 
constituem patrimônio privado do concessionário, que deles pode dispor livremente e, ao 
final do contrato, não está obrigado a entregá-los, sem pagamento, ao concedente. Assim é 
porque a reversão só atinge o serviço concedido e os bens que asseguram sua adequada 
prestação. Se o concessionário, durante a vigência do contrato, formou um acervo à parte, 
embora provindo da empresa, mas desvinculado do serviço e sem emprego na sua 
execução, tais bens não lhe são acessórios e, por isso, não o seguem, necessariamente, na 
reversão. 
 As cláusulas de reversão é que devem prever e tornar certo quais os 
bens que, ao término do contrato, serão transferidos ao concedente e em que condições. A 
reversão gratuita é a regra, por se presumir que, durante a exploração do serviço concedido, 
o concessionário retira não só a renda do capital como, também, o próprio capital investido 
no empreendimento. Se nada for estipulado a respeito, entende-se que o concedente terá o 
direito de receber de volta o serviço com todo o acervo aplicado na sua prestação, sem 
qualquer pagamento. Mas casos há de concessão de curto prazo, ou de investimentos 
especiais e de alto custo, que justificam se convencione a indenização total ou parcial dos 
bens da empresa quando da reversão do serviço. 
 A reversão é, assim, a forma normal de extinção da concessão. As 
outras são formas excepcionais. 
 Encampação ou resgate é a retomada coativa do serviço, pelo poder 
concedente, durante o prazo da concessão, por motivo de conveniência ou interesse 
administrativo. Não pode o concessionário, em caso algum, opor-se à encampação. Seu 
direito limita-se à indenização dos prejuízos que, efetivamente, o ato de império do Poder 
Público lhe acarretar. Nesses prejuízos incluem-se os lucros cessantes e os danos 
emergentes calculados na forma contratual ou, se nada estiver previsto, na conformidade da 
lei civil. Decretada a encampação, o Poder Público pode entrar imediatamente na posse e 
administração dos bens e serviços, resolvendo-se posteriormente sobre o pagamento. 
 Não se deve confundir encampação com rescisão, nem com anulação, 
ou com reversão, visto serem institutos diversos, embora todos façam volver o serviço ao 
concedente. 
 Rescisão é o desfazimento do contrato, durante sua execução, por 
acordo, por ato unilateral da Administração ou por decisão judicial, conforme a hipótese 
ocorrente. A rescisão por acordo ou amigável opera-se por distrato bilateral, havendo 
conveniência recíproca das partes; a rescisão unilateral, efetivada pelo concedente, é a 
peculiar dos contratos administrativos,