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04-Âmbito de Eficácia da Lei Penal – P-II - Prof

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que resulta do princípio da territorialidade é a de que 
ninguém, nacional ou estrangeiro, ou até mesmo apátrida2, residente ou em 
trânsito, no Brasil, poderá se esquivar da aplicação da lei penal brasileira, por 
fatos criminosos aqui praticados 
 
2 . O “Território Nacional” 
 
Antes de tratarmos dos princípios que norteiam a aplicação da lei penal 
no espaço, convém tecermos alguns comentários acerca do vocábulo 
“território”. E isso se afirma pois tal vocábulo pode ser traduzido sob dois 
prismas, quais sejam: sob o prisma material e sob o prisma jurídico. Vejamos a 
diferença entre esses dois prismas: 
 
 Sob o prisma material, o território nacional compreende o espaço delimitado 
por fronteiras geográficas. 
 
 E sob o prisma jurídico, o território nacional abrange todo o espaço onde o 
Estado exerce sua soberania. 
 
Saiba ainda que: o território nacional é composto pelos seguintes elementos: 
 
 solo ocupado pela corporação política 
 lagos 
 rios 
 mares interiores 
 
2 - De acordo com a definição encontrada nos dicionários, tal termo serve para designar o estrangeiro que se refugia 
num país, por haver sido conquistada a sua pátria 
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 golfos 
 baías 
 portos 
 pelo mar territorial3 (que se constitui em sendo a faixa ao longo da costa, 
incluindo o leito e o subsolo respectivos) 
 espaço aéreo. 
 
A propósito: existe ainda o chamado território por extensão, que é descrito no 
§1º do artigo 5º do Código Penal, que assim preceitua: 
 
 
§ 1º Para os efeitos penais, consideram-se 
como extensão do território nacional as 
embarcações e aeronaves brasileiras, de 
natureza pública ou a serviço do governo 
brasileiro, onde quer que se encontrem, 
bem como as aeronaves e as embarcações 
brasileiras, mercantes ou de natureza 
privada, que se achem, respectivamente no 
espaço aéreo correspondente ou em alto 
mar. 
 
§ 2º É também aplicável a lei brasileira 
aos crimes praticados a bordo de 
aeronaves ou embarcações estrangeiras, de 
propriedade privada, achando-se aquelas em 
pouso no território nacional ou em vôo no 
espaço aéreo correspondente, e estas em 
porto ou mar territorial do Brasil. 
 
Preste atenção: no que toca à expressão “território nacional”, temos por bem 
que se fixem algumas premissas básicas, a saber: 
 
 As embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública, onde quer 
que se encontre são consideradas parte do território nacional. 
 
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 Em relação as embarcações e aeronaves de natureza privada, serão estas 
consideradas extensão do território nacional quando se acharem, 
respectivamente, no mar territorial brasileiro ou no espaço aéreo 
correspondente. 
 
 
Saiba que: uma vez estas colocações, algumas questões extremamente 
interessantes nos são trazidas pelo Profº. Damásio Evangelista de Jesus, e 
não poderíamos deixar de cita-las, para assim enriquecer mais um pouco esta 
nossa aula. 
 
 
 E se navios privados brasileiros se encontrarem em mar territorial 
estrangeiro ? 
 
Neste caso: se submeterão às leis do país correspondente, e se estiverem em 
alto mar, se submeterão à lei do país cuja bandeira ostentam. 
 
 E se alguém cometer uma infração em uma jangada, construída com 
destroços de um navio naufragado ? 
 
Neste caso: tal como ensina-nos o Profº. Damásio Evangelista de Jesus, se a 
jangada foi feita com destroços de navio naufragado, segue-se a lei da nação a 
que pertencia o navio, pois o material que foi usado na construção da jangada 
representa o próprio navio. 
 
Saiba também que: segundo o penalista em questão, no caso de 
abalroamento, que origina uma jangada feita com destroços de dois navios 
pertencentes a países diferentes, o delinqüente deverá ficar submetido à lei de 
seu próprio Estado, obedecendo-se o princípio da personalidade, que será 
estudado adiante. 
 
 
1- O mar territorial abrange uma faixa de 12 milhas marítimas de largura, medidas a parir do baixa-mar do litoral 
continental e insular brasileiro, de acordo com o artigo 1º da Lei 8.617 / 93. 
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 Onde deve ser processado, por exemplo, um piloto que, pertencendo à 
tripulação de uma avião que presta serviços ao governo, sai do aeroporto 
onde o avião está pousado para efeitos de “escala” e comete crime ? 
( questão nossa) 
 
Neste caso, depende da situação, pois: se o piloto saiu do aeroporto à 
serviço, fica sujeito à lei penal da bandeira ostentada pelo avião. Mas se saiu 
do aeroporto por motivos particulares e cometeu um crime, ficará sujeito à lei 
local. 
 
 
3. Princípios que regulam a aplicação da Lei Penal no espaço 
 
 
É chegado o momento de estudarmos os princípios que norteiam a 
aplicação da lei penal no espaço, quais sejam: 
 
 Princípio da Territorialidade 
 Princípio da Nacionalidade 
 Princípio da Defesa, Real ou de Proteção 
 Princípio da Justiça Penal Universal ou da Universalidade 
 Princípio da Representação 
 
Vamos ver, agora, as particularidades de cada um desses princípios, 
que são de inquestionável importância. Comecemos pelo princípio da 
territorialidade: 
 
3.1. Princípio da Territorialidade: como já fora anteriormente estudado, 
segundo este princípio, a lei penal de um país terá aplicação aos crimes 
cometidos dentro de seu território. 
 
Sendo que: se origina este princípio da noção de soberania estatal, ou seja: 
um Estado tem exercer sua jurisdição sobre as pessoas que se encontrem em 
seu território. 
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A propósito: apesar da aparente eficiência deste princípio, ele encontrará 
dificuldades de reger, por si só, os casos de crimes continuados e 
permanentes, por exemplo, uma vez que nestes casos, os crimes pode ter 
tidos como praticados em mais de um país. 
 
Entretanto: não é sem motivos que este princípio é adotado como regra geral. 
 
Pare e pense: processualmente, por exemplo, ele é o mais coerente dos 
princípios, uma vez que enormes seriam as dificuldades de processar um 
cidadão em um país diferente de onde se cometeu um delito. Imagine, por 
exemplo, as dificuldades de se produzir provas no Brasil, no caso de um crime 
praticado da Austrália. 
 
E tem mais: a aplicação da lei penal, num país diferente de onde ocorreu o 
crime, suprimiria a função intimidativa da pena4, haja vista que os cidadãos de 
um determinado país não teriam a oportunidade de constatar a punição aos 
fatos criminosos ali ocorridos. 
 
Em outros termos: a melhor doutrina leciona que a adoção do princípio da 
territorialidade como regra têm um tríplice fundamento, a saber: 
 
 Processual: uma vez seriam encontradas sérias dificuldades ao se 
processar um cidadão em país que diferente daquele que foi praticado o 
delito. 
 
 Repressivo: a aplicação da sanção penal em lugar outro que não o local do 
crime propriamente dito, acaba por dilacerar o caráter intimidativo da pena. 
 
 Internacional: a função punitiva do Estado é a mais expressiva emanação 
de sua soberania, e o monopólio do Jus Puniendi ( direito de punir), que 
pertence ao Estado, dentro dos limites do seu território exclui a interferência 
de outro, sendo tutelado o princípio da soberania. 
 
4 - Que será melhor estudada quando abordarmos a “Teoria Geral da Pena” 
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3.2. Princípio da Nacionalidade: também é denominado “Princípio da 
Personalidade”.