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Caderno de Direito Tributário e Financeiro

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destinados à função. Ex.: imunidade de 
II sobre máquinas de impressão de jornais. Não é a posição 
cristalizada pelo Excelso Pretório, porquanto este procura conferir 
uma interpretação restritiva ao dispositivo46. 
 
Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser 
interpretadas ampliativamente? 
Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da 
imunidade de forma restritiva, valorizando os direitos fundamentais que lhe são 
afetos. Lembre-se que não havendo tributação, a norma imunizante deve ser 
observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido. 
Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou 
complementar? Ou é auto-aplicável? 
Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária, tendo em 
vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção 
constitucional. 
Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há 
imunidade: elas são devidas? 
 
43 STF, RE 101.441/RS; RE 199.183, rel. Min. Marco Aurélio, DJU 12.06.1998. 
44 STF, RE 183.403-SP, rel. Min. Marco Aurélio, DJU 07.11.2000. 
45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à 
publicação de jornais e periódicos”. 
46 STF, RE’s 204.234, 203,859 e 273.308/SP, rel. Min. Moreira Alves, DJU 22.8.2000. 
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Resposta: lembre-se que, se não há tributação, não há obrigação 
principal e muito menos acessória, no que diz respeito aos impostos. Caso haja 
cobrança de uma contribuição social, por exemplo, a obrigação acessória 
persistirá, pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade, daí o 
teor do art. 9º do CTN. No entanto, o art. 194, parágrafo único, CTN, deixa claro 
que as pessoas imunes, assim como as isentas, sujeitam-se à fiscalização 
tributária, o que, em tese, engloba as obrigações acessórias. 
Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. 150, VI, “c”, CF/88, foi 
dito que o art. 14, I a III, CTN, estabelece as condições para o exercício, segundo 
o STF e a doutrina majoritária. Entretanto, o art. 12, § 2º, “a”, Lei 9532/97, e o art. 
3º, § 2º, III, D. 4382/02, inovam em suas disposições, preceituando condição 
inexistente na citada LC. Como compatibilizar os dispositivos? 
Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' 
devem ser cumpridos. O termo lei, sem adjetivo algum, corresponde à figura da 
lei ordinária, abarcando assim, as mencionadas disposições citadas por V.Sa. 
Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão 
o assunto a ser implementado. 
Pergunta: o art. 2º, parágrafo único, VIII, Lei 10753/03 (Política Nacional 
do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes 
visuais exclusivamente. Ademais, o "caput" do dispositivo deixa claro que suas 
conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). Nesse 
passo, à guisa do entendimento do STF, a disposição legal não poderia ser 
usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. 150, VI, “d”, 
CF/88. A posição está correta? 
Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro 
raciocínio. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser 
escrito em papel ou digitalizado, nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento 
imunizante. 
Pergunta: quanto ao art. 156, XI, CTN, há alguma regulamentação ou 
aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. 146, III, “b”, CF/88? 
Resposta: Não, o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas 
políticas interessadas (M, E-m, DF e UF). O inciso XI do art. 156 do CTN foi 
incluso pela Lei Complementar n.104/01, respeitando as previsões expressas da 
CF, em seu art.146, III. 
Pergunta: uma entidade, recebendo certificação de organização social ou 
de organização da sociedade civil de interesse público, somente por esse fato, 
faz jus à imunidade do art. 150, parágrafo VI, “c”, CF/88? Como é concedida a 
imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de 
capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? 
Resposta: não, uma entidade, recebendo certificação de organização 
social ou de organização da sociedade civil de interesse público, somente por 
esse fato, não faz jus à imunidade do art. 150, parágrafo VI, “c”, CF/88. Apenas a 
entidade assistencial social ou educacional, conforme expressa disposição 
constitucional, pode, após ter cumprido os requisitos da lei para receber a 
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concessão da imunidade, receber a concessão imunizante. Deve ser pleiteada 
perante a Receita Federal, via requerimento conforme estabelece os 
procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97, em seus arts. 12 e 13, e Lei 
10.637/02. 
 
Sistema Tributário Nacional 
Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? 
Qual a importância da EC 18/65? 
A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. Transformou a 
Carta de 1946, sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira 
delas). Criou um regime sistematizado, especialmente voltado para fruição de 
algumas liberdades fundamentais, em consonância com o setor fiscal 
(NOGUEIRA, 1999, p. 118). Nas negociações entre as forças políticas da época – 
com mediação do então presidente do STF, Aliomar Baleeiro –, por ocasião do 
golpe de 1964, foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes 
Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). Esta última configurou um marco 
no Direito Tributário brasileiro, fazendo nascer uma vertente doméstica moderna 
nesse ramo. No Brasil, até tal diploma, não existia equilíbrio entre Estado e 
cidadão na atividade fiscal. O princípio da supremacia do interesse público era 
levado a cabo exacerbadamente (“I need, I can”). A constitucionalização do 
Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu 
garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades, regras 
rígidas de competência, etc. 
Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? 
Quanto à rigidez/flexibilidade, o STN segue o mesmo diapasão da própria 
Constituição: sendo essa rígida, também o é aquele. Para Cassone (2004, p. 26), 
a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional 
de impostos e princípios constitucionais tributários. Destarte, há uma grande 
crítica a essa premissa da CF/88, porquanto houve mais de 50 emendas em 
pouco mais de 15 anos de sua existência. O Poder Constituinte Derivado 
Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos 
às mudanças sociais ocorridas. Porém, esse Poder deveria ser utilizado “cum 
grano salis”. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador, foi erigido o 
sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art. 60, § 2º, CF/88) para garantir a 
necessária rigidez. Não funcionou a contento! Politicamente, a EC 
consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. De 
fato, a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e, por 
conseqüência, também do STN. 
Qual é a estrutura do STN? 
A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar, competência tributária, 
limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas 
tributárias47. 
 
47 Eduardo de Moraes Sabbag, Direito Tributário, São Paulo, Prima Cursos Preparatórios, 2004, defende que o Sistema 
Tributário Nacional é ternário, composto de princípios, imunidades e tributos. 
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A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço, aduzido 
materialmente por meio da tributação. O Estado de Direito enxerga na tributação 
a via pela qual ele efetiva suas funções. A coletividade deve contribuir, 
coercitivamente, para