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Caderno de Direito Tributário e Financeiro

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passivo. Ex.: IPTU, autos de infração, taxas, contribuições de 
melhoria, etc. 
o Por declaração, misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador, 
devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. Após tal ato, a 
autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o 
montante a ser adimplido, cobrando. Após a cobrança, o sujeito 
passivo paga. Ex.: ITBI, ITR, II e IE. O lançamento por declaração está 
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previsto no art. 147, “caput”, CTN. O sujeito passivo deve ofertar 
declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. Com 
base nesse documento, a Administração tributária realiza o ato, 
fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do 
tributo). 
o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a 
criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente 
qualificado. O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de 
constituição do crédito mediante lançamento. Trata-se de ficção 
jurídica. Corresponde à maioria das exações. Ex.: ICMS, IPI, IR, etc. O 
sujeito passivo precisa declarar o fato gerador, interpretando a 
legislação, calculando o montante devido e pagando antes de ser 
cobrado (pagamento antecipado). Posteriormente, o fisco homologa o 
valor recolhido (art. 150, “caput”, CTN), constituindo a quitação como 
meio de prova. Havendo diferença entre o devido e o pago, haverá 
lançamento de ofício posterior. Em verdade, os tributos aqui incluídos 
não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento 
“ex officio” só será posterior, a cobrar eventual diferença. 
Não existe decadência do lançamento por homologação, mas todo tributo 
pode ser alvo de decadência, inclusive os lançados por homologação. O que 
caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício, havendo qualquer 
diferença de valores entre o declarado e o devido. 
 
Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário 
Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito 
tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. 151 a 155-A, CTN). 
Lançado o crédito tributário, por qualquer uma de suas formas, ele passa 
a ser exigível. Contudo, é amplamente possível a instalação do contraditório para 
contestar o procedimento de obtenção dos valores, não sendo sempre obrigatório 
o pagamento “incontinenti” do tributo. Dessa forma, o sujeito passivo pode 
levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. Nessa seara, o legislador 
erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: 
- Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. 
5º, LV, CF/88), seguindo o princípio do devido processo legal e 
convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. 
Permite a ampla defesa dentro do feito, sendo certo que ninguém poderá 
ser executado enquanto discute o objeto do litígio. O CTN listou quatro 
modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro 
dessa categoria: 
o Recurso administrativo (art. 151, III, CTN), dentro de um PAF, o qual 
é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no 
âmbito federal, com as devidas peculiaridades do D. 70235/72; 
o Mandado de segurança com liminar (arts. 5º, XXXV e LXIX, CF/88, e 
151, IV, CTN), quando se invoca direito líquido e certo a ser 
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demonstrado por prova pré-constituída, devendo ser revelado 
relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato 
impugnado (art. 7º, II, Lei 1533/51); 
o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. 5º, XXXV, 
CF/88, e 151, V, CTN)103, desde que presentes a verossimilhança das 
alegações e o “periculum in mora” (art. 273, “caput” e I, CPC); 
o Depósito do montante integral (art. 151, II, CTN), a qual retira do 
credor o interesse de agir para execução em face do devedor, não se 
confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI, 2002, p. 
207). Com efeito, enquanto na consignação fica patente a intenção do 
devedor em pagar, no depósito integral, é caracterizada a finalidade de 
obstar a exigibilidade do crédito tributário, mormente com o intuito de 
discutir a dívida. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias 
de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e 
anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). Caso 
alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito, o fisco 
faz jus à conversão do depósito em renda, porquanto a exigibilidade do 
crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma 
causa de extinção ou de suspensão, como já disse o STJ104. 
- Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor 
lançado e exigido, mas não tem condição de pagar o tributo à vista. 
Nesse caso, em tese, deveria haver inscrição em dívida ativa, dando azo 
à execução forçada. No entanto, o legislador percebeu que seria melhor 
abrir uma fase intermediária. A negociação entre sujeito passivo e credor 
permite o pagamento em situação mais razoável, visto que está presente 
o “animus solvendi”. Com efeito, o escopo em tela se dá em homenagem 
à economicidade, à razoabilidade e à eficiência. É o caso, por exemplo, 
da postergação da mora com consentimento do Estado, instituto 
denominado moratória (art. 151, I, CTN). É melhor à Administração 
tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca 
receber. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de 
lançamento, salvo disposição legal em contrário (art. 154, “caput”, CTN). 
Do mesmo modo, o parcelamento (art. 151, VI, CTN), em verdade, é 
uma espécie do gênero moratória, em que há fracionamento da dívida 
tributária ao longo do tempo. Alguns autores equiparam o instituto a uma 
novação objetiva, instituto constante do Direito Privado (art. 360, I, CC). 
 
103 O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art. 151, V, CTN. É a 
situação mais comum, mas não a única. Previamente à cobrança do débito fiscal, o sujeito passivo pode ingressar com ação 
declaratória preventiva de inexistência de débito, tida antes do lançamento. Dessa forma, ao contrário da primeira, não objetiva 
desconstituir o crédito tributário. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. Para impedir seus 
efeitos, o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a 
exigibilidade do crédito, caso haja lançamento durante o curso do processo; ou requerer, também a título de tutela antecipada 
na inicial, a suspensão do crédito tributário, se houver eventual lançamento. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o 
condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha 
sido disparado, em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. 62, “caput” e parágrafo único, D. 70235/72). 
104 EREsp 479.725-BA, DJU 26/9/2005; REsp 490.641-PR, DJU 3/11/2003; REsp 258.752-SP, DJU 25/2/2002; REsp 
251.350-SP, DJU 12/3/2001; 1ª Seç., EREsp 215.589-RJ, rel. Min. José Delgado, j. 12/9/2007, Informativo do STJ n° 331. 
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Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade, pendem alguns 
efeitos: 
- Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando, 
equivaleria a “embargos à execução preventivos”, considerando que 
esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. 
- Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo 
tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. No entanto, 
a discussão judicial implica em mora, argüindo a possibilidade ou não de 
inscrição em dívida ativa. Foram erigidas duas teses, sem unanimidade 
na doutrina e na jurisprudência: 
o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva 
fiscal, a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade