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Caderno de Direito Tributário e Financeiro

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2º, não existindo 
para a alínea “a”. Exemplos: 
� Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para 
finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. 
� Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da 
incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). 
DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas 
públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, 
apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, 
perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, 
a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar 
jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa 
Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com 
fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de Infra-
Estrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, 
XII, “c”, CF/8833. 
2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) 
� Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional 
está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza 
o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a 
considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) 
denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa 
da entidade religiosa. 
� Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, 
emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para 
a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos 
religiosos, etc. 
� Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as 
igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). 
Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades 
inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, 
mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem 
locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à 
livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na 
consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja 
 
33 STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 
AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 
34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, 
op. cit., p. 256. 
 23 
apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função 
precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o 
envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 
3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES 
SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E 
ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) 
� Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas 
jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas 
(impostos). 
� Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do 
legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro 
dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos 
detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho 
axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: 
− Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no 
Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos 
políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da 
nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de 
tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios 
plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas 
aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. 
Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente 
partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício 
em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem 
constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. 
− Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos 
direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles 
que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os 
empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de 
convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No 
entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos 
empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador 
admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, 
segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina 
majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam 
violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando 
pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam 
Chimenti (2002) e Machado (1993). 
− Instituições de educação – idem colocações infra sobre as 
expressões “in fine” da alínea “c”. 
 
35 Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela 
dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, 
instituições de educação e de assistência social). 
36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, 
publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17. 
 24 
− Entidades de assistência social – ibidem. Além de tudo, no 
magistério de Sabbag (2004, p. 51), necessário é lembrar que tais 
pessoas também são imunes às contribuições sociais, consoante 
comando exprimido no art. 195, § 7º, CF/88. 
− Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: 
o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco 
elucidativo – o lucro. De fato, quis mencionar o superávit, isto é, a 
diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. 
Portanto, a expressão merece uma associação cautelosa, pois o 
“lucro”, em tese, estaria ligado de modo imediato às entidades 
educacionais e beneficentes, não obstante a mediata ligação a 
todas pessoas citadas37. 
o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de 
condicionamento imposto à norma, o que permite chamá-la de 
imunidade condicionada ou limitada (SILVA, 1996). Ademais, há 
quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes 
de Miranda), dependendo de regulamentação futura, segundo 
Maria Helena Diniz, de integração, segundo Celso Bastos e Carlos 
Ayres Brito, e não auto-aplicável, nas palavras de Rui Barbosa. 
Nesse passo, insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina 
majoritária, como Machado (1993), Amaro (2006), José Eduardo 
Soares de Melo, Misabel Derzi, Paulo de Barros Carvalho, 
Chimenti (2002), Cassone (2004) e Sabbag (2004), entendem que 
se trata de lei complementar, “ex vi” do art. 146, II, CF/88, que 
impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar 
(imunidade). No caminho hermenêutico ora trilhado, perguntar-se-
ia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 
5172/66) foi concebido como lei ordinária, porém, desde então, em 
razão das matérias disciplinadas naquele compêndio, ganhou o 
“status” de lei complementar, sendo assim recepcionado pela 
CF/88. Portanto, a resposta à pergunta é clara: a lei complementar 
que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. 
Nesse contexto, o art. 14, I a III, CTN anuncia, em seus três 
incisos, os requisitos à fruição da imunidade. São eles: 
I. Não distribuição do patrimônio ou renda, a qualquer título 
(LC 104/01), entre os mantenedores da entidade. Note que 
aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser 
traduzida à luz deste inciso I. Não se veda o resultado positivo 
na entidade, nem mesmo o “animus lucrandi”. O que se quer é o 
REINVESTIMENTO