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WL-OO-Apostila-01-Direito Administrativo-05

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portanto haverá também a responsabilidade criminal, além da administrativa.
Art. 248 - Fora dos casos incluídos no artigo anterior, a importância da indenização poderá ser descontada do vencimento ou remuneração, não excedendo a 10ª (décima) parte do valor deste.
 
Com exceção dos casos incluídos no artigo anterior, a indenização será descontada no valor de 10% do salário do Funcionário Público; ou seja, em parcelas de, no máximo, um décimo de seu salário ou vencimento.
Se o Funcionário Público estiver pagando uma indenização, e causar novo dano e for condenado a pagar uma segunda indenização, primeiro pagará a primeira indenização e depois começará a pagar a segunda, pois a lei não permite desconto superior a10% do salário.
Parágrafo único - No caso do item IV do parágrafo único do artigo 245, não tendo havido má-fé, será aplicada a pena de repreensão e, na reincidência, a de suspensão.
Este parágrafo se reporta à penalidade administrativa que couber no caso do erro de cálculo ou redução contra a fazenda estadual, se o funcionário público não teve intenção de lesar o patrimônio público, ou seja, agiu com culpa (imprudência, negligência ou imperícia).
A penalidade será a de repreensão, e em caso de o funcionário público voltar a cometer erro de mesma natureza, será aplicada a pena de suspensão. Se, porém, agir com intenção de lesar o patrimônio público, a penalidade administrativa a ser aplicada será de demissão a bem do serviço público.
Em qualquer dos casos, a aplicação da penalidade administrativa não exime o funcionário público do pagamento da indenização que se fizer necessário.
A finalidade é de obrigar o funcionário público a prestar mais atenção no desempenho de sua função, pois esses erros causam prejuízo ao Estado.
Art. 249 - Será igualmente responsabilizado o funcionário que fora dos casos expressamente previstos nas leis, regulamentos ou regimentos, cometer a pessoas estranhas às repartições o desempenho de encargos que lhe competirem ou aos seus subordinados.
Quem desempenha as funções públicas é o próprio Funcionário Público. Para isso ele prestou concurso, foi nomeado e recebe do governo. Então ele não pode pedir a pessoas que não pertencem à repartição para que desempenhem as funções que lhe são atribuídas ou a seus subordinados, ou que "dê uma mãozinha".
O Oficial de justiça não pode pedir que seu amigo ou parente cumpra seus mandados. Há nesses casos a responsabilidade administrativa e criminal.
O fato de a pessoa estranha à repartição desempenhar as funções do Funcionário Público bem ou melhor que o próprio, é indiferente. 
Art. 250 - A responsabilidade administrativa não exime o funcionário da responsabilidade civil ou criminal que no caso couber, nem o pagamento da indenização a que ficar obrigado, na forma dos artigos 247 a 248, o exime da pena disciplinar em que incorrer.
Como já comentado, a aplicação da penalidade administrativa (pagamento do prejuízo e penas disciplinares) não tira a responsabilidade criminal e civil que no caso couber. Estas penalidades são independentes e podem ser cumuladas. Se causar dano ao particular, também responderá civilmente e criminalmente, conforme sua conduta (agir com intenção - dolo, ou sem intenção - com culpa).
O pagamento da indenização civil não o absolve da sanção penal e administrativa que no caso couber. Da mesma forma, o cumprimento da sanção penal e administrativa não o isenta da reparação civil, se existente. 
DAS PENALIDADES E SUA APLICAÇÃO
Art. 251 
São penas disciplinares:
I - repreensão;
II - suspensão;
III - multa;
IV - demissão;
V - demissão a bem do serviço público;
VI - cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
Pena disciplinar é a designação dada às sanções impostas pelas autoridades administrativas aos funcionários ou empregados públicos, por infração às regras regulamentares relativas à disciplina. São qualificadas como penas disciplinares, neste estatuto: a repreensão, suspensão, multa, demissão, a demissão a bem do serviço público e a cassação de aposentadoria ou disponibilidade, conforme a gravidade da falta ou infração.
A pena disciplinar é imposta como meio compulsório de compelir o Funcionário Público ou empregado ao cumprimento dos deveres a que está obrigado, quando não redunda em perda do cargo.
Genericamente, diz-se pena disciplinar para toda sanção imposta pela falta de disciplina ou infração a uma regra disciplinar.
O poder para impor as penas disciplinares está no artigo 260 deste Estatuto.
Vale adiantar que as penas abaixo elencadas estão em escala crescente de gravidade, começando da menos para a mais severa. Porém, são cinco penalidades previstas para Funcionário Público que está em atividade e uma para Funcionário Público aposentado ou em disponibilidade. Assim, a pena mais severa, para quem está na ativa, é a demissão a bem do serviço público; e para os inativos, somente cabe a cassação da aposentadoria ou da disponibilidade. 
I - repreensão;
A palavra repreensão deriva do latim "reprehensio", de "reprehendere" (repreender, censurar, criticar), em linguagem comum é a admoestação, a crítica ou a censura ao ato, que se praticou erradamente ou fugindo ao dever.
No sentido de Direito Administrativo, a repreensão é pena disciplinar imposta ao funcionário ou empregado público por falta ou transgressão ao dever.
A repreensão é pena maior que a advertência. O que é importantíssimo lembrar é que não existe pena de advertência prevista no Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo. Já a repreensão se mostra uma censura ou admoestação a respeito da falta cometida, sendo, em regra, sempre feita por escrito. Tem o mesmo sentido de reprimenda.
A pena de repreensão sempre será por escrito, e na escala da punições previstas pelo nosso estatuto, é a mais leve de todas.
Dentre outros, será aplicada nos casos de inobservância dos deveres descritos nos incisos do art. 241.
II - suspensão;
A palavra suspensão deriva do latim "suspensio" (ação de suspender, interrupção), gramaticalmente entende-se a descontinuação, a interrupção, a sobrestada, ou a parada momentânea de alguma coisa.
Juridicamente, a suspensão, em regra, importa numa paralisação, ou na cessação temporária, ou por tempo limitado, de uma atividade, ou de um procedimento. Assim, o que se está a fazer interrompe-se por algum tempo, findo o qual, de novo se recomeça.
A suspensão é o conhecido "gancho", no qual o Funcionário Público é afastado do serviço por um determinado tempo, sem qualquer direito a salário ou vencimento neste período.
Será aplicada sempre que houver reincidência do caso anteriormente punido com repreensão, ou no caso de falta grave.
III - multa;
A palavra multa entende-se, por seu sentido originário, a pena pecuniária. 
Sempre será aplicada em determinado valor em dinheiro.
É assim, em sentido amplo, a sanção imposta à pessoa, por infringir a regra ou ao princípio de lei ou ao contrário, em virtude do que fica na obrigação de pagar certa importância em dinheiro. Normalmente aqui, em se tratando de penalidade aplicada ao Funcionário Público, a multa é descontada nos vencimentos do mesmo.
Não há qualquer ordenamento para se aferir qual será o exato valor da multa, devendo ficar tal fixação ao prudente arbítrio da Administração Pública.
IV - demissão;
A palavra demissão é derivada do termo em latim "demissio" do verbo "demittere" (deixar cair, fazer descer), em sentido geral, que o vocábulo significar o ato pelo qual a pessoa deixa ou abandona alguma coisa, ou renuncia a qualquer benefício de bens ou de direitos.
Em Direito Administrativo indica a demissão do cargo ou a demissão da função, sendo o ato pelo qual o empregado ou funcionário é dispensado de suas funções, sendo desligado do quadro de funcionários a que pertence. É o mesmo que despedir, mandar embora.
É importante não confundir demissão (que é uma pena) com exoneração, do latim "exonaratio", do verbo "exonerare" (descarregar, tirar a carga, livrar-se), que em direito significa a desobrigação