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Litíase Urinária

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Litíase Urinária 1
Litíase Urinária
PATOGÊNESE
A urina é rica em cristais, que dependem da digesão alimentar e de sua solublidade na quantidade de líquido ingerida. Esses 
cristais podem se agrupar e formar cálculos. Solutos devem ser excretados para manter a homeostase: cálcio, oxalato, fosfato, 
ácido úrico, cistina, etc. 
O tipo mais comum de cálculo é o de oxalato de cálcio (proporção de 1:5 oxalato: cálcio). Uma pequena mudança no oxalato 
exerce grande efeito na cristalização. O citrato impede a união de oxalato com cálcio.
Hipercalciúria: idiopática - é um fator de risco importante para a formação de cálculos renais. Afetam 5 a 10% da população. 
- Causas potenciais: aumento da absorção intestinal, reabsorção óssea anormal e reabsorção reduzida de cálcio pelo rim. 
Oxalose primária: erro inato do metabolismo do glicoxilato, levando à superprodução de oxalato. 
Hiperoxalúria entérica secundária: 
- Aumento da ingestão de oxalato em certas frutas e vegetais ou precursores de oxalato (etilenoglicol ou ácido ascórbico) 
- Má absorção de gordura: pancreatite crônica, pancreatctomia, cirurgia de bypass gástrico em Y de Roux, sd. do intestino 
curto, doença de Chron, uso de orlistato 
- Diminuição da degradação intestinal de oxalato secundária à redução da colonização intestinal com oxalobacter formigenes. 
A precipitação desses sais ocorre no interior dos túbulos renais na alça de Henle (solução livre tubular), na placa de Randall 
(migração depois da precipitação na alça), ou nos ductos coletores).
Nefrocalcinose: aumento do conteúdo de cálcio nos rins, difusamente vista dentro do parênquima renal. Causas: 
hiperparatireoidismo primário, acidose tubular distal/tipo 1, rim espongiomedular, hiperoxalúria primária, toxicidade da vitamina D.
Nefrolitíase: calcificações no sistema coletor. 
Tipos de cálculos: 70% dos cálculos são de oxalato de 
cálcio. Também existem cálculos de fosfato de cálcio (apatita - 
pH alcalino), de ácido úrico (único radiotransparente - não 
pode ser visto na radiografia - pH ácido), de estruvita (fosfato-
amônio-magnésio-cálcio, bactérias produtoras de urease - pH 
alcalino) e cistina (doença autossômica recessiva afeta 
transporte intestinal e renal de aminoácidos dibásicos como a 
cisteína, ornitina, lisina e arginina)
A faixa etária mais comum é entre os 20 e 40 anos. Após o primeiro episódio, a incidência de recorrência é muito alta. Em 20 
anos, é praticamente 100% de recorrência. Os cálculos de maior recorrência são: OxCa mono-hidratado, seguido de fosfato de 
fosfato de cálcio (apatita) e fosfato de cálcio monohidrogenado (brushita) e de cistina. 
A maior ocorrência de litíase é durante o verão, principalmente cálculos de oxalato de cálcio e ácido úrico. Isso ocorre pela 
grande perda de líquido por outras vias, e a hidratação muitas vezes não é adequada. 
Indivíduos negros possuem maior incidência de formação de cálculos. Um estudo identificou que é por conta de uma menor 
ingesta de líquidos e maior ingesta de sódio. 
Fatores de risco: obesidade (aumento do ácido úrico e sódio urinário, redução do pH urinário e hipercalciúria), gota, HAS, DM, 
componente genético 
Condições médicas que levam à formação de cálculos: hiperparatireoidismo primário, HAS, gota, DM, obesidade, rim 
espongiomedular, acidose tubular renal distal (Tipo 1), doença inflamatória intestinal, intestino curto, cirurgia de Bypass 
gastrointestinal (menor absorção de oxalato), ressecção de alça, infecção do trato urinário, cistinúria (doença autossômica 
recessiva). 
Complicações cardiovasculares: indivíduos que possuem cálculos possuem mais chance de IAM, angioplastia/enxerto, AVC e 
eventos cardiovasculares. Isso por conta da maior calcificação vascular. 
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Litíase Urinária 2
Urina 1: sedimento urinário, urocultura quando indicada, pH urinário (2ª micção matutina após jejum de 12 horas). 
Dosagens urinárias: cálcio, sódio, potássio, ácido úrico, oxalato, citrato e creatinina (2 amostras de urina de 24h em dias úteis 
e não consecutivos)
Dosagem sérica: cálcio, ácido úrico, fósforo, creatinina, glicemia, perfil lipídico, PTH/Vit. D, pesquisa de cistina, análise 
cristalográfica do cálculo
Exames de Imagem: RX, UGE, US, TC
DMO: densitometria mineral óssea
Medicamentos associados à formação de cálculos renais
Medicamentos que induzem anormalidades metabólicas que alteram composição da urina: inibidores da anidrase carbônica 
(acetazolamida, topiramato, zonisamida), glico
TRATAMENTO
Ingesta hídrica: 3L ou mais de água - volume urinário > 2,5L/dia. Cafeína, chá, cerveja, vinho e suco de laranja natural são 
protetores em relação à formação de cálculos. 
Medidas dietéticas: aumentar ingesta de cálcio (800- 1.200 mg/dia para quelar e eliminar o oxalato da luz intestinal) e 
restringir proteína (impede aumento de cálcio e ácido úrico e diminuição de citrato) e sódio. Acompanhar atividade física 
Dieta DASH: produtos diários pobre em gorduras, rica em grãos e frutas.
Medicamentos:
Diuréticos tiazídicos: atuam no TCD e reduzem excreção de cálcio. Furosemida (alça) aumenta excreção de cálcio - não 
deve ser usado. 
Citrato de potássio: impede agregação do cálcio com o oxalato e alcaliniza a urina (ácido úrico se transforma em urato, 
que é mais solúvel e não precipita)
 Allopurinol e Febuxostat: agem no metabolismo de ácido úrico e diminuem excreção urinária