A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
7 pág.
Direitos Humanos - Tema 02 - Módulo 03 Adversidade das culturas aos Diretos Humanos

Pré-visualização | Página 2 de 3

quando mulheres que não a desejam, sejam obrigadas a vesti-la.
A aceitação das diferenças é importante até mesmo para que se garanta que os Direitos Humanos sejam atendidos. Em cada sociedade, um direito irá repercutir de uma maneira. Um princípio contrário às práticas cotidianas locais pode levar ao descumprimento contínuo de um direito, seja ou não seja lei. Sem aceitação da comunidade, o direito não tem efetividade.
É preciso lembrar que os Direitos Humanos estão em constante debate e evolução e que, há anos, as Nações Unidas assumem a missão de mediar os interesses de todos e promover debates acerca do assunto para reorganizar os direitos universais.
Mesmo admitindo a existência de críticas, é preciso reconhecer o esforço da Declaração Universal e de tantos outros tratados e documento redigidos pela ONU, ainda que alguns posicionamentos sejam questionáveis é pelo trabalho que se faz uma movimentação global por um debate que visa promover os sistemas jurídicos dos países em busca de uma situação confortável para todos.
A sociedade deve seguir aprendendo a tratar todas as pessoas com igualdade e a compreender as diferenças da família humana.
Dignidade da pessoa humana e a ordem jurídica
Se em um primeiro momento as declarações de direitos essenciais preocuparam-se com a garantia da liberdade e da igualdade, no século XX, outro conceito passou também a ser considerado fundamental: o respeito à dignidade da pessoa humana.
O primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas assinado em 1948 afirma: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
O Brasil, que participa da ONU e que firmou o compromisso de garantir os direitos humanos a seus indivíduos, positivou essa ideia na Constituição de 1988, que está em vigor.
Também no primeiro artigo da nossa Carta Magna, registra-se que a “República Federativa do Brasil (...) tem como fundamentos: I – a soberania; II – a cidadania; III – a dignidade da pessoa humana”.
A importância da dignidade é tratada em outros momentos, como no Artigo 170, no qual consta que toda ação econômica tem como finalidade garantir uma existência digna. O artigo 230 define que é dever da família, da sociedade e do Estado defender a dignidade das pessoas idosas.
Conceito de “Dignidade da Pessoa Humana”:
Dignidade da pessoa humana são as condições mínimas necessárias para que uma pessoa viva uma vida justa, em condições adequadas e sem depreciação. Este é um valor absoluto, regulador de todos os objetivos do ser humano, pois nada é mais importante do que a garantia das condições vitais para a sobrevivência nesse mundo.
É uma noção incomensurável, insubstituível e que não permite equivalente, ou seja, é um valor que não tem como ser medido de forma quantitativa ou qualitativa. A dignidade humana não pode ser trocada por nenhuma outra coisa, possui um valor que não é comparável a nenhum outro.
Não há uma definição legal única que determine que condições são essas, pois elas variam em cada cultura ou sociedade.
Exemplo: 
Para um homem europeu, ateu e inserido no mundo capitalista, essa noção pode estar completamente baseada nas conquistas financeiras e na possibilidade de desenvolvimento da sua carreira ou do seu negócio.
Já uma mulher, árabe e praticante do islamismo pode ter essa noção amparada na possibilidade de constituir uma família e de criar seus filhos dentro dos princípios da sua religião.
Seja como for, mesmo variando, é certo que todos os grupos e culturas nutrem valores básicos que formam seu conceito de dignidade humana.
Nas sociedades ocidentais, podemos reconhecer as condições da dignidade da pessoa humana como as que foram trazidas na Declaração dos Direitos Humanos da ONU, pois, se a declaração foi escrita por representantes da cultura ocidental como os valores mínimos necessários para todas as pessoas, é lá que estão descritos os seus pilares. Porém, apesar de serem direitos universais, eles não refletem as condições da dignidade humana em todas as culturas do mundo.
Comentário: Segundo o sociólogo Boaventura de Souza Santos, para que os direitos humanos alcancem o maior número de pessoas da família humana e se tornem multiculturais, é fundamental ter clareza de que todas as culturas possuam sua concepção de dignidade da pessoa humana e que nem todas enxergarão a sua noção de dignidade contemplada nos termos da declaração das Nações Unidas.
Para o melhor consenso, já que nem todas as concepções de dignidade humana conseguirão ser contempladas, por serem opostas ou contraditórias, uma solução seria procurar atender ao maior número possível de seres humanos, buscando uma versão mais aberta do conceito, ou seja, a visão da dignidade humana que melhor será aceita dentro das particularidades das outras culturas.
Transformações no Conceito 
Também é necessário compreendermos que, assim como os direitos humanos são um conceito construído a partir das demandas históricas que se modificam na medida em que novos acontecimentos surgem, a noção de dignidade da pessoa humana de cada grupo e de cada época também é mutável.
Uma significativa transformação desse conceito aconteceu no momento após a Segunda Guerra Mundial, quando houve a chamada “virada kantiana”, que rejeitou qualquer espécie de coisificação e instrumentalização dos homens e mulheres. A dignidade da pessoa humana passou a ser considerada um fim para a humanidade e não um meio para a construção do mundo.
Atualmente, não são mais as pessoas que precisam se esforçar para construírem uma sociedade agradável, mas o contrário, o mundo é que precisa ser agradável para que as pessoas possam viver em plenitude, seguras e felizes.
Estruturação dos Direitos Universais 
É quando se inverte a lógica e se assume que a sociedade deve acolher as pessoas, e não o contrário, que a carta de Direitos Humanos universais das Nações Unidas é escrita.
A partir daquele momento, segundo o professor Fernando Quintana (1999), podemos separar os esforços da ONU com os Direitos Humanos Universais em três fases de composição:
Primeira Fase - Seria a burocrática, a fase da definição dos Direitos Humanos.
Segunda Fase - Período de promoção e estabelecimento desses direitos pelo mundo, quando foram realizados congressos, publicações e diversos debates e estudos.
Terceira Fase - A atual fase de proteção, em que é necessário observar e controlar o estabelecimento e o cumprimento desses direitos. Foram criados comitês e grupos para fiscalizar e denunciar violações dos Direitos Humanos em todos os países que aceitaram integrar ou não as Nações Unidas.
Para garantir o sucesso dessa declaração e o acesso aos direitos fundamentais a toda a “família humana”, também foi necessário comprometer os países, fazendo com que assumissem compromissos e tratados e construíssem um sistema que possibilitasse seu funcionamento.
Dessa forma, desde 1966 até os dias atuais, já foram assinados nove tratados que devem ser observados e implementados pelos países membros e que levam em consideração temas específicos como a tortura, os imigrantes, as crianças, as pessoas com deficiências e a discriminação racial e contra a mulher, entre outros.
Além disso, constituiu-se uma estrutura chamada Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos, por órgãos como os comitês regionais; o Sistema Interamericano de Direitos Humanos; o Sistema Europeu de Direitos Humanos e o Sistema Africano de Direitos Humanos.
Esses sistemas regionais acompanham diretamente os países integrantes e se responsabilizam pelos demais países que não fazem parte de nenhum comitê regional, não ficando estes excluídos de acionar os direitos internacionais.
É papel dos comitês regionais se responsabilizar pela proteção de pessoas cujos países não têm um órgão similar. Ou seja, cabe a esses comitês ultrapassarem sua esfera e prestarem auxílio a países e cidadãos de países sem comitê regional que necessitem de acolhimento e de proteção, fazendo valer o princípio de que antes de o indivíduo ser pertencente

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.