A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
8 pág.
Constitucionalidade e Inconstitucionalidade: ADI, ADECON e ADPF

Pré-visualização | Página 1 de 4

Controle de Constitucionalidade 
Repercussão da matéria constitucional no recurso extraordinário: 
No controle difuso existe a possibilidade da parte levar até o STF a matéria. Basta que a 
parte argumente uma matéria constitucional ao processo para que possibilite então eu o recurso 
chegue ao STF. O STF pode em controle difuso agir de duas formas: 
→ Originária: Quando processo começa no próprio STF 
→ Via recursal: Quando o processo começa nas instâncias inferiores e chega ao STF via 
recursal. 
Com o passar do tempo acabou-se percebendo que a parte sempre argumentava uma 
matéria de ordem constitucional como uma forma de forçar que o seu recurso chegasse ao STF, 
muitas vezes para tentar segurar o processo (caráter protelatório) ou buscando alegar que houve 
violação da constituição. STF, de Corte máxima, passou a julgar vários recursos de modo a 
deixar a exercer sua função constitucional. Passou a ser encarado como um simples tribunal. 
Exemplo: Briga de vizinhos, cachorro mata papagaio. 
O recurso extraordinário é o meio recursal em que se leva ao STF a análise da matéria 
que se recorreu. Analise se a matéria discutida causa repercussão geral, ou seja, se outras 
pessoas teriam interesse no julgamento. 
O STF somente fará controle difuso via recursal, quando a matéria constitucional 
apresentada no recurso extraordinário trazer repercussão geral, ou seja, interesse de outras 
pessoas no julgamento. Caso não esteja presente repercussão geral da matéria constitucional no 
recurso extraordinário, o STF não conhecerá (receberá) o recurso. 
Com a entrada em vigor de emenda constitucional n. 45, isto passou a ter previsão 
constitucional e legal. 
Art. 102, §3º da CF: No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a 
repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de 
que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de 
dois terços de seus membros. 
Antes de analisar o próprio recurso, os ministros avaliarão se está presente a repercussão 
geral, nos termos da lei. 
Quando a emenda constitucional 45/2004 entrou em vigor, estava em vigor o CPC de 
1973, cuja matéria foi tratada no art. 535-a. No atual CPC a matéria está prevista no art. 1035. 
Art. 1.035 do CPC: O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do 
recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, 
nos termos deste artigo. 
Se não houver repercussão geral da matéria constitucional no recurso extraordinário o STF 
nem mesmo receberá este recurso. Da decisão que não receber o recurso, não cabe outro 
recurso (irrecorrível). Se a decisão é irrecorrível, haverá o trânsito em julgado da decisão; ou seja, 
processo encerrado. Se a parte interpuser recurso, poderá sofrer as consequências de litigante 
de má-fé, por interpor medida não expressa em lei ou meramente protelatória. 
§ 1º Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência ou não de questões 
relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses 
subjetivos do processo. 
As partes quem tem interesse subjetivo no processo. Ou seja, para ser considerada 
repercussão geral, deve ultrapassar o interesse dessas, o resultado interessa outras pessoas 
além das partes. 
Somente será julgado no STF o recurso extraordinário em que a parte demonstrar que a 
matéria constitucional gera interesse de outras pessoas além das partes envolvidas no processo 
e de natureza econômica, jurídica, política ou social, sob pena de não recebimento deste recurso. 
Exemplos: No econômico a discussão de matéria de impostos e no político a discussão eleitoral 
de ficha limpa. 
§ 2º O recorrente deverá demonstrar a existência de repercussão geral para apreciação 
exclusiva pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
§ 5º Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará 
a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que 
versem sobre a questão e tramitem no território nacional. 
§ 8º Negada a repercussão geral, o presidente ou o vice-presidente do tribunal de origem 
negará seguimento aos recursos extraordinários sobrestados na origem que versem sobre 
matéria idêntica. 
A repercussão geral da matéria constitucional em recurso extraordinário se aplica ao 
controle difuso. 
Controle concentrado de constitucionalidade: 
O primeiro dispositivo normativo que tratou do controle concentrado foi a constituição da 
República Tchecoslováquia em 1919, mas apenas no ano seguinte foi aderido pela doutrina com 
o Controle Austríaco/Europeu que teve Hans Kelsen como percursor. 
O controle difuso, como já foi visto anteriormente, surgiu com o caso concreto Madison vs. 
Marbury em 1803, que teve como percursor o juiz Marshall da Suprema Corte Americana. 
Kelsen considerou incompatível esse controle, criticando-o e afirmando como correto o 
controle concentrado. Críticas levantadas em relação ao controle difuso: 
→ Objeto processual/quantidade da matéria: Kelsen defende o posicionamento de um 
único objeto processual, que seria somente a matéria constitucional. No controle difuso 
há dois objetos processuais, o principal e o secundário, discute-se a questão incidental 
que prejudica a discussão da matéria principal. 
→ Quem pode fazer o controle: Para Kelsen não se pode delegar a todos os juízes esse 
controle para evitar insegurança jurídica causada por diferentes juízes julgando de 
maneiras diferentes. O controle concentrado é exercido por um único órgão, sendo ele 
o órgão máximo do Poder Judiciário, gerando efeito vinculante. 
O controle é entregue a Corte Constitucional, a qual não é um órgão do Poder 
Judiciário, mas possui poderes para realizar o controle de constitucionalidade. Está fora 
do Poder Judiciário e vincula todos os demais. 
O controle concentrado não foi adotado pelos EUA, e na França não há controle 
jurisdicional, o controle é feito pela Corte administrativa, pois o poder é do povo e como o poder 
judicial não tem representantes do povo, esse não pode ter esse poder. O Brasil adota os dois 
controles de constitucionalidade, controle híbrido. 
Formas de controle concentrado: 
1. Controle concentrado em corte constitucional: É a regra de Kelsen. Controle concentrado 
entregue para o órgão fora do poder judiciário (Conte Constitucional) que tem a função 
exclusiva de interpretar sobre questões puramente constitucionais quando houver divergência 
dos dispositivos constitucionais. Exemplos: Alemanha, Áustria, Espanha, Portugal, Itália, 
Holanda, Peru. 
2. Controle concentrado via supremo tribunal: Controle de concentrado é entregue/de 
competência do órgão de cúpula ou da mais alta corte judiciária do país pelo fato de residir à 
corte constitucional. Controle feito pelo todo, Pleno. Exemplo: Brasil. 
3. Controle concentrado via sala constitucional: Controle concentrado é realizado por uma sala 
ou órgão especial dentro do próprio órgão do poder judiciário. Cláusula de reserva de plenário, 
tomada pelo Pleno ou Órgão Especial. Exemplo: Colômbia. 
O controle de constitucionalidade concentrado no Brasil entrou no nosso ordenamento em 
1965 através da emenda constitucional 16/65 (estava e vigor a CF de 1946). O controle difuso 
entrou no ordenamento brasileiro com a constituição de1991. Atualmente, na CF/88 o controle 
concentrado está no art. 102, I, alínea a. 
Há dois controles de constitucionalidade no nosso país, sendo necessário analisar as 
seguintes características para diferencia-los: 
1. Competência para julgar ADI: 
a) Feito no STF: Recai contra lei ou ato normativo federal. Art. 102, I, alínea a da CF. Forma 
de controle 2 (via supremo tribunal). 
b) Feito no STF ou TJ: Recai contra lei ou ato normativo estadual. 
 
 
c) Feito no TJ: Recai contra lei ou ato normativo municipal. Art. 125, parágrafo 2º da CF. 
Forma de controle 2 ou 3, seguirá a regra 2 nos TJ onde houver menos

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.