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Constitucionalidade e Inconstitucionalidade: ADI, ADECON e ADPF

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do estado. 
Os procuradores do Estado não podem atuar como interventores na ação, pois o art. 
7º da Lei 9868/99 não permite intervenção de terceiro que não promoveu a ação, para 
que não se use a ação como medida política. A única forma dos procuradores 
participarem da ação é realizando uma petição se convidando para ser amicus curiae, 
pois dessa forma não será forma. 
 O PGR é um legitimado com algumas especialidades: É o único dos legitimados que 
participa obrigatoriamente das ações, pois caso não seja o autor da ação, ele atuará 
como fiscal da lei (custus legis). 
 
Ação Declaratória de Constitucionalidade 
ADECO(N) tem como objetivo que a lei seja declarada ato constitucional. 
Pontos comum entre ADI e ADECO: 
 Legitimados. 
 Amicus curiae. 
 Não admite desistência. 
 Não admite intervenção de terceiro. 
 Efeito erga omnes e vinculante da decisão. 
 Ex tunc (retroage). 
 Em seu julgamento devem estar presentes no mínimo oito ministros no Plenário para 
abrir uma seção. 
Diferenças entre ADI e ADECO: 
 Competência para julgar: Exclusiva do STF, não se admite nos Tribunais de Justiça, 
controle “concentradíssimo”. 
 Objeto processual: Admite unicamente lei ou ato normativo federal, não admite ADECO 
de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Art. 102, I, a, da CF. 
 Nascimento ou origem: ADI é objeto de poder constituinte originário, pois nasceu com a 
CF/88. ADECO surgiu com a emenda constitucional nº 3/93, foi trazida para o Brasil 
pelo Ministro Gilmar Mendes, originária com o Direito Alemão. 
 ADI não precisa comprovar a existência de controvérsia judicial relevante. ADECO 
precisa comprovar a existência de controvérsia judicial relevante, sob pena de ser 
extinta a ação. 
Efeito ambivalente da decisão no controle de constitucionalidade: Toda lei ao nascer tem a 
presunção ou relatividade de ser constitucional, pois ela pode ser atacada. Ao promover uma ADI 
ou ADECO deseja-se transformar essa presunção ou relatividade em assunto absoluto (absoluta 
constitucionalidade ou inconstitucionalidade). Uma ADI julgada improcedente automaticamente 
gera efeito de uma ADECO, ou seja, não será necessário promover uma ADECO. Uma ADECO 
julgada improcedente automaticamente gera efeito de uma ADI, ou seja, não será necessário 
promover uma ADI. 
Na hipótese de propositura das duas ações, as duas vão a julgamento simultaneamente 
(na mesma seção) e não poderá ocorrer de as duas serem improcedentes ou procedentes, uma 
deve ser procedente e outra deve ser improcedente (efeito ambivalente, art. 27 da Lei 9868/99). 
O efeito modulatório não poderia ser aplicado na ADECO quando esta for julgada procedente, 
pois de relativamente constitucional ela passa a ser absolutamente constitucional. Caso ela seja 
 
julgada improcedente na ADECO, devido ao efeito ambivalente da decisão será procedente na 
ADI e passará a ser absolutamente inconstitucional, podendo aplicar o efeito modulatório para 
afirmar o que valeu e o que não valeu. Portanto, o efeito modulatório será plenamente cabível em 
uma ADECO quando esta for julgada improcedente, pois neste caso a ADECO, diante do efeito 
ambivalente das decisões no controle de constitucionalidade estará gerando efeito de uma ADI e 
consequentemente a lei ou ato normativo estará sendo reconhecido como absolutamente 
inconstitucional. 
Controvérsia Judicial Relevante: Art. 14, II da Lei 9868/99, requisito exclusivo para poder 
propor uma ADECO. Para isso há a necessidade de que o legitimado comprove a existência de 
controle difuso sobre a lei ou ato normativo federal que é objeto para a ADECO, de modo a 
colocar fim na discussão que está causando insegurança jurídica. 
O legitimado ao promover a ADECO deseja declarar que a lei ou ato normativo federal seja 
inconstitucional, pois outros juízes ou tribunais no Brasil já deram decisões sobre ela ou ele, ou 
seja, já houve controle difuso, mas este está gerando controvérsia judicial. Decisões diferentes de 
juízes diferentes do mesmo caso. 
É conditio sine qua non que o legitimado apresente ao supremo que sob aquela lei ou ato 
normativo já há decisões em controle difuso, o que não ocorre na ADI. O problema surge quando 
há problemas com decisões diferentes (qualidade da decisão). 
A partir do momento em que se promove ADECO no Supremo, as ações que estão 
tramitando nas instâncias inferiores devem parar e aguardar e ficar suspenso até o 
posicionamento do Supremo, evitando o risco de decidir contrariamente a decisão do Supremo, 
pois esta tem efeito vinculante. 
 
Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental 
ADPF arguição de descumprimento de preceito fundamental, previsto no art. 102, 
parágrafo 1º da CF e na Lei 9882/99. 
É uma novidade no ordenamento jurídico, pois nunca existiu antes do ordenamento da 
Constituição de 1988, foi criada com ela e é resultado do poder constituinte originário. 
O STF entendeu que o parágrafo 1º do art. 102 era uma norma de aplicabilidade limitada, 
sem que viesse uma norma regulamentadora não tinha como ser tratada a ADPF. 
Pontos comuns entre ADPF, ADI e ADECO: 
 Legitimados. 
 Amicus curiae. 
 Efeitos da decisão, erga omnes e vinculante. 
 Cabe reclamação. 
 Não cabe desistência. 
 Aplica-se a modulação do efeito da União. 
 Pode gerar efeito ambivalente. 
Pontos comuns entre ADECO e ADPF: 
 Competência exclusiva do STF. Não cabe no Tribunal de Justiça. 
 Controvérsia judicial relevante. Precisa demonstrar a existência de decisões nas 
instâncias anteriores conflitantes. Na ADPF não será necessário em todos os casos. 
Pontos específicos da ADPF: 
 Caráter subsidiário. Só se pode promover se o legitimado demonstrar que ele não pode 
ou não conseguirá solucionar o problema por outra ação que não seja ela. 
 Espécies de ADPF no caput do parágrafo 1º. Evitar, ADPF preventiva e reparar ADPF 
repressiva. Impedir que o fato venha acontecer ou reparar uma violação que já 
aconteceu. 
 
 
 Preceito fundamental. O objeto processual de uma ADPF é declarar/reconhecer 
descumprimento preceito fundamental. ADPF é específica, mas só é utilizada desde 
que não caiba ADI ou ADECO. 
O direito fundamental pode ser violado por uma lei, ato normativo e ato do poder 
público. Qualquer ato de caráter administrativo que tem por finalidade de gerar uma 
obrigatoriedade. Não se enquadra como ato do poder público jurisprudência e súmula 
(ADPF 152). 
A lei, ato normativo e ato do poder público podem ser federais, estaduais e municipais. 
Cabe aos posteriores e anteriores á constituição federal. Até a ADPF atos anteriores 
eram analisados via recepção tácita. Com a ADPF, passou a ser possível fazer 
recepção expressa. Situações de dispositivos anteriores à constituição: 
a) ADPF 54: Foi discutido o art. 128 do CP (CF 1941) 
b) ADPF 130: Foi discutida a Lei 5250/67. 
Controvérsia judicial relevante poderá ser exigida na ADPF. Na preventiva não será 
necessário demonstrar existência de controvérsia judicial, pois não existe. Será exigida 
nos casos repressivos. Portanto, controvérsia judicial relevante não se exige na ADI, 
sempre se exige na ADECO e na ADPF pode se exigir. 
 
Situações jurisprudenciais em controle de 
constitucionalidade segundo o STF 
Inconstitucionalidade superveniente: Sendo uma lei ou ato normativo recepcionado ou, se 
posterior à constituição, ser constitucional, poderá ele se tornar superveniente ou posteriormente 
inconstitucional pelo fato da Constituição Federal sofrer alteração por emenda de tal modo que a 
lei ou ato normativo fique incompatível com a CF? 
Exemplo A: 
Lei X/77 afirmativa sobre um determinado assunto. 
CF/88 afirmativa sobre um determinado assunto, Lei X/77 foi recepcionada pela 
constituição. 
Emenda constitucional Y negativa sobre um determinado assunto. Altera redação da CF. 
Exemplo B: 
CF/88 afirmativa sobre um determinado assunto. 
Lei X/99 afirmativa sobre um determinado assunto. Lei constitucional. 
Emenda constitucional Y negativa sobre um determinado