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Mod.01.MPS_Engenharia&QualidadeSoftware_V.28.09.06

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Suporte Produção 
Digitação Conferência Operação 
Núcleo de 
Processamento de 
Dados 
Empresa 
.... .... 
EDITORA - UFLA/FAEPE – Introdução à Engenharia de Software e Qualidade de Software 
 
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Na divisão de desenvolvimento se concentrava a confecção do produto de 
software. O setor de análise levantava informações junto aos usuários e especificava4 
logicamente e fisicamente o software, enquanto o setor de programação codificava as 
especificações definidas pelos analistas de sistemas. Dentro do setor de programação 
poderíamos observar duas equipes distintas: equipe de desenvolvimento (encarregada 
dos novos programas) e a equipe de manutenção (encarregada de manter os 
programas já desenvolvidos e em produção). 
A divisão de suporte possuía duas características principais. A primeira era 
manter em funcionamento os equipamentos e os softwares, instalando e configurando, 
além de ter contínua preocupação com o desempenho. A segunda característica era 
promover a capacitação do pessoal do NPD. Isso implicava em estudo de novas 
tecnologias e treinamento apropriado. Devido à complexidade do gerenciamento dos 
mainframes, a divisão de suporte requeria pessoal altamente especializado. Dar 
suporte à operação do software e a seu desenvolvimento não era tarefa fácil. 
A divisão de produção era responsável por executar, obter os resultados e 
implantar as informações. O setor de digitação realizava a digitação dos documentos 
ou planilhas que vinham do usuário, além dos programas do setor de programação. 
Devido ao pouco acesso que as pessoas tinham aos computadores, os usuários 
preenchiam planilhas com as informações a serem armazenadas nos computadores 
para posterior processamento. O setor de conferência conferia se havia erros nos 
dados digitados, se os resultados produzidos pelo processamento estavam corretos 
etc. Muitos artifícios eram utilizados para garantir a digitação correta dos dados, entre 
eles o “total de lote” que representava uma totalização dos valores digitados para 
posterior conferência. As execuções eram solicitadas pelos usuários ou tinham datas 
pré-determinadas. Essas execuções eram realizadas no setor de operação que 
também administrava o hardware. 
A documentação de um sistema era um trabalho muito árduo e cansativo. A 
utilização de máquinas de datilografia, pastas mantidas manualmente etc., traziam um 
custo muito elevado para se manter o sistema atualizado. Por isso, alguns NPDs 
possuíam um setor de documentação que era encarregado de realizar todas as 
alterações feitas manualmente por analistas, programadores e operadores. 
A qualidade do produto e do processo que o confeccionava era uma preocupação 
constante nos NPDs. Todavia, a Engenharia de Software ainda engatinhava em seus 
conceitos e não havia maturidade em relação a padrões de qualidade do produto e do 
processo de software. O alto custo do “homem especializado em computação” e de 
“hora máquina” obrigava também estas organizações a medirem seu processo. Em 
 
4 Especificar um software neste contexto significa criar um modelo computacional, independente da plataforma 
computacional que será utilizada. 
O Produto de Software e a Organização de Desenvolvimento 
 
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suma, os NPDs primavam por usar uma metodologia de desenvolvimento, documentar 
os sistemas, medir as atividades pessoais e dar um custo para cada tarefa 
desenvolvida. 
Os pontos apontados como falhos para esta estrutura estão mais ligados à 
tecnologia empregada do que à estrutura propriamente dita. Com a saída do 
desenvolvimento dos NPDs para pequenas equipes de desenvolvimento em empresas 
específicas, houve uma perda da qualidade do processo e do produto. Inclusive 
tornando a computação desacreditada perante aqueles que necessitavam e/ou 
pretendiam desenvolver um software. 
2.2.2 Pequeno Centro de Desenvolvimento 
A evolução do hardware e software mudou significativamente o processo de 
desenvolvimento e a estrutura das organizações. Com a chegada e barateamento dos 
PCs, muitas empresas de pequeno e médio porte puderam adquirir computadores e 
contratar pequenas equipes para automatizar seus processos. Assim, as funções 
realizadas de formas distintas dentro de um NPD começaram a ser fundidas no 
ambiente de desenvolvimento e produção. Figuras pejorativas (e que posteriormente 
passaram até mesmo a incorporar carreiras organizacionais) surgiram como o 
programalista (programador + analista) e o anador (analista + programador). 
Sistemas como folha de pagamento, contas a pagar, contabilidade, controle de 
estoque, entre outros, invadiram as pequenas e médias empresas. A função “super-
valorizada” de quem produzia software tornou-se algo tão comum como um 
escriturário ou um contador. A Figura 2.3 ilustra um exemplo de um pequeno centro de 
desenvolvimento dentro de uma empresa de pequeno ou médio porte. 
Figura 2.3: Pequeno centro de desenvolvimento 
Todavia, qual foi o problema destes pequenos centros de desenvolvimento? Em 
primeiro lugar tinha-se um cliente (usuário) alheio às dificuldades do desenvolvimento 
de software, que acreditava que qualquer programador resolveria a automação de sua 
empresa. E em segundo lugar, um grupo de desenvolvimento imaturo 
metodologicamente e, em sua maioria, descompromissado com o futuro do produto 
Pequeno centro de
desenvolvimento
Diretoria
.... ....
EDITORA - UFLA/FAEPE – Introdução à Engenharia de Software e Qualidade de Software 
 
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que confeccionavam. Esses dois pontos trouxeram diversos problemas para a 
informática. Muitas empresas, em pouco tempo, se viram à mercê de um software 
inoperável ou de difícil/impossível manutenção. Poucos empresários passaram a 
confiar em quem produzia software para solucionar os problemas ou melhorar a 
produtividade de seu negócio. Criou-se uma lacuna entre quem precisava do software 
e quem o produzia. 
2.2.3 Fábrica de Software 
Com o intuito de preencher esta lacuna, alguns centros de desenvolvimento de 
software foram montados como empresas apartadas do cliente/usuário. É bom deixar 
claro que as fábricas de software não surgiram em decorrência de uma idéia, mas sim 
de bons desenvolvedores que passaram a oferecer sua solução de software para 
diversas empresas, assegurando uma continuidade do produto que desenvolviam. Isso 
possibilitava que o comprador do software tivesse uma garantia contratual de 
manutenção e evolução do produto. Apesar dos sistemas perderem em especificidade, 
começava a despontar uma solução de software barato (pois era vendido para 
diversas empresas) e de melhor qualidade. 
Atualmente, as fábricas de software são realidades e se tornaram muito mais 
complexas do que poderíamos imaginar. Além de possuírem as funções de 
desenvolvimento que existiam nos NPDs, somaram a si funções de negócio e 
administrativas, algumas até possuindo departamentos especializados em pesquisa 
(ver Figura 2.4). Trabalham, muitas vezes, dispersas em áreas geográficas diferentes 
e sub-contratam serviços. São impulsionadas e avaliadas pelos mesmos quesitos de 
qualquer outra indústria: qualidade do produto e produtividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2.4: Organograma de uma fábrica de software 
ODS 
Projeto 1 
(equipe do 
Engenharia 
designer, 
gerência de 
marketing, 
gerência 
administrativa, 
 
Suporte 
Análise 
O Produto de Software e a Organização de Desenvolvimento 
 
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 A Figura 2.5 caracteriza algumas diferenças entre a organização que produzia 
software na década de 1970 e a organização que atualmente desenvolve software. É 
lógico que nem todas as organizações se encaixam em uma ou outra ponta. Quando 
se fala, por exemplo, que no ano 2000 as organizações estão fora da empresa que 
necessita do software, não se está ditando nenhuma

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