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Alimentação e cultura p nutri

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Alimentação
e cultura
PARA NUTRIÇÃO
Michelle Jacob
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entação e cultura
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Michelle Jacob é professora do 
Departamento de Nutrição e da 
Pós-graduação em Ciências Sociais na 
Universidade Federal do Rio Grande do 
Norte. Ela é idealizadora do LabNutrir, 
o primeiro laboratório horta em cursos 
de Nutrição no país, reconhecido pelas 
Nações Unidas como um espaço de 
referência na formação de profissionais 
implicados com a promoção do direito 
humano à alimentação adequada. 
Seus principais interesses de pesquisa 
relacionam os temas das dietas 
sustentáveis, etnonutrição e 
sistemas alimentares.
9 7 8 6 5 8 8 0 2 0 0 6 7
ISBN 978-65-88020-06-7
M
ichelle Jacob
1ª edição - 2021
Recife/PE
Alimentação 
e cultura
PARA NUTRIÇÃO
Michelle Jacob
Primeira edição publicada em 2021 por NUPEEA
www.nupeea.com
Copyright© Michelle Jacob 
Impresso no Brasil/Printed in Brazil
Editor-chefe: 
Ulysses Paulino de Albuquerque
Revisão
A autora
Diagramação
Erika Woelke | www.canal6.com.br
Ilustração da capa
Shutterstock
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob 
quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, 
distribuição na Web e outros), sem permissão expressa do editor e da autora.
NUPEEA
Recife – Pernambuco – Brasil
Índice para catálogo sistemático:
1. Alimentos e nutrição : Promoção da saúde 613.2
Bibliotecária responsável: Aline Graziele Benitez CRB-1/3129
Jacob, Michelle 
Alimentação e cultura para nutrição [recurso eletrônico] / Michelle 
Jacob. – 1.ed. – Recife, PE: Nupeea, 2021. 
230 p. ; PDF.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-65-88020-03-6 (e-book) 
ISBN 978-65-88020-06-7 (impresso) 
 
1. Alimentação. 2. Cultura. 3. Nutrição. 4. Etnonutrição. I. Título.
CDD 613.2
J16a
1.ed.
01-2021/48
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(BENITEZ Catalogação Ass. Editorial, MS, Brasil)
http://www.nupeea.com
http://www.canal6.com.br
4 ALIMENTAÇÃO E CULTURA PARA NUTRIÇÃO
Apresentação 
Alimentação e cultura. O que um nutricionista precisa saber 
sobre para atuar de forma competente em sua seara profissional? 
Essa é uma pergunta que me movimenta há cerca de quinze anos. 
Tenho que admitir que percorri um caminho mais longo do que 
gostaria para, de fato, começar a respondê-la. Quero que este livro 
funcione para você como um atalho, para que sua trajetória ganhe 
em velocidade e que você não perca tanto tempo quanto eu. Nesta 
obra apresento doze capítulos que juntos introduzem o tema da 
alimentação e cultura para estudantes e profissionais de nutri-
ção. Mas, antes de ir adiante quero justificar algumas curvas do 
percurso. 
Na minha opinião, alguns dos primeiros intelectuais que 
apontaram as incompletudes da nutrição, sobretudo quanto à 
lacuna de diálogo com as humanidades, operaram de forma radical 
um divórcio com as ciências da natureza e, em alguns casos, com 
a própria nutrição. A imagem que talvez melhor represente esse 
fenômeno é a do antropólogo que não retorna do campo porque 
se apaixona pelo novo mundo de possibilidades e abandona sua 
missão inicial. Talvez esse tenha sido um efeito colateral da rebel-
dia necessária para o rompimento com ideias hegemônicas, o que 
não é um movimento fácil. Qualquer que seja a explicação, o fato é 
que se a reflexão sobre a cultura nos afasta da natureza, trocamos 
uma fragmentação pela outra e o exercício interdisciplinar não 
5 ALIMENTAÇÃO E CULTURA PARA NUTRIÇÃO
passa de um penoso gesto retórico, conforme aponta C. P. Snow em 
As duas culturas.
Li e usufrui das observações de alguns dessa primeira gera-
ção de rebeldes. Hoje, graças à coragem desses que vieram antes, 
não precisamos mais justificar o porquê de a análise da cultura 
ser importante para entender a nutrição. Por outro lado, cabe-
-nos a missão de introduzir as perguntas relevantes para nossa 
ciência nesse recorte. Precisamos voltar do campo da nutrição 
com o que aprendemos, abordando seus pontos-cegos e lacunas. 
Parafraseando Claude Lévi-Strauss em Mito e significado, houve 
um divórcio entre a natureza e a cultura no campo científico da 
nutrição, mas vivemos um momento em que podemos, quiçá, tes-
temunhar sua inversão, porque somos capazes de progredir rein-
corporando problemas anteriormente postos à parte. Talvez eu 
tenha perdido mais tempo do que gostaria tentando entender esse 
contexto – e os conflitos dos que vieram antes de mim - antes de 
chegar nas perguntas que devem nos interessar, como profissionais 
de nutrição.
“O que um nutricionista precisa saber sobre para atuar de 
forma competente em sua seara profissional?”. Com esse livro 
respondo a essa pergunta de dentro para fora tomando a prá-
tica prifissional da nutrição como ponto de referência. Como 
assim? Considerando as competências e habilidades previstas nas 
“Diretrizes curriculares de Nutrição”, selecionei os doze tópicos re-
levantes sobre “alimentação e cultura” que compõem essa obra, di-
vidindo-os em três módulos. No primeiro módulo “Alimentação: 
de onde partimos e para onde estamos indo?”, o foco é que o leitor 
seja capaz de “investigar e aplicar conhecimentos com visão ho-
lística do ser humano” para que como profissional possa integrar 
6 ALIMENTAÇÃO E CULTURA PARA NUTRIÇÃO
equipes multiprofissionais. Um exemplo claro de como proponho 
esse olhar investigativo holístico está no capítulo dois, onde de-
monstro como a dieta pode atuar como fator modulador na evolu-
ção biocultural. Essa é uma reflexão de base para que o nutricionista 
possa participar, por exemplo, do debate atual sobre nutrigenômica 
junto a geneticistas, arqueólogos, epidemiologistas, antropólogos 
etc. No segundo e terceiro módulos, a competência foco foi “reali-
zar diagnósticos e intervenções na área de alimentação e nutrição 
considerando a influência sociocultural e econômica que determi-
na a disponibilidade, consumo e utilização biológica dos alimen-
tos pelo indivíduo e pela população”. Assim, no segundo módulo, 
“Aspectos bioculturais da alimentação no Brasil”, demonstro, por 
exemplo, como a diversidade cultural dos povos indígenas no Brasil 
se relaciona com a biodiversidade alimentar disponível no nosso 
território e como ela é fundamental para a promoção de dietas sus-
tentáveis. Já no terceiro módulo, “Olhando de perto alguns fatores 
que condicionam nossa alimentação”, foco em condicionantes es-
pecíficos da dieta e discuto implicações nutricionais, por exemplo, 
de tabus alimentares, para áreas como a saúde pública, clínica e 
alimentação coletiva. Todas as reflexões apresentadas têm o obje-
tivo de preparar o profissional para realizar diagnósticos que rela-
cionem dieta com a cultura e o ambiente nos diversos sistemas ali-
mentares. Enfim, esse livro é pensado para nutricionistas por uma 
nutricionista. Esses temas estão longe de esgotar a trama de saberes 
relevantes sobre cultura e alimentação, mas representam um esfor-
ço inicial de reconectar nutrição-cultura-natureza em um formato 
acessível para alunos de nutrição ainda na graduação.
Já comentei que as ideias que dão vida a este livro vêm sendo 
elaboradas há quinze anos. Todavia, seu projeto de escrita decantou 
7 ALIMENTAÇÃO E CULTURA PARA NUTRIÇÃO
há nove meses, com a emergência da pandemia da Covid-19 e, 
junto com ela, o ensino remoto. Acredito muito que a diversidade 
de ideias é o motor de qualquer experiência de ensino e, por isso, 
busco usar métodos ativos para que os estudantes tenham a chance 
de se expressar em sala de aula. Assim, ao adaptar meus cursos, 
comecei a selecionar textos para que os estudantes pudessem se 
preparar previamente para as sessões síncronas. Tinha o objetivo 
de selecionar textos curtos, em português e que conversassem de 
forma objetiva com estudantes e profissionais de nutrição. Como 
não encontrei textos que respondessem aos objetivos de aprendi-
zagem que tinha em mente, comecei a construí-los. Elaborei um 
texto síntese para cada aula que, ao final, viraram esse livro.

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