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O ENSINO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL_ Caminho para Construção de uma Educação Cidadã

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A sociedade, em seu conjunto, 
e cada meio social em particular, é que determinam este ideal a ser 
realizado. (Idem, p. 42) 
 
 
O aspecto múltiplo da educação será determinado pela complexidade 
existente em cada sociedade, cada um oferecendo, diversos tipos de educação e, 
num grau maior, quando determinada sociedade possuir muitos grupos sociais ou 
castas. 
Por este aspecto múltiplo, fica patente a impossibilidade de uma educação 
uniforme já que, inevitavelmente (e desde as primeiras sociedades!), ela varia de 
acordo com as classes sociais ou com as regiões. Mesmo diante de um grande 
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esforço, visando uma educação igualitária, ela não seria possível devido a 
“diversidade moral das profissões” (PEREIRA, 1977, p. 40) que, consequentemente, 
acarretaria uma inevitável diversidade pedagógica. 
 
Cada profissão constitui um meio sui generis, que reclama aptidões 
particulares e conhecimentos especiais, meio que é regido por certas 
idéias, certos usos, certas maneiras de ver as coisas; e, como a 
criança deve ser preparada em vista de certa função, a que será 
chamada a preencher, a educação não pode ser a mesma, desde 
certa idade, para todos os indivíduos. Eis porque vemos, em todos os 
países civilizados, a tendência que ela manifesta para ser, cada vez 
mais, diversificada e especializada; e essa especialização, dia a dia, 
se torna mais precoce (Idem, p. 40). 
 
 
Para existir uma educação igualitária ou homogênea, as sociedades pré-
históricas teriam que ser mexidas ou remontadas e não poderiam existir nelas 
qualquer tipo de diferenciação, logo, uma sociedade que só se tornaria possível no 
âmbito da imaginação. 
Entretanto, não há grupo social completo, fechado em si mesmo, e assim, 
todos usufruem de uma educação básica, acessível à maioria e conforme à 
categoria social, também há educações particulares e diferenciadas, relativas aos 
diferentes grupos sociais existentes dentro da mesma sociedade. “Não há povo em 
que não exista certo número de idéias, de sentimentos e de práticas que a educação 
deva inculcar a todas as crianças, indistintamente, seja qual for a categoria social a 
que pertençam” (Idem, p. 41). 
Um outro elemento importante que vai interferir na definição de educação, é a 
religião, cuja influência se dá no mesmo sentido de uma educação básica e 
daquelas particulares aos grupos sociais. Há princípios gerais da cultura religiosa 
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que são comuns a todos e, ainda, outras diferentes religiões inseridas neste mesmo 
grupo social. 
Assim, o homem ideal, qualquer que seja a sociedade, é fruto dela mesma2; e 
neste aspecto são formados, simultaneamente, seu intelecto, seu físico e sua moral. 
Até este ponto, trata-se de uma formação geral, a partir daí, começam as diferenças, 
considerando os meios particulares que toda sociedade possui. 
Na verdade, a parte básica da educação é constituída por este ideal que traz, 
em si mesmo, o caráter uno e, ao mesmo tempo, também o múltiplo. 
 
A sociedade não poderia existir sem que houvesse em seus 
membros certa homogeneidade: a educação perpetua e reforça essa 
homogeneidade, fixando de antemão na alma da criança certas 
similitudes essenciais, reclamadas pela vida coletiva. Por outro lado, 
sem uma tal ou qual diversificação, toda cooperação seria 
impossível: a educação assegura a persistência desta diversidade 
necessária, diversificando-se ela mesma e permitindo as 
especializações (PEREIRA, 1977, p. 42). 
 
 
Assim o autor chega ao esboço de sua definição, dizendo que a educação é 
um meio pelo qual a sociedade prepara as condições essenciais à existência. 
 
A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as 
gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; 
tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de 
estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade 
política no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança, 
particularmente, se destine (Idem, p. 42). 
 
 
 
 
2 Ou seja, da sua cultura. 
 
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Durkheim afirma que: “a educação consiste numa socialização metódica das 
novas gerações.” (Idem, p. 42). Para ele, existe, em cada um de nós, dois seres: o 
primeiro constituído de estados mentais, e que diz respeito a nós mesmo – o ser 
individual; e o outro, o ser social, com um sistema de idéias, sentimentos e hábitos 
que vão revelar a personalidade do grupo do qual fazemos parte. Ou seja, toda 
influência vinda das crenças religiosas, práticas morais, tradições nacionais ou 
profissionais e as diversas opiniões extraídas do grupo, imprimem em nós, o ser 
social. Logo, conclui que o fim da educação é: “Constituir esse ser social em cada 
um de nós” (PEREIRA, 1977, p. 43). 
A importância do trabalho educativo é fundamental para a construção do ser 
social já que a criança, ao nascer, traz apenas sua natureza de indivíduo. A 
educação, a medida que a criança se desenvolve, vai, aos poucos, imprimindo nela 
o ser social, dando-lhe condições de atuar e conviver no âmbito coletivo. 
 
A sociedade se encontra, a cada nova geração, como que em face 
de uma tabula rasa, sobre a qual é preciso construir quase tudo de 
novo. É preciso que, pelos meios mais rápidos, ela agregue ao ser 
egoísta e a-social, que acaba de nascer, uma natureza de vida moral 
e social. Eis aí, a obra da educação. Basta enunciá-las dessa forma 
para que percebamos toda a grandeza que encerra (Idem, p. 43). 
 
 
Um atributo da educação é sua virtude criadora capaz de “criar no homem um 
novo ser” (Idem, p. 44). E este novo ser, agora com suas faculdades desenvolvidas, 
preocupa-se em transmitir seus conhecimentos para nova geração, através da 
educação. Entretanto, Durkheim compreende que “a educação satisfaz, antes de 
tudo, as necessidades sociais” (Idem, p. 45). 
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O homem atual deseja a ciência porque já compreende que não pode mais 
passar sem ela, pois os tempos mudaram e a sociedade evoluiu, logo, há 
necessidade de novos parâmetros. 
 
O homem não veio a conhecer a sede do saber senão quando a 
sociedade sentiu que seria necessário fazê-lo. Esse momento veio 
quando a vida social, sob todas as formas, se tornou demasiado 
complexa para poder funcionar de outro modo que não fosse pelo 
pensamento refletido, isto é, pelo pensamento esclarecido pela 
ciência. Então, a cultura científica tornou-se indispensável; e é essa 
razão pela qual a sociedade a reclama de seus membros e a impõe a 
todos, como um dever (PEREIRA, 1977, p. 45). 
 
 
 Nesse sentido, pode-se concluir que somos levados, quase que 
inconscientemente, a agirmos de acordo com as necessidades sociais, pois, “a 
sociedade impõe aos homens insuportável tirania” (Idem, p. 46). 
A moral também é destacada como verdade histórica estabelecida, já que 
encontra-se rigorosamente relacionada com a natureza das sociedades, inclusive 
em relação a mudança que resulta da vida em comum. 
 
 
É a sociedade que nos lança fora de nós mesmo, que nos obriga a 
considerar outros interesses que não os nossos, que nos ensina a 
dominar as paixões, os instintos, e dar-lhes lei, ensinando-nos o 
sacrifício, a privação, a subordinação dos nossos fins individuais a 
outros mais elevados. Todo o sistema de representação que mantém 
em nós a idéia e o sentimento da lei, da disciplina interna ou externa, 
é instituído pela sociedade (Idem, p. 46). 
 
 
Pelos valores morais imposto pela sociedade da qual faz parte, o homem 
aprende a resistir a si mesmo, dominando suas tendências, suas paixões e 
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tornando-se prisioneiro do sistema: “representando as qualidades do homem de 
nosso tempo” (Idem, p. 47). 
No campo intelectual não é diferente, pois a sociedade, através da ciência, é 
a responsável em nortear o pensamento humano. “A ciência é obra coletiva, 
porquanto supõe vasta cooperação de todos os sábios, não somente de dada 
época, mas de todas as épocas que se sucedem na história”

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