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O ENSINO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL_ Caminho para Construção de uma Educação Cidadã

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por exemplo, cultura da terra (agricultura), ou ainda, cultura letrada 
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(indivíduos com formação acadêmica ou alfabetizados). Para esta pesquisa importa 
o termo Antropológico: cultura é tudo aquilo que o homem produz ao construir sua 
existência. Assim, cultura é um conjunto de símbolos (valores morais, religião, 
práticas e teorias, instituições)3 que vão intermediar o contato do homem com o 
mundo. Tais símbolos são elaborados pelas próprias sociedades em determinado 
tempo e local, logo, diferem um dos outros. 
Gusdorf, filósofo contemporâneo diz que: “o homem não é o que é, mas é o 
que não é” (apud ARANHA, 1993, p. 6), ou seja, um modelo antecessor não define o 
homem. Este não é produto das circunstâncias, “ele se define por lançar-se no 
futuro, antecipando, por meio de um projeto, a sua ação consciente sobre o mundo” 
(ARANHA, 1993, p. 6). 
Pode-se, então, entender que não há caminho traçado, mas a ser construído. 
Da mesma forma, não há modelo de conduta, mas um estabelecer de normas, que 
será sempre contínuo. Logo, não há verdade absoluta, tudo se torna questionável. 
Embora este cenário pareça apresentar uma fragilidade para o homem que 
parece perder a segurança da vida animal em relação a sua interação com a 
natureza, ela é, na verdade, a característica mais perfeita e nobre do homem: a 
capacidade de tornar-se autor de sua própria história, embora a convivência humana 
se dê somente por meio da sociedade e, também, a partir dela. 
Assim, o processo de humanização ocorre pela relação entre os homens e, 
nesta relação, reside os impasses e confrontos dos quais emerge a consciência de 
si mesmo, responsável por levar o homem a mover-se entre a contradição e sua 
resolução. 
 
3 Citado por Champlin (1995). 
 
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Cabe ao homem a preocupação constante de manter viva a dialética, 
a contradição fecunda dos pólos que se opõem, mas não se 
separam, pela qual, ao mesmo tempo em que o homem é um ser 
social, também é uma pessoa, isto é, tem uma individualidade que o 
distingue dos demais (ARANHA, 1993, p. 7). 
 
 
 No âmbito da educação, deve-se considerar que ela ainda é o meio mais 
eficiente para a promoção da cidadania, exercício este que precisar ser aprendido 
para, então, fazer parte ativa de nossa cultura. 
 A finalidade da educação é formar pessoas capazes de se integrar e atuar 
corretamente no mundo, possibilitando que as relações humanas sejam aprimoradas 
e que a solidariedade se torne uma prática cotidiana acompanhada da ética, que por 
sua vez, contribuirá para um mundo melhor e mais humano. 
 A educação vem, ao longo dos tempos, passando por constantes 
reformulações, estas, porém, não dão conta de competir ou mesmo alcançar as 
demandas de uma sociedade onde os avanços tecnológicos se dão de forma cada 
vez mais veloz, de modo que a função da escola precisa ser pensada e redefinida, 
para um novo patamar dinamizador dos processos educacionais. “Hoje a escola não 
pode ver a educação de forma isolada do próprio cotidiano vivenciado, pois é neste 
contexto que produzimos e reproduzimos nossa forma de ser, de agir, de fazer, de 
realizar de escolher e de sonhar”. (SANTANDER, 2004, p. 37). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2.2.1 Conceitos de Cultura 
 
 
 
 
Há uma grande variedade no conceito de cultura, cada conceito, aborda uma 
vertente do termo de forma específica. Cultura é uma palavra oriunda do latim 
colere, cultivar e todas as definições existentes partem deste significado 
desmembrando-o para seu foco de interesse. 
Champlin, apresenta cinco conceitos básicos de cultura; a saber: 
 
1) Um empreendimento coletivo, segundo o qual os homens 
conseguem estabelecer um estilo de vida distinto, com base em 
valores comuns; 2) Aquele todo complexo que inclui conhecimento, 
crenças, artes, princípios morais, leis, costumes e quaisquer outras 
capacidades e hábitos adquiridos pelos homens, como membros da 
sociedade. (E.B. Tylor); 3) A totalidade da invenção e da realização 
humana, incluindo todos os princípios, agências e técnicas de 
controle que os homens têm adquirido sobre a natureza física e o 
comportamento humano , bem como todas as experiências pessoais 
e sociais que eles têm acumulado, intercambiado e transmitido, por 
meio de instrumentos e símbolos; 4) Todas as expressões criativas 
dos homens, em todos os campos de empreendimento humano; 5) 
Em sentido limitado, a expressão que os homens têm conseguido 
nas artes liberais (1995, v.1, p.1029-1030). 
 
 
Houaiss, aborda o termo cultura, primeiramente, esmiuçando seu sentido original 
que se refere ao cultivo da terra – agricultura. E, num segundo momento, ele 
apresenta diversos conceitos, muitos destes porém, voltados para a atualidade. 
 
1) cultura de massa – (sentido social) universo de formas culturais 
(p.ex., música, literatura, cinema) selecionadas, interpretadas e 
popularizadas pelas indústria cultural e meios de comunicação de 
massa para disseminação junto ao maior público possível; indústria 
cultural; 2) cultura de massa – (sentido pejorativo) conjunto de 
atitudes, linguagens, conhecimentos e costumes assim induzidos, 
que tendem freqüentemente à estereotipagem e à simplificação e 
buscam satisfazer indiretamente interesses de determinados grupos 
sociais; indústria cultural; 3) cultura erudita – conjunto de 
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conhecimentos acumulados e socialmente valorizados, que 
constituem patrimônio da sociedade; 4) cultura popular – folclore – 
conjunto de costumes (2004, p. 888). 
 
 
 
 
 
2.2.2 Cultura como diversidade 
 
 
 Hoje, busca-se entender a vida social como fruto dos diferentes modos de 
conduta exigidos por cada tipo de sociedade e dos diversos grupos que a compõem. 
Tais condutas são, na verdade, comportamentos característicos que marcam a vida 
em comum de cada sociedade, podendo-se destacar, entre outras, a forma que 
cada qual encontrou para extrair e transformar os recursos naturais disponíveis em 
sua volta, como elaboraram seus projetos sobre o futuro, e como estabeleceram 
diferentes maneiras para organizarem a vida em grupo considerando, também, as 
formas que encontraram para superar os conflitos e tensões, que são inevitáveis na 
vida social. 
 
Cada realidade cultural tem sua lógica interna, a qual devemos 
procurar conhecer para que façam sentido as suas práticas, 
costumes, concepções e as transformações pelas quais estas 
passam. É preciso relacionar a variedade de procedimentos culturais 
com os contextos em que são produzidos (SANTOS, 1996, p. 8). 
 
 
 
 É a interação entre as culturas que justifica o pensar sobre os diferentes 
povos, pois somos seres sociais que vivem em realidades sociais diferentes. “Cada 
cultura é o resultado de um história particular, e isso inclui também suas relações 
com outras culturas, as quais podem ter características bem diferentes” (SANTOS, 
1996, p. 12). 
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 Pelo fato de cada cultura possuir suas próprias características, a idéia de uma 
evolução cultural de forma hierarquizada não procede, pois há uma multiplicidade de 
critérios culturais desenvolvido ao longo dos tempos e dos distintos grupos. Na 
realidade, estudos feitos neste aspecto apontam que há interesses políticos por 
detrás de uma ingênua evolução hierarquizada, ou seja, implica em interesse de 
hegemonia e domínio das sociedades capitalistas mais avançadas sobre o resto do 
mundo. 
 No tocante a avaliação de culturas ou traços culturais, devemos trabalhar com 
o conceito de relativismo, pois a diversidade cultural reclama o respeito que conduz 
ao entendimento da inserção das culturas particulares na história mundial. Neste 
aspecto Santos diz que: 
 
A observação de cultura alheias se faz segundo pontos de vista 
definidos pela cultura do observador, que os critérios que se usa para 
classificar uma cultura são também culturais. Ou seja, segundo essa 
visão, na avaliação de culturas e traços culturais tudo é relativo 
(1996,

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