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O ENSINO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL_ Caminho para Construção de uma Educação Cidadã

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p. 16). 
 
 
Assim, não há cultura superior ou inferior, e sim, “processos históricos que as 
relacionam e estabelecem marcas verdadeiras e concretas entre elas” (SANTOS, 
1996, p.17). 
 Entretanto, há entre as diversas culturas e sociedades humanas uma relação 
desigual, sendo este um fato evidente que não deve ser desprezado. Esta 
desigualdade ocorre, simultaneamente, de duas formas: de cultura para cultura e no 
interior de cada cultura ou grupo social. 
 
 
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A diversidade também se constitui de maneiras diferentes de viver, 
cujas razões podem ser estudadas, contribuindo dessa forma para 
eliminar preconceitos e perseguições de que são vítimas grupos e 
categorias de pessoas [...] no estudo de culturas de sociedades 
diferentes quanto das formas culturais no interior de uma sociedade, 
mostrar que a diversidade existe não implica concluir que tudo é 
relativo, apenas entender as realidades culturais no contexto da 
história de cada sociedade [...] as culturas movem-se não apenas 
pelo que existe, mas também pelas possibilidades e projetos do que 
pode vir a existir (SANTOS, 1996, p. 19-20). 
 
 
 
 Cada sociedade é formada por uma multiplicidade de diferentes grupos 
religiosos, sociais, acadêmicos, étnicos, entre outros e, cada qual, exerce papel 
preponderante, baseados em sua cultura particular. É a tensão entre estas diversas 
culturas que confere o caráter dinâmico e a mobilidade que faz esta sociedade existir 
efetivamente. 
 
 
2.2.3 Cultura Globalizada 
 
 
 Globalização não é um fenômeno recente, ela vem acontecendo desde os 
primórdios da humanidade. Começou a ficar evidente a partir do Séc. XVI, com as 
grandes descobertas marítimas. 
 O processo de globalização acelerou-se com os avanços tecnológicos, em 
meados do Séc. XX. Com as comunicações via satélite e a estabilidade da aviação 
civil, os povos e culturas foram aproximados, diminuindo, assim, as distâncias 
existentes entre elas, o que permitiu a confusão dos conceitos: distante e próximo. 
 Com a chegada da internet, a globalização ganha novo impulso com inúmeros 
dados transmitidos e recebidos instantaneamente. Desta forma, manifestações 
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culturais deixam de ser locais para assumirem a condição de produtos globais. E, 
assim, novos costumes, modos de vida, bens e serviços estão disponíveis em tempo 
real para grande parte do mundo. Há de se considerar ainda, que a globalização 
exerce um poder de influência sobre bilhões de pessoas e estas influências se 
manifestam no aspecto econômico, nas relações pessoais, na subjetividade e, em 
especial, na cultura, embora de forma indireta. 
 A realidade que todos vivenciam hoje, é a chamada Era da Informação, Meios 
de Comunicação, Cultura Globalizada. Entretanto, o homem nunca esteve tão 
solitário, desinformado e inseguro quanto a sua própria identidade pessoal. 
 Os meios de comunicação que deveriam estar a serviço da democratização 
da sociedade, estão, ao contrário, rompendo com a possibilidade da formação de 
uma sociedade solidária, justa e humanizada. 
 Entende-se que o pensar é a única e infalível arma para fazer do homem um 
cidadão de fato, sujeito da própria história. No entanto, não é tarefa fácil, para 
exercer o pensamento de forma saudável e produtiva, é necessário conhecer a 
própria cultura e os mecanismos que a regem. Além disto, precisa-se de aliados 
para formar uma comunidade forte e, por meio dela, trazer a realização dos seus 
sonhos: paz, justiça, humanidade. 
 Somente através de uma educação reformulada, a sociedade poderá ganhar 
um novo rumo, pois uma educação consistente, clara e planejada propiciará a 
problematização, o aprofundar e o elaborar um projeto de mundo novo, que tenha 
como prioridade a construção da cidadania. Assim, se faz necessário democratizar a 
comunicação através da educação, como recurso para alcançar a maioria e garantir 
o acesso dos menos favorecidos à uma modalidade de vida de que todos são, 
igualmente, merecedores. 
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2.3 DESAFIO PARA O EDUCADOR MUSICAL NA SOCIEDADE GLOBALIZADA 
 
 
 No contexto da educação musical, o processo de globalização se materializa 
na forma de manifestações culturais que atravessam fronteiras e se disseminam 
pelo planeta, exercendo enorme influência sobre o aspecto cultural local. Como 
exemplo disto, pode-se citar o rap4. Sua passagem pelas diferentes culturas locais 
vai permitindo que sejam incorporados elementos locais e assim vai sofrendo 
transformações, e sucessivamente vai acontecendo por onde chegam e em 
conseqüência disso vai ganhando espaço na mídia. 
 As incorporações destes elementos locais, se comprovam a globalização na 
esfera da cultura, promovem a heterogeneidade das manifestações culturais em 
função da diversidade de indivíduos e dos lugares que não possibilitam a 
homogeneização destas manifestações. Sobre isto o geógrafo Milton Santos diz: “a 
globalização agrava a heterogeneidade” (apud LUNA, 2006). 
 São muitos os efeitos causados pelo fenômeno da globalização e eles afetam 
toda a humanidade de forma direta ou indireta. Nem sempre os efeitos são 
benéficos, principalmente nas culturas do Terceiro Mundo onde a criação de novos 
valores e éticas impostas por culturas hegemônicas colocam em risco a identidade 
histórica das culturais locais. São conseqüências advindas da globalização que 
devem ser pensadas e contornadas, para que seja possível proporcionar uma 
educação musical que, ao mesmo tempo que contemple os aspectos da Indústria 
Cultural, ofereça a possibilidade de resgate das raízes culturais locais, possibilitando 
o exercício pleno dos valores regionais e da construção da cidadania. 
 
4 Abreviação da expressão americana rhythm and poetry. No Brasil é conhecido, também, como funk. 
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 O educador musical precisa, então, estar atualizado e bem informado quanto 
aos diversos estilos musicais existentes e manter-se aberto para acolher os estilos 
que interessam aos seus alunos. A partir dos interesses manifestados, o professor 
deve planejar uma linha de ação que irá atender a necessidade imediata da criança 
e, simultaneamente, prepará-la para o aprendizado musical que tiver condições de 
absorver naquele momento. 
 Lembrando que os aspectos da linguagem musical devem ser trabalhados de 
forma específica e prazerosa, a educação musical deve ser algo criativo que priorize, 
sobretudo, o imaginário das crianças. Elas encontram-se receptíveis e interessadas 
nas atividades musicais, por isso, o professor deve explorar esta abertura e conduzi-
las, através de relações lúdicas, ao desenvolvimento de suas potencialidades 
musicais de forma significativa. 
 A melhor maneira de tornar as atividades lúdicas em experiências 
significativas é estabelecer, como sugere Ayer (1998), um plano de ação que 
viabilize uma prática criativa. Segundo ele, é necessário que três conceitos 
caminhem juntos: prazer, integração e identidade. O prazer consagra a experiência 
sensível do aluno no seu fazer artístico. A integração permite, pela via do respeito à 
vontade da criança, o descobrir suas diversas potencialidades por intermédio da 
mediação entre o estético e o lúdico, sem perder de vista o imaginário infantil, fator 
indispensável no decorrer do processo artístico. E a identidade demarca o momento 
da criança com sua produção artística onde ela expressa, com exatidão, suas 
emoções e aptidões. Neste âmbito, pode-se observar tanto o individual quanto o 
coletivo. 
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 Assim, uma linha de ação estabelecida nestes parâmetros garantirá uma 
realização artística criativa e eficaz, resultando na formação de pessoas felizes e, 
consequentemente, cidadãos atuantes e sensíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 PROCESSO DE COGNIÇÃO MUSICAL 
 
 
 Os processos de cognição musical ocorrem de forma gradativa, tal como os 
demais processos de cognição, obedecendo

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