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Psi Interseccionalidade

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INTERSECCIONALIDADE: Discriminação Raça e Gênero
O presente trabalho aborda o tema “Discriminação da Mulher” que foi exibido em um documentário denominado “A Urgência da Interseccionalidade”, apresentado por Kimberle Crenshaw, professora de Direito das Universidades da Califórnia e Columbia/ USA, pesquisadora nas áreas de direitos civis afro-americanos, a mesma criou o conceito da intersecção das desigualdades de raça e gênero. A sua abordagem sobre o sistema discriminatório de poder e subordinação em geral, leva a complexas intersecções que atinge principalmente mulheres negras e marginalizadas. Dessa forma as mulheres pretas, pobres e homossexuais (por exemplo) estarão sofrendo triplamente o preconceito, encontrando-se em situação de maior vulnerabilidade do que outras. Estas pesquisas vêm sendo reconhecidas em diversas partes do mundo e inspirando grupos de trabalhos e políticas públicas em defesa da discriminação da mulher em estado de vulnerabilidade, para que seja combatia e extirpada da sociedade.
A violência de gênero e raça ainda apresenta situações significativamente preocupantes contra as mulheres, violência policial, discriminação no emprego, estupro coletivo e de meninas, intimidação moral e feminicídio. Diante de tudo isso, os movimentos feministas têm lutado para mudar esse quadro e diminuir a desigualdade de “poder” entre homem e mulher já que a violência é a exibição do poder exercido sobre a mulher e uma violação de direitos humanos. 
Diante de uma sociedade histórica e politicamente patriarcal, a ideia universal de “mulher” se torna frágil partindo das experiências vividas por cada uma delas, dentro de seu mundo social e as diferenças significativas existentes. É importante reconhecer que no âmbito privado a família tanto estabelece quanto disfarça as relações de poder, dando continuidade com a dominação e exploração das mulheres, indiferente se pai-mãe/filha, marido-namorado/mulher, patrão-patroa/empregada. A mulher está tão enraizada neste contexto que não reconhece a opressão vivida, afetando as possibilidades de reação e luta para ingressar no mercado de trabalho, ter mobilidade social e de se reconhecer como pessoa de direito. Elas se identificam como objeto. 
É nesse contexto de diferentes condutores, na subjetividade e em um campo de possibilidades que valorizamos o conceito de interseccionalidade, ou seja, é a imagem de um cruzamento de avenidas no qual a pessoa estará submetida em uma zona de intersecção de várias discriminações, indefesa e submetida a quem tem mais ou menos ‘poder’ na relação. Isto historicamente está constituído em diversas partes do mundo, de maneiras diferentes, mas dentro de um mesmo contexto.
 Diante dessa inquietação e por tratar-se de uma análise histórica sobre a opressão das mulheres, a Psicologia Social encontra um vasto campo para desenvolver um trabalho em: raça/etnia, gênero, sexualidades de relações de poder desiguais. Dentro da complexidade da violência sobre gênero/raça contra as mulheres, exigem-se ferramentas de diferentes estratégias que possam analisar os marcadores sociais e o enfrentamento aos acontecimentos de violação dos direitos. Para tanto, se torna essencial que as pesquisas sejam construídas abordando perguntas interseccionais e que a atuação da psicologia na intervenção psicossocial leve em conta a área que será analisada. É necessário conhecer a história dentro do contexto social, seus aspectos geográficos, estrutura social e familiar, políticas públicas, além das dificuldades daqueles que lá convivam.
As políticas públicas são caminhos eficazes, quando bem aplicadas, para contribuírem em dar voz a tantas mulheres que vivem em um regime de opressão e silenciamento. Reverter esta realidade exige medidas públicas e investimento, o acesso à educação em todos os níveis e ao trabalho no mesmo patamar que as outras pessoas.
“(...) Mulheres brancas tem um oscilante status, 
enquanto si mesmas e enquanto o “outro” do homem branco, pois 
são brancas, mas não homens; homens negros exercem a função de 
oponentes dos homens brancos, por serem possíveis competidores 
na conquista das mulheres brancas, pois são homens, mas não 
brancos; mulheres negras, entretanto, não são nem brancas, nem 
homens, e exercem a função de o “outro” do outro.”
Grada Kilomba

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